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ROMEU NEUMANN

Ponto a ponto

Aplausos para a campanha lançada pela Prefeitura de Santa Cruz do Sul e pelo Ministério Público do Estado que incentiva a separação dos resíduos e a coleta seletiva. Faz anos que já incorporamos esta prática em nossa casa. Lixo orgânico em um recipiente, descarte reciclável em outro. Muito simples, sem problemas.

Por que, então, todo mundo não adere a uma prática tão fácil? Ah bom, aí entramos nas variáveis. E são várias. Tem uma grande turma que quer saber qual a vantagem que vai ter em separar os resíduos em duas sacolas. “O que ganho com isso? Que se virem eles” (os que recolhem o lixo)! – devem pensar.

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Outros até fazem a separação como recomendado, mas os horários de recolhimento pelo caminhão são escassos e, para muitos, não se ajustam à rotina familiar. No final, as sacolas se misturam aos rejeitos orgânicos e tudo vai para a mesma caçamba. Esforço inútil.

Mas há uma terceira questão a considerar, talvez tão ou mais importante que as demais: a desproporcional disponibilidade de contêineres nas ruas para os resíduos orgânicos e os recicláveis. Eu aproveito alguma saída ao supermercado, à farmácia, ao banco para fazer o descarte correto. Ando no mínimo um quilômetro para achar um contêiner laranja, adequado para receber resíduos recicláveis.
Não haverá nada que convença as pessoas a aderirem e incorporarem uma consciência em favor do descarte correto se não se proporcionarem condições para que este processo seja, de alguma forma, facilitado.

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Vamos exemplificar: ao longo de toda a extensão da Rua Coronel Oscar Jost contei 16 contêineres de cor cinza. Não há um único de cor laranja para o descarte dos recicláveis. Na São José, uma das mais longas ruas da cidade, a situação se repete. Somei 15 caçambas cinzas, algumas amontoadas, nenhuma laranja. Não faz sentido. O que esperam que os moradores dessas áreas façam? Que carreguem seus descartes por cinco ou dez quadras para “fazerem a coisa certa”? Dá para rever esta logística. As pessoas já estão convidadas a fazerem o manejo correto de seus rejeitos. Por que não facilitar?

Quem também precisa rever seus critérios é o técnico da Seleção Brasileira. A contar pelo que vimos no jogo de estreia, o Brasil será descartado logo, logo do certame, sem perspectiva de reciclagem.
Com um goleiro que “chama” gol, uma defesa insegura e que vaza em todos os jogos, um meio que troteia em campo, que não defende e nem arma jogadas e um ataque peladeiro, somos sérios candidatos a um novo fiasco. Deus nos livre de outra vergonha semelhante ao 7 a 1 que levamos da Alemanha.

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Pior: a imprensa que está lá, a “nossa” imprensa, bem doutrinada, faz de conta que está tudo bem. Credita o tropeço da estreia ao nervosismo, como se essa coisa não existisse do outro lado. Fala sério: quem deveria estar apreensivo? Os brasileiros, que vestem uma camisa com cinco estrelas no peito, ou os marroquinos, valentes e competentes, sim, mas ainda principiantes nesta arena da fama? Menos mal: agora já não somos os únicos a levar um 7 a 1 da Alemanha. A seleção de Curaçau (obrigado pela solidariedade!) também vai carregar este fardo pra casa. E pra sua história.

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