Polícia

“Foi em um instante”: passageiros relatam momentos de tensão e medo em acidente fatal na RSC-287

Duas mulheres morreram e outras sete pessoas ficaram feridas em um acidente no início da manhã dessa terça-feira, 14, no quilômetro 95 da RSC-287, em Santa Cruz do Sul. A colisão entre um ônibus fretado e um caminhão aconteceu nas curvas de Pinheiral.

Segundo o Comando de Polícia Rodoviária da Brigada Militar (CPRv BM), o caminhão Volkswagen, com placas de Teutônia e conduzido por um homem de 37 anos, seguia no sentido Venâncio Aires–Santa Cruz do Sul. O ônibus Mercedes-Benz, emplacado em Cerro Branco e dirigido por um jovem de 24 anos, trafegava no sentido oposto.

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As passageiras que morreram viajavam nos assentos logo atrás do motorista, área que sofreu o maior impacto com a colisão. Elas foram identificadas como Marli da Silva Peres, de 54 anos, e Charlise Soares Struck, de 29 anos.

O acidente também deixou sete feridos – quatro mulheres e três homens –, todos ocupantes do coletivo. Eles foram socorridos e encaminhados ao Hospital Santa Cruz, onde receberam atendimento médico e foram liberados.

O ônibus havia partido de Butiá com destino a Venâncio Aires para transportar trabalhadores da Alliance One. Durante o resgate, foi necessário quebrar uma das janelas do veículo para retirar os passageiros, que posteriormente seguiram viagem em outro coletivo providenciado pela empresa.

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O tráfego na RSC-287 ficou totalmente bloqueado nos dois sentidos durante o trabalho das equipes de salvamento e da perícia técnica. Mais tarde, o fluxo fluiu em meia pista, no sistema “pare e siga”, sendo totalmente liberado por volta das 9h40.

A ocorrência mobilizou equipes da concessionária Rota de Santa Maria, Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Comando Rodoviário da Brigada Militar, da Polícia Civil e Instituto-Geral de Perícias (IGP).

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Em nota, a Alliance One Brasil manifestou profundo pesar pelo ocorrido. “Neste momento de dor, a empresa se solidariza profundamente e concentra todos os seus esforços no acolhimento às famílias e no suporte às pessoas envolvidas.”

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A Pablotur Viagens e Turismo publicou nota em suas redes sociais na qual expressou solidariedade com as famílias das vítimas e desejou a plena recuperação dos feridos. Além disso, informou que acompanha o caso e permanece à disposição para colaborar com as autoridades. “Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, o respeito à vida e a transparência, permanecendo unidos em pensamento e solidariedade às pessoas afetadas por este triste ocorrido”, diz a publicação.

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Atos fúnebres

O velório de Marli teve início na noite dessa terça, na Capela Funerária Leão. A cerimônia de despedida está prevista para as 9 horas desta quarta-feira, 15, seguida de sepultamento no Cemitério Municipal de Butiá. Ela deixa marido, filhos, netos, nora, genro, demais familiares e amigos.

Já os atos de despedida de Charlise também tiveram início nessa terça à noite, na Capela Municipal de Minas do Leão. O sepultamento dela está marcado para as 11 horas desta quarta, também no Cemitério Municipal. Ela deixa o marido, os pais e um irmão, além de demais familiares e amigos.

Charlise Soares Struk
Marli da Silva Peres

Trabalhadores foram assustados pelo impacto

Um misto de tensão, medo e preocupação. Esse era o sentimento dos trabalhadores que estavam no ônibus. Os relatos foram compartilhados com exclusividade à Gazeta do Sul logo após as vítimas receberem os primeiros atendimentos.

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Uma das passageiras, Roberta Silva, de 55 anos, contou que, pouco antes do acidente, havia acordado e notado que a neblina estava densa. “Puxei a coberta, voltei a dormir. Senti o ônibus tremer e ouvi som da batida”, afirmou.

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Ao despertar, a moradora de Butiá estava com o corpo na escada do veículo e sentiu pedaços de madeira caindo sobre ela. “Foi horrível.” Roberta lembra que, logo em seguida, sentiu um rapaz que havia parado para prestar socorro tocar em suas pernas e dizer: “Está viva”.

Ainda sem entender o que ocorrera, ela foi retirada e levada para outro ônibus. Na hora, não conseguiu avisar a família. Quando sua filha soube do acidente horas mais tarde, veio até Santa Cruz para acompanhá-la.

Segundo a passageira, a viagem para Venâncio Aires começou por volta das 4h15, rotina que mantinha desde que começara a trabalhar na empresa, há cerca de seis meses. “Agora, fica aquele sentimento de vazio, pois perdemos duas colegas. Éramos amigas. Vai ser uma despedida muito difícil.”

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Ainda assustados, outros trabalhadores buscavam informações sobre as causas do acidente. Uma das ocupantes era Betina Santos Garcia, de 33 anos. Após ser liberada para retornar para casa, ela disse que chegou a conversar com a jovem que faleceu. “Quando vimos, a madeira da lateral do caminhão entrou no ônibus. Bati com o rosto no banco da frente”, lembrou.

Ela acredita que, com o impacto, desmaiou e recuperou os sentidos quando uma colega a chamou. “Pedimos que alguém socorresse a colega que faleceu. Começamos a nos ajudar. Ela ainda estava respirando.”

Em meio ao cenário, pessoas que viajavam em outro ônibus vindo de Cachoeira do Sul uniram-se ao grupo para auxiliar. Segundo Betina, foi necessário quebrar as janelas para que pudessem sair e receber o atendimento.

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“Nunca mais vou esquecer”

Embora tivessem apenas lesões aparentemente leves, a sensação no grupo era de angústia pelos desdobramentos do caso. Enquanto isso, alguns faziam contato com familiares para relatar o ocorrido. “Não quero mais entrar em ônibus depois disso”, desabafou Betina.

Os passageiros contaram ainda que a maior parte deles viajava em assentos posicionados na metade do coletivo. As duas mulheres que morreram estariam mais à frente.

“Estou toda dolorida.” Foi com essa afirmação, seguida de um “estamos bem”, que Roberta tranquilizou uma amiga ao telefone. “Foi em um instante. Nunca mais vou esquecer”, acrescentou a mulher, que estava na primeira fileira. À medida que o tempo passava, ela recordava que, recentemente, havia decidido sentar-se em outra ala de poltronas por considerar mais seguro. Nessa terça, após o episódio, dizia ter convicção de que a mudança feita há um mês ajudou-a a escapar apenas com ferimentos leves.

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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