Nós, gaúchos, temos pouca – ou nenhuma – paciência com o que classificamos de pessoas “indolentes”. Segundo a inteligência artificial, filha mais nova do Google e bisneta do Aurelião, “trata-se de um adjetivo que descreve alguém preguiçoso, desleixado ou apático. Também pode significar algo insensível à dor ou que evolui de forma lenta, sem causar sofrimento – muito usado na medicina para classificar doenças ou tumores de crescimento lento”.
Se não bastasse esta nossa “marca registrada” de falta de tolerância, o mundo dito moderno acelerou ainda mais aqueles que costumam ser apressadinhos no cotidiano. Todos os dias, assim que acordamos, já estamos consumindo conteúdos com tragédias, crise econômica, violência, vídeos “nada a ver” e um sem-número de mensagens que pouco ou nada acrescentam de positivo. Até mesmo antes de escovar os dentes ou consumir o primeiro café do dia esta seja uma cena presente.
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Esse cotidiano, dito “moderno” ou “o novo normal”, talvez seja responsável pelo contingente cada vez maior de pessoas cansadas, deprimidas e permanentemente conectadas. Como leigo, às vezes me pergunto como será possível o cérebro absorver, decodificar e esclarecer tamanho volume de conteúdo.
Outro questionamento autoendereçado que faço ao final do dia envolve questões como: o quanto daquilo que absorvi é verdadeiro? Ou qual a serventia de tudo isso que chega através das telas onipresentes?
Ao recém comemorar 66 anos, nunca pensei na possibilidade de rechaçar propostas de trabalho mais vantajoso em termos financeiros. Confesso que alguns convites eram muito vantajosos. Cheguei a hesitar, mas pouco depois voltei ao normal. Agradeci, educadamente, a deferência da indicação, mas declinei da oferta.
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Um ditado, bastante surrado pelo tempo, diz que “prefiro ter sossego ao invés de ter razão”. Para uma pessoa inquieta, ansiosa e que adora estar cercada por gente, é um enorme desafio, mas garanto – prezados leitores – que tenho sido testado com frequência e resisto às tentações de melhorias no contracheque em troca de sossego e qualidade de vida.
Para muita gente que compartilha do meu temperamento, abrir espaço para o ócio é sinônimo de preguiça, desleixo ou negligência. Não é fácil – confesso! – mudar de comportamento. O segredo, talvez, seja fazer isso aos poucos, sem mudanças bruscas de rotina, mas dando lugar a pequenas alterações de agenda.
É preciso também reconhecer que as tentações do dia a dia são, muitas vezes, irresistíveis. Pedir uma transição de conduta é um objetivo inalcançável. Afinal, há pessoas – e não são poucas – que precisam do auxílio de um “influencer” para escolher o que vestir, comer, comentar e para onde viajar nas próximas férias.
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