Impossível falar sobre imigração alemã sem lembrar do Centro Cultural 25 de Julho, de Santa Cruz do Sul. Fundado em 1986, completa neste sábado, 25, seus 40 anos de atividades ininterruptas em prol da preservação da cultura germânica no município. Embora a data que hoje homenageia Colonos e Motoristas e marca o Dia da Imigração Alemã no Brasil tenha dado denominação a diversas outras entidades e associações pelo país afora, foi especialmente a intenção de manter viva a cultura, a gastronomia, o canto, a dança, os jogos, enfim, os costumes dos colonizadores, que deu origem ao Centro Cultural no município.
Isso se dá através dos grupos de canto coral em língua alemã, dos jogos germânicos, do eisstocksport e dos cinco grupos de danças folclóricas germânicas. Conforme a atual presidente Maria Luiza Rauber Schuster, que assumiu o cargo ontem à noite, durante jantar-baile de apresentação da nova diretoria e de reinauguração do salão de eventos, o Centro Cultural é referência para todo o Estado em tudo o que diga respeito à cultura alemã. “O 25 de Julho é muito procurado para pesquisas de universidades de todo o Rio Grande do Sul e do Brasil. Também é ponto de pesquisa em vários setores, é procurado por grupos de fora que vêm a Santa Cruz, seja para fazer um passeio, conhecer a culinária ou a dança”, observa.
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Além disso, ressalta que há 39 anos ajuda a difundir e divulgar a cultura germânica através do programa Folclore e Tradição, que vai ao ar todos os sábados, das 13 às 14 horas, pela Rádio Gazeta FM 107,9, emissora da Gazeta Grupo de Comunicações. Mais do que apresentar a agenda de eventos e apresentações do Centro Cultural, destaca as músicas exclusivamente alemãs, com ênfase para o folclore alemão.
Atualmente com 216 famílias em seu quadro de associados, o 25 de Julho recebe todas as pessoas que tenham interesse em participar das atividades e a conhecer melhor a cultura germânica. “Todos são bem-vindos a integrar. Não precisam ser, necessariamente, descendentes de origem alemã”, pontua. De antemão, Maria Luiza também adianta que pretende seguir o trabalho feito por sua antecessora, Celi Durante, que presidiu a diretoria nos últimos quatro anos, por dois mandatos consecutivos.
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A conquista de mais visibilidade
Ao avaliar o período em que esteve à frente do Centro Cultural 25 de Julho, a ex-presidente Celi Durante destacou a conquista de mais visibilidade para a entidade. Segundo ela, isso foi possível pelo envolvimento em outros setores e pelo trabalho com projetos. Nesse aspecto, citou ter conseguido o reconhecimento do Centro Cultural 25 de Julho como Ponto de Cultura, em 5 de outubro de 2023. Na prática, significa a aptidão para pleitear recursos por meio de convênios e projetos com os governos estaduais, municipais e federal.
Outro motivo de comemoração nesse período foi a reforma de toda a área interna do salão de eventos, que também recebeu pintura, melhorias na iluminação e colocação de molduras temáticas, pintadas à mão, nas janelas e portas. Além disso, Celi igualmente enfatizou a importância do Centro Cultural como ponto de partida para a Oktoberfest. “Especialmente por dar suporte com informações para a montagem de projetos voltados à Lei Rouanet e Lei de Incentivo à Cultura – LIC, pela presença dos seus grupos de danças e também a realização dos jogos germânicos durante as edições da festa.
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Por que 25 de Julho?
O dia 25 de julho de 1824 marca a chegada dos imigrantes alemães no Brasil. Nessa data, um grupo de 39 pessoas chega ao Paço Municipal de São Leopoldo, a convite do governo imperial, para ocupar terras da Real Feitoria do Linho Cânhamo. Conforme lembra a professora de História e atual presidente do Centro Cultural 25 de Julho de Santa Cruz do Sul, Maria Luiza Rauber Schuster, a Real Feitoria produzia corda de navio e havia utilizado o trabalho escravo, porém o empreendimento imperial não deu certo e os imigrantes foram chamados para ocuparem a área. “A evolução deles foi tão visível que o então barão Duque de Caxias, depois da Revolução Farroupilha, envia uma carta para Dom Pedro dizendo estar impressionado com a organização e o progresso da região onde estavam esses imigrantes em São Leopoldo”, conta Maria Luiza.
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