Agronegócio

Mudanças na negociação do tabaco dependem do Cade, diz SindiTabaco

Após representantes de produtores de tabaco serem recebidos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na última terça-feira, 12, em Brasília, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) manifestou-se sobre as discussões que envolvem a comercialização no setor. A entidade empresarial defendeu que qualquer mudança ou futura discussão sobre modelos de negociação de preços na cadeia produtiva dependerá, obrigatoriamente, de uma manifestação formal e análise técnica do órgão antitruste.

O posicionamento sinaliza uma blindagem jurídica da indústria contra tentativas de tabelamento ou negociações coletivas de preços fora dos âmbitos validados pela legislação concorrencial. O sindicato relembrou que o setor já foi alvo de investigação administrativa por práticas concorrenciais iniciada em 2008 (quando a entidade se chamava Sindifumo). O processo tramitou por sete anos e acabou arquivado em 2013 por inexistência de irregularidades. Segundo a entidade, as diretrizes da Secretaria de Direito Econômico para sindicatos são seguidas à risca, o que impede a participação direta em negociações tarifárias.

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A indústria reforça que o fórum legalmente instituído para definição dos preços de referência é a Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadec), conforme prevê a Lei Federal de Integração (Lei nº 13.288/16). O SindiTabaco frisou que o atual arranjo mercadológico garante a compra integral do tabaco contratado dentro do Sistema Integrado de Produção de Tabaco. Alertou que produtores independentes e empresas que atuam fora desse sistema enfrentam maior vulnerabilidade às flutuações de preços e à demanda externa.

Para mitigar os atritos e avaliar a viabilidade de novas propostas, o sindicato informou que incluiu recentemente o debate metodológico no âmbito do Fórum Nacional da Integração do Tabaco (Foniagro) e de sua Comissão Técnica Mista. O objetivo, segundo o comunicado, é abrir um canal de diálogo classificado pela entidade como “coerente, responsável e equilibrado”, buscando salvaguardar o modelo produtivo que transformou o Brasil no maior exportador global do produto.

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Principais concorrentes

Custo de mão de obra familiar e expansão externa

Segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), entre 2016 e 2025 o preço médio do tabaco Virgínia (classes TO2 e BO1) subiu mais de 109%. Assim, superou indicadores de inflação como o INPC (64,65%) e o IPCA (65,16%) registrados no mesmo período de dez anos.

A principal queixa do SindiTabaco é a disparidade dos custos internos de produção, puxados sobretudo pela metodologia que calcula a remuneração da mão de obra familiar. De 2020 a 2026, enquanto o INPC acumulou alta de 45,07%, o peso financeiro atribuído à mão de obra na planilha de coeficientes técnicos avançou 136,29%. A entidade pede uma revisão técnica urgente desses critérios dentro do Foniagro.

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A preocupação com a perda de competitividade é agravada pelo avanço de países concorrentes no mercado. Entre 2022 e 2026, a produção mundial do tabaco tipo Burley cresceu mais de 250 mil toneladas, enquanto a do tipo Virgínia saltou 628 mil toneladas – volume equivalente a uma safra brasileira inteira. O aumento da oferta internacional reduziu o espaço para reajustes repassados aos compradores externos.

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Os primeiros reflexos do acirramento do mercado internacional e do avanço de produtores concorrentes já aparecem na balança comercial brasileira. Dados preliminares levantados pelo setor apontam retração nos embarques de tabaco nos primeiros quatro meses deste ano.

  • Volume exportado (janeiro a abril): 117.160 toneladas
  • Variação volumétrica: -12,23% em relação ao mesmo período de 2025
  • Faturamento: pouco superior a US$ 700 milhões
  • Variação em receita: -22,80% na comparação anual

O fator histórico

O mercado de tabaco é conhecido pela volatilidade geográfica quando perde competitividade. Desde 1990, os Estados Unidos registraram um encolhimento de 77,88% em sua produção de tabaco. No sentido oposto, em busca de maior eficiência e custos competitivos, as indústrias expandiram suas operações em outras fronteiras: o Brasil saltou cerca de 100% em volume e o Zimbábue cresceu mais de 171% nesse período.

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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