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Moradores pedem agilidade para a conclusão de obras em Sinimbu

Dois anos após a maior enchente da história do Rio Grande do Sul, moradores de Sinimbu ainda enfrentam percalços oriundos da catástrofe. Nessa quinta-feira, 30, empresários, líderes políticos e representantes de comunidades do interior se reuniram na Rua General Flores da Cunha, na cabeceira da Ponte Centenário, que liga o centro da cidade a localidades como Linha Verão, Rio Pequeno e Linha Almeida.

O objetivo foi cobrar respostas e pressionar a FG Construções, de Tapera, pela conclusão da estrutura, que é considerada estratégica para a circulação dos moradores e escoamento da produção agrícola. Iniciada em maio de 2025, a obra estava prevista para novembro do ano passado, mas o prazo foi descumprido. Diante do atraso, aditivos foram incorporados ao contrato entre a empreiteira e a prefeitura.

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O projeto, desenvolvido em parceria entre o Executivo e a JTI, prevê investimento de R$ 1,609 milhão. No momento, os trabalhos se concentram na cabeceira do lado de Linha Verão, onde uma terceirizada instala cortinas de proteção. Ainda resta finalizar parte da cabeceira e a passarela de pedestres.

O prefeito Wilson Molz explica que um novo cronograma divulgado nesta semana pela companhia prevê o término dos serviços em até dois meses. “Infelizmente, a situação é essa. A empresa tem nos deixado em uma posição difícil; já foi notificada várias vezes e multada. O Ministério Público está nos auxiliando na discussão, mas não conseguimos fazer com que ela trabalhe, e falta muito pouco para estar pronto”, lamentou.

Wilson Molz: “A empresa tem nos deixado em uma posição difícil; já foi notificada várias vezes e multada. O Ministério Público está nos auxiliando na discussão.”

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Ele acrescentou que o projeto finalizado será um diferencial para o município. “É um projeto muito bonito. Quando ficar pronto, será um cartão-postal da cidade, com iluminação, caminhódromo lateral e outras melhorias.” Entre os participantes do ato, o sentimento é de expectativa. Entre as falas, também era possível perceber que a comunidade ainda tenta se recuperar da catástrofe ambiental.

Previsão atual é de que a Ponte Centenário seja concluída em até dois meses

Rotas alternativas

O empresário Jair Fritsch, de 44 anos, mora na localidade de Linha Verão, a cerca de 900 metros do local. Como seu comércio fica na área central, ele precisa atravessar o Rio Pardinho até duas vezes por dia. Desde a enchente, utiliza acessos provisórios de chão batido. Um dos desvios aumenta o trajeto em dez quilômetros; o outro é uma galeria que, em caso de chuva intensa, fica submersa ou é levada pela correnteza.

Jair Fritsch: “Nossos clientes também têm dificuldade de vir até o centro da cidade. Por isso, acabam indo para as cidades vizinhas e não compram mais no comércio local.”

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“Nosso comércio foi totalmente destruído e perdemos praticamente toda a mercadoria. A partir daí começaram as dificuldades, principalmente de locomoção. Não só para nós, mas para os clientes, que deixam de vir ao Centro e acabam comprando em cidades vizinhas”, relatou Fritsch. Além das estradas de terra, pedestres podem utilizar uma ponte pênsil próxima à Centenário, que, segundo relatos, está em precárias condições.

Outras pendências

O presidente da Câmara de Vereadores, Elor Sackser, que também reside do outro lado do Rio Pardinho, salienta que, além da indignação com a demora na Ponte Centenário, há preocupação com as demais travessias cujas licitações foram vencidas pela mesma organização.

Elor Sackser: “O que preocupa é que essa empresa acabou ganhando mais três licitações no nosso município.”

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“O que preocupa é que essa empresa ganhou mais três licitações de pontilhões no município. Eles não conseguem terminar a cabeceira de uma obra e ainda temos os projetos da Casc, do Gamelão e da Inverno. São três comunidades que necessitam dessas passagens, mas hoje não temos mais nem recurso para esses trabalhos”, afirma.

Organizador da mobilização, Eunísio Vitalis ressaltou a união da comunidade na cobrança por agilidade. “É hora de os envolvidos erguerem as mãos e ajudarem o povo de Sinimbu nesta reconstrução. Vamos ficar vigilantes, pois já se passaram dois anos dessa tragédia e, infelizmente, pouco foi feito. A palavra do momento é persistência.”

Eunísio Vitalis: “É hora de os envolvidos erguerem as mãos e ajudarem o povo de Sinimbu a fazer essa reconstrução.”

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Vanessa Behling

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