Cultura e Lazer

Federação preserva há 75 anos os costumes teuto-brasileiros e o uso da língua alemã

A Federação dos Centros de Cultura Alemã do Brasil (Feccab) dedica-se há 75 anos a preservar e cultivar os costumes teuto-brasileiros e o uso da língua alemã. Com sede no Centro Cultural 25 de Julho, em Porto Alegre, reúne hoje 145 filiados, ou melhor, entusiastas da cultura trazida pelos imigrantes ao Brasil. Além das associações brasileiro-alemãs e de municípios com predominância alemã, integram a entidade pessoas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, bem como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Há, ainda, associados da Alemanha.

Conforme explica o atual presidente, o jornalista e escritor Felipe Kuhn Braun, a Feccab realiza eventos culturais como palestras, recitais, apresentações de corais, congressos e encontros de genealogia; visitas técnicas a fundações culturais, museus, arquivos e também viagens culturais.

Nesse período, a Feccab também criou duas instituições: a Associação dos Pesquisadores das Comunidades Teuto-Brasileiras e a Associação Cultural Gramado (ACG), mantenedora da Casa da Juventude, de Gramado. Essa última ainda continua ativa e recebe assistência.

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Reeleito para o segundo mandato, Braun explica que há diversos projetos de expansão, como a ampliação do arquivo histórico, a criação do departamento de genealogia – que hoje abriga 1,5 milhão de nomes de imigrantes alemães e descendentes – e a publicação de obras de associados.

Como suas principais conquistas à frente da Federação, ele cita o aumento no número de filiados (de 32 passou para 145) e a ampliação do calendário de eventos, com viagens culturais e visitas técnicas que ocorrem a cada dois meses. Essas atividades, segundo ele, buscam proporcionar às pessoas que sintam e vivenciem a cultura conhecendo os lugares colonizados e habitados pelos imigrantes.

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Outra novidade será o lançamento do primeiro livro sobre a história da Feccab, a criação da biblioteca física e do Museu da Imigração Alemã, em Estância Velha, para abrigar o material da federação e disponibilizar mais um espaço para encontros, além do Centro Cultural 25 de Julho, em Porto Alegre.

Como surgiu?

Em 19 de setembro de 1951, os Centros Culturais 25 de Julho de Porto Alegre, Panambi e Novo Hamburgo reuniram-se para constituir a Federação dos Centros Culturais 25 de Julho. A iniciativa foi liderada por Fritz Rotermund, um dos primeiros a tentar (terminada a Segunda Guerra Mundial e após a ditadura do presidente Vargas) resgatar o patrimônio cultural. Isso se deu após as campanhas de ajuda à população civil da Alemanha, que sofria com a fome no pós-guerra.

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A ideia do 25 de Julho espalhou-se rapidamente pela região Sul e em São Paulo, onde havia municípios com grande contingente alemão. Aos poucos, conseguiu-se eliminar o medo das pessoas em voltar a falar o alemão. Para permitir que outras associações de origem alemã, com objetivos idênticos, pudessem se filiar à Federação, em 1989 sua denominação foi alterada para Federação dos Centros de Cultura Alemã do Brasil (Feccab).

Visitas técnicas promovem imersão em roteiros culturais

Uma experiência completa para quem quer conhecer melhor a cultura teuto-brasileira. É isso o que a Federação dos Centros de Cultura Alemã do Brasil (Feccab), com sede em Porto Alegre, tem oferecido aos seus associados através das chamadas visitas técnicas. As atividades, programadas no calendário anual de eventos, proporcionam conhecimento histórico e cultural sobre a imigração alemã e os lugares visitados. Neste ano, a primeira visita ocorreu no mês de abril, com imersão no acervo histórico em Forquetinha, no Vale do Taquari, onde foram visitados o Bairro Conventos e o Museu de Waldemar Richter.

Já em maio foi realizada uma viagem cultural a Petrópolis, no Rio de Janeiro, para descobrir a herança alemã lá existente. Entre os lugares visitados, destaque para a casa da Princesa Isabel, lugar icônico onde foi feita a última foto da família imperial no Brasil em meados de 1888, e para o Palácio de Cristal, inaugurado em 1884 e inicialmente construído para que a Princesa Isabel pudesse cultivar suas hortaliças.

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Hoje o local abriga exposições e eventos, como a festa anual em homenagem aos colonos alemães de Petrópolis. A escolha pela cidade se deve ao fato de a Feccab contar com filiados cariocas, entre eles o Centro Cultural 29 de Junho, clube cultural de Petrópolis.

Nas escadarias da casa da Princesa Isabel, em Petrópolis (RJ), onde família imperial fez a última foto no Brasil
Registro da visita técnica ao parque e museu de Waldemar Richter, em Forquetinha, no Vale do Taquari

Para este segundo semestre, já no mês de agosto, está prevista uma segunda edição da viagem cultural a Petrópolis. Realizadas em grupo, essas visitas percorrem museus, casas culturais e espaços em restauração em diferentes cidades. No ano passado, foram visitados espaços em Igrejinha, Novo Hamburgo e Dois Irmãos.

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Segundo o presidente da Feccab, o jornalista e escritor Felipe Kuhn Braun, o objetivo principal é oportunizar aos associados mais conhecimento sobre a imigração alemã e a cultura teuto-brasileira, com a visitação de espaços que contam a história regional e local. Já para quem é “amigo da Feccab”, ou seja, quem é convidado a participar de algumas dessas atividades, isso também é importante para adquirir conhecimento e ampliar sua bagagem cultural, especialmente pela troca e a interação com outras pessoas.

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“As visitas técnicas oportunizam isso e as viagens culturais mais ainda, porque acontecem para locais distantes – ao menos aqui da sede, em Porto Alegre, como Blumenau, Hohenau (colônia histórica de imigrantes alemães e descendentes no Paraguai), Puerto Rico (na Argentina), que estamos prestes a visitar também no ano que vem, Petrópolis (no Rio de Janeiro), para onde já fomos e estamos organizando novos grupos, e Pomerode (em Santa Catarina). Então, são vários os locais relacionados a essa cultura”, observou Braun.

Outro ponto igualmente importante, avalia ele, é o contato com os associados de outras regiões, já que a Federação tem filiados em vários lugares, como Juiz de Fora (Minas Gerais), Petrópolis (Rio de Janeiro), além de Blumenau, São Bento do Sul e Treze Tilhas (em Santa Catarina).

De modo geral, completa Braun, é uma forma de aproximar ainda mais as atuais e as futuras gerações da história construída pelos imigrantes alemães, que tanto contribuíram para o desenvolvimento das mais diversas regiões do Brasil. Tais atividades, de acordo com ele, foram intensificadas neste que é o 75º ano de fundação da Feccab.

Próximas viagens programadas

  • Agosto
    • Entre os dias 13 e 16 – Segunda edição da viagem cultural a Petrópolis, no Rio de Janeiro.
    • Entre os dias 27 e 30 – Terceira edição da viagem cultural a Petrópolis, no Rio de Janeiro.
  • Outubro
    • Dia 17 – Visita às colônias tradicionais de Linha Santa Cruz e Monte Alverne, em Santa Cruz do Sul
    • Dia 18 – Visita técnica ao Instituto Cultural Brasileiro Alemão de Agudo (ICBAA), em Agudo.
  • Novembro (*)
    • Entre os dias 5 e 8 – Quarta edição da viagem cultural a Petrópolis, no Rio de Janeiro.
    • Primeiro semestre de 2027
    • Em data a definir – Viagem cultural pelas regiões de preservação germânica em Blumenau e Pomerode, em Santa Catarina, e pela colônia histórica de imigrantes alemães e descendentes, em Hohenau, no Paraguai.

(*) Vagas abertas
A Feccab ainda tem vagas para a viagem cultural a Petrópolis, no Rio de Janeiro, programada para os dias 5, 6, 7 e 8 de novembro. As pessoas interessadas em participar podem contatar com o presidente Felipe Kuhn Braun, pelo WhatsApp (51) 99971 1456, para obter mais informações.

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Carina Weber

Carina Hörbe Weber, de 37 anos, é natural de Cachoeira do Sul. É formada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e mestre em Desenvolvimento Regional pela mesma instituição. Iniciou carreira profissional em Cachoeira do Sul com experiência em assessoria de comunicação em um clube da cidade e na produção e apresentação de programas em emissora de rádio local, durante a graduação. Após formada, se dedicou à Academia por dois anos em curso de Mestrado como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Teve a oportunidade de exercitar a docência em estágio proporcionado pelo curso. Após a conclusão do Mestrado retornou ao mercado de trabalho. Por dez anos atuou como assessora de comunicação em uma organização sindical. No ofício desempenhou várias funções, dentre elas: produção de textos, apresentação e produção de programa de rádio, produção de textos e alimentação de conteúdo de site institucional, protocolos e comunicação interna. Há dois anos trabalha como repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações, tendo a oportunidade de produzir e apresentar programa em vídeo diário.

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