Foto: Marcello Casal Jr Agência Brasil
Um levantamento da Serasa, feito em novembro de 2022, revelou que 61% dos entrevistados viveram ou vivem a sensação de “crise e ansiedade” ao pensar nas próprias dívidas. Outro estudo, mais recente, da mesma empresa, mostrou que 84% dos brasileiros relatam que o aperto financeiro prejudica diretamente a saúde mental.
Por vários motivos, o Brasil já é o país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E quando cruza ansiedade com dinheiro, o quadro se torna ainda mais preocupante. Cerca de 70% dos brasileiros já perderam o sono por causa de dívidas, conforme levantamento da Serasa. Isso que 65% afirmam se esforçar para esconder as próprias dificuldades.
A ansiedade financeira vai além das dívidas. Para parte da população, o fim do mês deixou de ser apenas uma virada no calendário. Prazos vencidos, contas e prestações a pagar formam um estado permanente de tensão em torno do dinheiro para a maioria dos brasileiros. Essa pressão constante se chama ansiedade financeira que afeta o humor, o sono, o corpo e as relações.
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A sensação permanente de insegurança financeira deixou de ser apenas uma questão pessoal. Ela impacta diretamente o ambiente de trabalho nos resultados, na presença da pessoa, na entrega e no rendimento do dia a dia. A preocupação constante com dinheiro impõe ao cérebro uma carga diária que reduz a concentração, compromete a tomada de decisões e derruba a sensação de bem-estar.
A ansiedade financeira não é decorrente apenas de quem está com dívidas. Pesquisas recentes mostram que milhões de brasileiros com renda estável também vivem sob pressão constante. Isso acontece não por falta de dinheiro, mas por falta de previsão.
Para a geração que hoje tem entre 20 e 30 anos, o peso da ansiedade está mais presente. Crescer em um mundo digitalmente acelerado, com comparação constante nas redes sociais e sem educação financeira na escola, criou uma geração que sabe o valor do dinheiro e o que é possível fazer com ele, mas tem muito medo de não conseguir o necessário ou suficiente para atender às suas necessidades ou a simples desejos.
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Já para quem tem renda variável – autônomos, freelancers e pequenos empreendedores – enfrenta a insegurança financeira de forma ainda mais intensa. Para esse grupo, a variação de renda é estrutural e o risco de organizar a vida com base na média é alto. Um erro comum é tomar a média anual da renda e montar o padrão de vida com base nessa média. O problema é que a pessoa pode ganhar bem em alguns meses e pouco em outros, sendo necessário cobrir os meses de renda baixa com empréstimos. A recomendação é organizar o padrão de vida com base na menor renda recorrente.
A insegurança financeira ou ansiedade tem uma causa mais frequente e menos percebida: a ausência do planejamento sobre gastos que já fazem parte da vida das pessoas e famílias. Tudo certo em prever, no orçamento, a prestação da casa ou do apartamento, do carro; as contas de luz, de água, do condomínio, do mercado, etc. Mas, e o IPTU do imóvel, o IPVA do carro, o material escolar, as férias? São despesas que se repetem todos os anos, mas apenas em alguns meses, e acabam não sendo previstas, gerando preocupação e ansiedade.
A ansiedade financeira costuma cobrar um custo alto, no corpo e nas relações. Na prática, se manifesta pelo medo, pressão, comparação, insegurança e até dificuldade para encarar a própria realidade. As pessoas evitam olhar o extrato bancário, a fatura do cartão de crédito ou organizar as contas porque isso as obriga a encarar escolhas, excessos, erros e responsabilidades. Nos relacionamentos, é mais fácil brigar por algo visível – a toalha de banho molhada, em cima da cama, por exemplo –, e o problema do dinheiro, muitas vezes fica escondido, diluído na fatura do cartão, no extrato bancário, nas parcelas e nas expectativas que não foram combinadas.
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O caminho para reduzir a ansiedade e insegurança financeira começa pela organização básica. Antes de pensar em reserva para imprevistos ou até na montagem de um orçamento, é fazer um diagnóstico: saber quanto ganha, quanto e em que gasta, o que possui, quais as prioridades, em que fase da vida está, quais as responsabilidades consegue atender hoje. Parecem questões simples, mas que exigem honestidade consigo mesmo.
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