Querido Rafi,

Não é de se espantar que nossas filhas falem idiomas estrangeiros melhor que nós, afinal, tiveram a oportunidade de começar mais cedo no inglês, no alemão e no espanhol. Eu mesmo sempre brinco que falo “portuñol”, ao que meus clientes em Madrid logo oferecem gentilmente o inglês como saída honrosa para mim, numa conversa.

Melhor assim para todos.

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Interessantíssima tua teoria sobre os modelos de germanidade; posso afirmar que na Alemanha o único dos dois modelos que o pessoal consegue compreender é o dito pragmático. Sempre que eu quis levantar alguma lebre do tipo “a minha vó Ludi fazia cucas ótimas por causa de suas raízes alemãs”, só recebi olhares curiosos em retorno, como se eu fosse uma espécie de experimento falho dessa fusão germanobrasileira (assumo a responsabilidade pelo termo).

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Observo frequentemente que os alemães não apenas querem manter distância desse modelo nostálgico, como a fome por trocas de ideias, intercâmbios e parcerias, em diversas dimensões, como nos negócios e na cultura, é grande. Claro que, mesmo no modelo pragmático, a comparação entre as duas culturas é às vezes inevitável, mas a boa notícia é que os alemães mais jovens já entendem que o Brasil não é somente calor, carnaval e futebol, percebem que há espaço e oportunidades de se realizar bons negócios e alianças duradouras. Por outro lado, a falta de seriedade (e competência?) na gestão pública no Brasil é algo que infelizmente eles também enxergam. E te respondendo: sim, na Alemanha, assim como aí, também há os ditos hubs de inovação.

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Aliás, um ótimo quebra-gelo a ser usado com alemães é discorrer sobre as semelhanças entre os dois países. Eu quase sempre começo o papo com uma referência aos verões que, aqui, estão a cada ano mais causticantes (ou eu estou mais velho e menos tolerante ao calor). Não falha nunca. Verdade seja dita: depois da Hitzewelle que está fazendo esta semana em Frankfurt – da qual eu escapei furtivamente para uma semana de férias em Portugal – a Alemanha entrou definitivamente para a lista de países tropicais.

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Um aparte: isso me faz recordar, na nossa infância, dos verões em que saíamos de um calor insuportável em São Leopoldo para visitar a vó em Santa Cruz, e a encontrávamos em casa sob uma temperatura ainda maior. Ela logo se antecipava em defesa da sua cidade e alegava que o calor era bom para as uvas. Aliás, para a vó, nenhuma outra cidade era páreo para sua amada Santa Cruz, muito menos São Leo. A única vez em que escutei ela falar algo remotamente positivo sobre a região onde morávamos foi quando – numa das vezes em que ela estava cuidando da gente enquanto o pai e a mãe viajavam de férias – em uma ida ao supermercado ela falou que as maçãs estavam bonitas… mas complementando logo em seguida que isso era porque as frutas vinham de Santa Cruz!

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Seja como for, em Frankfurt, Porto Alegre, München ou São Paulo, o fato é que a inovação só é efetiva se houver consequência. Na medida em que polos de inovação sejam agentes de fomento da transformação desta em algo aplicável, é esse o caminho; do contrário, concordo contigo, é só barulho. Algo que nós brasileiros infelizmente somos bons em fazer… mas isso é papo para uma próxima.

Grande abraço, viele Grüße und bis nächste Woche, lieber Bruder!

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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