Santa Cruz do Sul

Moradoras de Santa Cruz entregam projeto de replantio de extremosas

Quem caminha pelas ruas de Santa Cruz do Sul se encanta com as árvores floridas em tons de rosa, roxo, branco e vermelho. As extremosas, também conhecidas como árvores-de-júpiter, colorem o perímetro urbano, especialmente na área Central.

Ao mesmo tempo, o manejo e a preservação da espécie têm sido desconsiderados. É o que se observa nos diversos pontos onde o plantio ou reposição das árvores se faz necessário. Preocupadas com a redução gradual da arborização urbana e o aumento do calor, duas moradoras santa-cruzenses elaboraram uma proposta de replantio de extremosas, árvore símbolo do município, a partir de um levantamento feito integralmente a pé, ao longo de 2024.

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Motivadas pela memória de um Centro outrora mais arborizado e determinadas a contribuir com a comunidade – sem envolvimento político, conforme enfatizam –, as aposentadas Virginia Miller, 60 anos, e Beatriz Schneider, 58, apresentaram o projeto ao prefeito em exercício, Alex Knak. O documento, entregue em 16 de dezembro, traz um levantamento de 1.187 locais de onde foram extraídas árvores de diferentes espécies e que podem receber novas mudas de extremosas.

Beatriz e Virginia: memória de uma época em que Santa Cruz tinha mais árvores

A ideia de fazer o mapeamento, que começou no início do ano passado, surgiu das caminhadas que as amigas realizam diariamente pelas ruas do Centro, onde residem desde que nasceram. “Isso apareceu das nossas caminhadas pela cidade. A gente tem uma história, uma memória afetiva, e percebemos como já foi mais arborizado o Centro”, afirmou Virginia.

Durante o levantamento, foram identificados canteiros suprimidos, espaços vazios e lugares onde hoje há apenas arbustos ou nenhum tipo de arborização. Todo o trabalho, desde o registro fotográfico até a organização das planilhas, foi realizado apenas pelas duas proponentes.

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Após extensas leituras sobre urbanização e árvores, além de conversas com outros moradores que compartilham a memória de uma Santa Cruz mais verde, elas buscaram orientação formal. Antes de entregar o projeto à Prefeitura, Beatriz e Virginia procuraram orientação jurídica junto ao promotor Érico Barin, para garantir que a iniciativa fosse conduzida de forma correta. “A gente tinha receio de errar, porque somos só cidadãs. Mas ele nos orientou e apoiou, disse que temos esse direito”, conta Beatriz.

Após concluído o mapeamento, o projeto foi entregue ao Ministério Público e à Prefeitura. De acordo com as duas amigas, o material foi bem recebido – o prefeito em exercício, Alex Knak, considerou o trabalho importante e afirmou que iria analisá-lo com carinho. O projeto também foi protocolado oficialmente, o que permite seu acompanhamento administrativo. Consultado pela Gazeta do Sul, Knak afirmou que o assunto ainda não foi tratado com a secretária municipal de Meio Ambiente, Prissila Bordignon.

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Flor é considerada símbolo do município

A escolha da extremosa não foi aleatória. Além de ser a flor símbolo de Santa Cruz do Sul, conforme a lei 1.452, de 18 de abril de 1972, a espécie apresenta características consideradas ideais para o ambiente urbano. Tem raízes menos agressivas às calçadas, copa frondosa, boa adaptação ao calor e menor interferência na rede elétrica. As amigas Beatriz e Virginia destacam que é uma árvore bonita e resistente e melhora muito a caminhada pela cidade.

Embora o foco inicial seja o Bairro Centro, as autoras reconhecem que a proposta pode ser ampliada futuramente para outras regiões e novos loteamentos que hoje apresentam pouca ou nenhuma arborização. “A gente precisava começar por algum lugar. O Centro foi onde a cidade cresceu primeiro e ali a retirada de árvores é mais visível”, explica Beatriz.

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Para além da estética, o projeto destaca benefícios ambientais e sociais. Entre eles, a redução das ilhas de calor, melhoria da qualidade do ar, atração de polinizadores, incentivo ao caminhar e até impacto positivo no comércio. Para elas, uma cidade mais arborizada é mais agradável para todo mundo, incluindo moradores, lojistas e visitantes.

Conscientes de que se trata de uma iniciativa de longo prazo, as proponentes reforçam que o objetivo agora é abrir uma discussão qualificada sobre o futuro urbano de Santa Cruz do Sul. “Isso não é político. É um projeto de cidadãs para a comunidade, pensando em saúde, bem-estar e na cidade que queremos ver daqui a alguns anos”, afirma Beatriz.

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carolina.appel

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