As previsões dos órgãos oficiais indicam elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño ao longo de 2026. Para o Rio Grande do Sul, que ainda carrega as cicatrizes das enchentes recentes, o alerta é inevitável. Mais importante do que discutir a intensidade das próximas chuvas é perguntar se aprendemos, de fato, as lições deixadas pelos últimos desastres.
Nos últimos meses, o Governo do Estado apresentou o Prepara RS, programa voltado ao fortalecimento da preparação para eventos climáticos extremos. A iniciativa reúne ações de planejamento, monitoramento, capacitação, integração entre órgãos públicos e apoio aos municípios. Em tese, representa uma mudança importante: substituir a lógica da resposta emergencial pela cultura da prevenção.
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Mas programas públicos não podem ser avaliados apenas pela qualidade de sua concepção. Entre o anúncio e os resultados, existe um longo caminho. A efetividade do Prepara RS dependerá da execução das ações previstas, da capacidade de articulação entre Estado e municípios, da atualização dos planos de contingência, da realização dos investimentos prometidos e da transparência na aplicação dos recursos públicos. Planejamento só produz segurança quando deixa o papel e se transforma em prática.
É justamente por isso que o acompanhamento da sociedade é indispensável. Controle social não significa apenas criticar governos em momentos de crise. Significa acompanhar metas, cobrar cronogramas, fiscalizar a execução das políticas públicas e exigir que as prioridades definidas hoje permaneçam no centro da agenda quando as manchetes sobre enchentes deixarem de ocupar espaço nos noticiários. Ou seja, é indispensável para transformar planejamento em resultados concretos.
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Nesse processo, os órgãos de controle também desempenham papel relevante. Os Tribunais de Contas vêm ampliando sua atuação por meio de orientações técnicas, ações educativas e do incentivo ao planejamento e à gestão de riscos. Mais do que identificar irregularidades após os acontecimentos, procuram estimular práticas administrativas capazes de reduzir vulnerabilidades antes que elas produzam novos prejuízos à população.
O El Niño é um fenômeno da natureza. A qualidade da resposta do Estado, porém, depende de escolhas humanas. E boas escolhas exigem não apenas governos preparados, mas também uma sociedade atenta, participativa e disposta a exercer seu papel fiscalizador. Afinal, a prevenção não se constrói apenas com decretos e programas; ela se consolida quando cidadãos e instituições compreendem que a prevenção é uma responsabilidade compartilhada.
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