Também me deixei seduzir, como muitos, pela possibilidade de não estarmos sós no universo. Certamente resultado de curiosidade, mas também da exposição constante a obras de ficção que imaginaram outros mundos e nos colocaram como viajantes pelo espaço.
Recentemente, o assunto voltou a ganhar destaque considerável no debate público, impulsionado pela divulgação de relatórios oficiais do governo americano sobre supostos avistamentos de OVNIs e pelo filme Dia D, de Steven Spielberg. Sempre que o tema surge na imprensa ou nas conversas diárias, a discussão esbarra na mesma constatação evidente: num universo infinitamente vasto, a probabilidade de existirem outras formas de vida é muito plausível. Mas se aceitamos isso como algo lógico, por que não temos contatos abundantes e claros?
A verdade é que a pergunta correta a fazer não é se existe vida inteligente fora da Terra, mas sim se haveria alguma hipótese real de um encontro entre nós e outra civilização. E a resposta é não. Por mais estranho que pareça, é possível afirmar que nunca houve e nunca haverá nenhum contato entre a humanidade e formas de vida extraterrestres.
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E a explicação pode ser bem simples. Quantas vezes vimos alguém que viveu uma emoção avassaladora dizer que “não tem palavras” para expressar o que sente? Ela faz apenas a constatação prática de que nenhum termo ou expressão consegue comunicar a outros seu estado de espírito.
Pois a mesma lógica se aplica às distâncias no universo. Não há vocabulário capaz de dar uma ideia sequer aproximada de quão longe estão estrelas, planetas e galáxias. Passamos a vida alheios à impossibilidade do encontro entre duas civilizações inteligentes porque ignoramos que o impedimento real não é a falta de tecnologia, mas as próprias leis da natureza, que proíbem esse contato. O tempo necessário para que isso acontecesse se contaria em milhões ou bilhões de anos. E como as leis da natureza valem em todo o universo, a mesma impossibilidade que enfrentamos para viajar pelo espaço é vivida por qualquer outra suposta civilização alienígena. Os obstáculos estão no caminho de todos, e são intransponíveis.
Discutir um tema como esse pode soar supérfluo no confronto com nossa vida prática e diária de busca pela sobrevivência. Contudo, acho que há valor nesta reflexão. Saber que jamais faremos contato não deve nos deixar deprimidos e sim nos dar lucidez no fato de conhecermos as limitações que a natureza nos impõe e de que estamos definitivamente sós. Porque não há diferença entre saber que se está sozinho e saber que mais alguém existe, mas que nunca será possível encontrá-lo.
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