Jasper

Nos tempos do jogo de botão

Vejo com alegria o modismo de colecionar figurinhas e preencher o álbum, embora o hábito se intensifique apenas na Copa do Mundo. Brincadeiras e passatempos de infância e adolescência sofreram uma grande transformação nos últimos anos, acompanhando uma tendência verificada em todos os segmentos da vida moderna.

Voltando às figurinhas, constato que muitas famílias se reúnem em torno da caça aos cromos e pela obsessão em “completar o álbum”. A mania permite fazer novos amigos que compartilham da busca de gravuras, principalmente aquelas consideradas raras e mais valiosas.

O futebol de mesa – ou futebol de botão – é outra diversão que resiste ao tempo. Tenho vários amigos que se reúnem com frequência para compartilhar desse hobby, disputando campeonatos que resultam em renhidas disputas e, não raro, grandes confusões.

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Quando era guri, gostava do futebol de botão e, no meu caso, a denominação fazia jus. Afinal, não tinha acesso às peças fabricadas industrialmente. Os botões eram, de verdade… botões, surrupiados de camisas, jaquetas, casacos e casacões lá de casa. Os furtos também ocorriam na casa dos avós, padrinhos e amigos 

Os botões dos punhos de camisa, por exemplo, serviam como bola. Já os botões de sobretudos e casacos pesados eram usados como zagueiro porque eram maiores e mais pesados. Minha fissura por futebol de botão era tamanha que eu confeccionava tabelas com jogos e classificação. Cheguei a ter oito times diferentes. Recortava os distintivos de jornais e revistas para identificar os times.

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Os jogos tinham requintes. Lembro com nitidez da embalagem do Rinso, o primeiro detergente em pó lançado no Brasil, introduzido no mercado pela empresa Irmãos Lever (atual Unilever) em 1953. O produto revolucionou o trabalho doméstico ao eliminar a necessidade de esfregar cada peça no tanque, mas foi descontinuado no País entre as décadas de 1960 e 1970, quando a marca OMO assumiu o protagonismo.

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Certa feita, a embalagem do Rinso tinha como brinde um disco (de vinil) do tipo “compacto simples”, com uma música de cada lado. Em homenagem ao Dia da Independência (7 de Setembro) era o Hino Nacional e o Hino da Independência.

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Esse vinil eu rodava no toca-discos da minha irmã e perfilava os jogadores numa solenidade, antes do início do jogo, como se fosse uma partida oficial. Como campo, tínhamos em casa uma mesa enorme, de madeira, cujas marcações eram feitas a giz, medidas milimetricamente. 

Eu narrava os jogos e copiava fielmente os narradores da época, como Pedro Carneiro Pereira. As “transmissões” tinham até comerciais de “patrocinadores” das jornadas esportivas. Não sei que fim levaram meus botões artesanais, mas as reminiscências permanecem vivas. Na minha memória e no meu coração.

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Gilberto Jasper

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