Outro dia viajei a Porto Alegre, de ônibus (não me arrisco mais a dirigir na Capital), e solicitei o serviço de um táxi. Entre uma tranqueira e outra ao longo do percurso, conversamos sobre banalidades, tempo, trânsito, essas coisas, até que o motora me perguntou: “De onde você vem?”

“De Santa Cruz do Sul” – respondi, sem dissimular algum orgulho. “Sei, já conduzi muita gente de lá e só ouço falar bem. Cidade rica – me dizem–, tem várias indústrias de fumo (tabaco! – corrigi) e é lá que tem aquela igreja maravilhosa, não é?”

Concordei prontamente. “Você tem que conhecer! – avisei. – Ela é impressionante, inimaginável se retrocedermos ao tempo em que este monumento foi erguido.”

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Trago essa menção particular à “igreja maravilhosa” porque soube dos projetos para transformar a nossa Catedral São João Batista em complexo histórico, cultural e turístico.

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Até que enfim! Espero que essa proposta evolua e nos faça compreender que temos um patrimônio com potencial incalculável à nossa disposição, mas que precisa ser trabalhado, potencializado do ponto de vista turístico.

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Ouço falar em circuito de visitação pelas torres, implantação de museu, espaço para degustar um café, para gastronomia, loja de souvenirs, além de estacionamento nos fundos da igreja e em frente ao Hospital Santa Cruz, já em fase de implantação.

Tudo maravilhoso, um sonho que já foi de muita gente em passado recente, inclusive das principais lideranças da cidade. Não aconteceu, mas a semente foi colocada.

A título de contribuição, menciono uma experiência que tive em Nova York, em visita à icônica catedral neogótica Saint Patrick. Encravada em meio a um conjunto de prédios da Quinta Avenida, ela arrebata a atenção dos visitantes por sua arquitetura e imponência.

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Mas confesso que, mais do que o esplendor, a grandiosidade (espaço para 2.400 pessoas), o que me marcou foi a sonorização durante toda a visita. Eles se valem da arquitetura gótica para oferecer uma experiência sonora de órgãos de tubos que eleva a alma e magnetiza sentimentos.

Por que não pensamos em fazer algo semelhante? Nossa Catedral é magnífica, está aberta a visitação durante o dia, agora bem iluminada e adornada com lustres que impressionam, com boa sonorização, mas poderia ser ainda mais arrebatadora para os visitantes e aos que vão orar ou simplesmente buscar um momento de paz se fossem acolhidos ao som de uma suave música.

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Imagine uma trilha sonora que eleve o espírito à reflexão, que acalme o coração, que conecte a fé, quem sabe o vazio existencial, a angústia, o sofrimento pessoal, à ternura de um aconchego espiritual através da arte musical.

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Acho que estamos no caminho: Santa Cruz do Sul tem indústrias, que oferecem empregos, geram riqueza, movimentam a economia. Tem universidade, uma diversidade de eventos, farta gastronomia, serviços de toda ordem. Outras cidades também têm seus atrativos, alguém dirá.

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É verdade. Mas só Santa Cruz do Sul tem a mais bela, grandiosa e majestosa Catedral do Estado, quem sabe do País! Este é o nosso diferencial, nossa referência, o carimbo desta cidade. Mais do que deslumbrar e impressionar por sua grandiosidade e pela riqueza arquitetônica, ela precisa ser acolhedora, reverberar nos corações dos visitantes uma experiência que não se apaga, que se leva para a vida.

Aposto: a implementação de um entorno cultural, histórico e religioso junto à Catedral definitivamente elevará Santa Cruz do Sul a um novo patamar nos circuitos turísticos do País.

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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