Cultivo natural: Wolff exibe parte do que produz na chácara de 2,9 hectares em Picada Karnopp, interior de Candelária
No galpão improvisado como morada em Picada Karnopp, interior de Candelária, Waldir Wolff, 63 anos, exibe uma bandeja repleta de frutos cultivados na propriedade. Integram a composição pêssegos, castanhas portuguesas, maracujás silvestres e uvas, oriundos de cultivo natural, sem tratamento ou adubação química.
Na chácara de 2,9 hectares, cercada pelos contornos montanhosos da região, o produtor também cultiva pitaya, guabiju, laranja, goiaba e amora silvestre, entre outros. Mas o carro-chefe da produção são as quatro variedades de kiwi que preenchem as parreiras da plantação. Com acidez acima de 6,5, as variedades Precoce, Golden, Monty e Helmutt têm previsão de colheita no início de março, mas tudo depende de fatores climáticos.
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O kiwi é uma espécie nativa da China, que combina sabor adocicado e ácido, com propriedades que envolvem a regulação do sono – a partir da serotonina –, ação antioxidante, absorção de ferro e controle do colesterol. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar no início de janeiro, diversos órgãos de pesquisa e instituições privadas e públicas, além da própria Emater, têm incentivado a produção de kiwi no Estado. O cultivo surge como alternativa para diversificação de culturas e geração de renda para os produtores.
Na safra deste ano, o fruto cultivado por Wolff foi beneficiado pelo clima frio. “Esse talvez foi o fator mais importante, já que ele gosta de frio. E eu já venho há tempos tentando ampliar a produção”, diz. Em 2026, a estimativa de colheita na propriedade é de 1,5 tonelada. A produção precisou de um tempo para se estabelecer, com os primeiros pés levando cerca de nove anos para um volume significativo.
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A venda do fruto envolve clientes de diferentes regiões, como Santa Cruz do Sul, Sobradinho, Arroio do Tigre, Salto do Jacuí, Cruz Alta, Santo Ângelo, Santa Maria, Alto Uruguai e Fronteira. A maioria faz pedidos via WhatsApp, retira a mercadoria na propriedade e pagam via Pix ou com dinheiro. “É tudo voltado para a rodovia. O dinheiro passa ali na frente”, brinca.
Waldir Wolff tem planos de expandir as vendas, já que a burocracia para os produtores tem sido facilitada. Quer montar um auto service na frente da propriedade. A ideia é que consumidores interessados em adquirir os frutos possam realizar a compra sem necessidade de intermediários. “Quero fazer um cadastro para as pessoas e, se eu não estiver, elas têm o acesso ao espaço.”
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O desafio, no momento, é o selo de rastreabilidade para vender em grandes mercados. “Para encaixar nos mercados, tu precisa dele. Ou você contrata um escritório e paga mensalmente para prestarem esse serviço”, explica.
O produtor já explorou diferentes frentes de atuação. Trabalhou no comércio e foi gerente de empresas de transporte e dono de restaurante. Hoje não tem pretensão de sair da propriedade, motivado, especialmente, pela boa safra de kiwi. E aconselha os interessados em investir no cultivo. “Não tem garantia”, alerta, já que cada safra depende do comportamento do clima, ano após ano.
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Em uma árvore plantada há mais de 20 anos, as lichias colorem de vermelho a propriedade de Fernando Gilberto Fredrich, 62, em Rio Pardinho. Nativas da China, onde são cultivadas em clima semelhante ao da região, as lichias de Fernando brotam desde o quinto ano de cultivo.
Ao contrário de Waldir Wolff, Fredrich investe no plantio apenas para consumo da família. “Como é um pomar doméstico, não há pressão por produção. Então, num ano bom como este, estimo colher em torno de 200 quilos”, destaca. Apesar do cultivo em menor escala, o bancário aposentado investiu na diversificação.
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A produção também inclui culturas como pitaya, acerola, jaboticaba, uva, araçá, goiaba, pitanga, gabiroba, cereja do Rio Grande, butiá e tucum (espécie de palmeira anã). Todas têm uma ou duas safras, desde a primavera até o início do outono.
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