Prisão inusitada de um arrombador que vinha apavorando a cidade foi destaque na Gazeta do Sul na década de 1960
As antigas edições da Gazeta do Sul nos trazem informações relevantes e outras pitorescas (geralmente com uma pitada de humor). É o caso da notícia da prisão de um audacioso ladrão que foi parar atrás das grades graças ao alerta dado pelo cãozinho Mequi, da raça pequinês.
Na madrugada fria de 5 de agosto de 1966, o casal Martha e Egon Gressler acordou com os latidos furiosos do Mequi, de quatro meses. Ao conferir o que estava ocorrendo, depararam-se com a janela da cozinha aberta. Os dois começaram a gritar por socorro e foram ouvidos por três brigadianos que chegaram escoltando um malandro.
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Eles correram até a casa para conferir o que estava acontecendo e dona Martha logo viu que o preso era o arrombador da residência. “Esse é o ladrão. Olha o meu chapéu na cabeça dele!”. Tratava-se de um chapeuzinho verde, modelo calhambeque (do tempo da Jovem Guarda!) que ela usava quando ia lidar no jardim.
O homem foi identificado como Antônio Machado. Os soldados, que estavam em patrulhamento nas redondezas do Parque da Fenaf (Oktoberfest), contaram que Antônio dobrou a esquina da Tiradentes com a Galvão Costa e se deparou com eles. E ainda tentou despistar, perguntando: “Vocês não viram um cara correndo por aqui? Vamos atrás dele.” Os brigadianos, que “não dormiam de touca”, deram a resposta: “Só quem tá correndo aqui é tu. Teje preso!”
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Com o “malandro sem sorte” foi encontrado um formão e uma pua, que seu Egon guardava na lavanderia. Depois de comer uma dúzia de bergamotas e trocar o seu chapéu velho pelo “calhambeque” de dona Martha, arrombou a casa para fazer a limpa. Graças ao Mequi, nada chegou a ser roubado.
Depois de passar a noite no xadrez, ele foi apresentado na Delegacia de Polícia. Machado, de 36 anos, tinha escapado do presídio de Porto Alegre. Lá, fez amizade com um homem conhecido como Osvaldo Lucas, que disse que roubar em Santa Cruz era barbada, pois muitos não chaveavam as portas e dormiam de janela aberta.
A prisão virou assunto na cidade. Arrombamentos de casas e lojas, com furtos de dinheiro, joias, relógios e outros objetos de valor, foram esclarecidos com a ajuda de um pequinês.
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