Caravanas de diversos municípios se fazem presentes no ato
O desejo pela valorização do tabaco durante a comercialização da safra 2025/2026 levou centenas de agricultores, vindos de diferentes regiões do Estado, a participarem de um ato de protesto nesta segunda-feira, 25, em Santa Cruz do Sul. A mobilização, organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), iniciou pela manhã, em frente ao Parque da Oktoberfest, e segue ao longo do dia.
A principal demanda é o pagamento de preços justos pelo produto, situação que tem provocado entraves na comercialização da atual safra. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares Santa Cruz e Região, Sérgio Reis, um dos organizadores da ação, afirma que o trabalho do produtor não está sendo valorizado. “Hoje não está sendo balizada a qualidade. Está sendo baixada a média geral de compra a cada semana, desde o início da safra, então não tem justificativa para isso. Hoje nós precisamos que retorne a valorização da qualidade do produto”, defende.
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O evento conta com um palanque aberto para os produtores apresentarem suas angústias e situações que têm passado em relação à safra do tabaco. No fim da manhã, os participantes fazem uma caminhada pelo Centro, passando pelas ruas Marechal Deodoro, Ramiro Barcelos e Marechal Floriano levando mensagens em defesa da valorização do produto.
Também serão realizadas reuniões com empresas e o SindiTabaco para levar as demandas dos agricultores. A programação tem a participação de caravanas de produtores vindas de municípios como Venâncio Aires, Vale do Sol, Vera Cruz, Sinimbu e Cerro Branco.
Entre os produtores presentes na mobilização, o sentimento é de indignação com a atual situação da produção do tabaco. A dirigente sindical e agricultora Suele Keller, de Venâncio Aires, afirma que se trata de uma cultura complexa, visto que exige altos custos e atenção.
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“Na hora de comercializar o nosso produto, ele está sendo desvalorizado. Desmerece também o nosso trabalho, que é árduo, no sol ou chuva. E a saúde, muitas vezes, é prejudicada com o trabalho árduo”, relata. “Com a desvalorização, a gente acaba não tendo retorno financeiro, o que acaba dificultando a continuação na propriedade”, completa a agricultora.
Já Silvério Luiz Weber, que trabalha na produção de tabaco em Linha João Alves, em Santa Cruz do Sul, afirma que a classificação do tabaco neste ano está muito rigorosa, mesmo com o produto apresentando boa qualidade. “Estão pagando muito abaixo da classe. Aí é uma preocupação para quem lida com o dia a dia no campo. É um ano bem complicado”, avalia.
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Segundo a Fetag-RS, a mobilização desta segunda-feira ocorre após uma série de reuniões, articulações e agendas realizadas nos últimos meses pelas organizações representativas, incluindo encontros em Brasília, na busca por soluções para os desafios enfrentados pelos produtores de tabaco. Relatos de fumicultores sobre dificuldades percebidas na venda do produto na atual safra também motivaram o ato.
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Os entraves na comercialização do tabaco também motivaram outras manifestações de entidades representativas. Na última segunda-feira, 18, a sede da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), em Santa Cruz do Sul, recebeu uma reunião extraordinária do Fórum Nacional da Integração (Foniagro). Com participação da Comissão Representativa dos Fumicultores, SindiTabaco e empresas fumageiras, o encontro cobrou respostas sobre a comercialização do produto e buscou mudanças para dar mais transparência, equilíbrio e segurança ao processo de compra da safra.
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Na semana anterior, o SindiTabaco já havia se manifestado sobre as discussões e defendido que qualquer mudança ou futura discussão sobre modelos de negociação de preços na cadeia produtiva depende, obrigatoriamente, de uma manifestação formal e análise técnica do órgão antitruste oficial brasileiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O posicionamento sinaliza uma blindagem jurídica da indústria contra tentativas de tabelamento ou negociações coletivas de preços fora dos âmbitos validados pela legislação concorrencial.
Colaborou John Kaercher Machado
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