Precariedade compromete o escoamento da produção e encarece a logística | Foto: Alceu Cidimar França Alves/Divulgação
Moradores de Lagoão e Segredo fazem uma mobilização nesta sexta-feira, 3, em frente à sede do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), em Porto Alegre. O objetivo do grupo “SOS Segredo a Lagoão” é cobrar a retomada das obras de pavimentação da ERS-347 e melhorias emergenciais no trecho de chão batido. A rodovia, que liga os dois municípios, está com os trabalhos paralisados, causando indignação na comunidade devido à precariedade da pista.
Os manifestantes apontam contradições nas justificativas para a interrupção das atividades, há mais de cem dias. Segundo os organizadores, o Daer alegou que a paralisação decorre de uma redefinição interna de funções na empresa Dalfovo, responsável pela execução, e negou pendências financeiras. Mas representantes da empreiteira relataram atrasos nos pagamentos por parte do Estado. O grupo tentou agendar uma audiência com a autarquia para esclarecer a situação, mas ainda não obteve retorno.
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A viagem até Porto Alegre é realizada em dois ônibus, que partiram de Lagoão às 4 horas da manhã, com mais de cem representantes da comunidade. O custo do transporte foi integralmente financiado com doações dos próprios integrantes do movimento. De acordo com um dos líderes do grupo, Alceu Cidimar França Alves, o protesto visa demonstrar formalmente o descontentamento da população aos órgãos públicos e exigir um cronograma claro para o retorno das máquinas ao trecho.
Atualmente, Lagoão figura como um dos dois últimos municípios da região Centro-Serra que ainda não dispõem de acesso asfáltico – o outro é Tunas. A falta de pavimentação compromete o escoamento da produção agrícola regional, fortemente baseada no cultivo de tabaco e soja, além de encarecer o custo logístico e dificultar o deslocamento de moradores para serviços básicos de saúde e educação em municípios vizinhos.
A pavimentação dos 25,6 quilômetros da ERS-347 foi autorizada em dezembro de 2022, com início efetivo dos trabalhos em janeiro de 2023. Orçada inicialmente em R$ 28 milhões, a obra sofreu sucessivos reajustes e hoje demanda investimentos superiores a R$ 42 milhões do Tesouro do Estado.
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Em maio de 2025, o projeto original foi modificado: o Daer substituiu o tratamento superficial a frio por uma camada de 5 centímetros de asfalto quente (CBUQ), devido ao aumento do fluxo de caminhões pesados, o que estendeu o cronograma de execução.
No início deste ano, o empreendimento dava sinais de evolução. Em fevereiro, começou a aplicação da pintura de ligação na pista e, em março, os primeiros 5 quilômetros receberam a camada asfáltica definitiva.
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À época, a autarquia mantinha a previsão de entregar o acesso concluído até o fim deste ano. Contudo, a terraplenagem travou em um ponto específico próximo ao Rio Serrinha, onde o projeto da nova ponte precisa ser revisado para se adequar à vazão de água observada após as enchentes de 2024.
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