Santa Cruz do Sul, a cidade dos encantos e, sejamos sinceros, das tipuanas que insistem em crescer onde não devem, mas a gente perdoa. A Rua Marechal Floriano, com seu espetacular Túnel Verde, é aquele cartão-postal que nos faz suspirar e, momentaneamente, esquecer a fatura do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
É a nossa joia verde, um espetáculo de arquitetura botânica que pouquíssimas cidades ostentam em sua rua principal. Sim, podemos fazer coro com os críticos: as raízes são um pesadelo arquitetônico, verdadeiras terroristas de calçadas, que teimam em comprometer estruturas e levantar o concreto alheio. Mas quem consegue resistir à sombra generosa de um dossel verde nos dias de calor gaúcho? É um dilema existencial: a beleza que nos refresca versus a engenharia civil que nos cobra. E no verão, a beleza sempre vence.
O charme aumentou com a revitalização do calçadão. Depois da novela das obras e dos transtornos (quem nunca?), o Centro virou uma passarela onde o happy hour tem trilha sonora de passos leves e brindes. É o paraíso do pedestre, o lugar perfeito para flanar, analisar a vitrine alheia com calma e, claro, prolongar o início da noite em boa companhia sem o risco de tropeçar em entulho.
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Mas, ah, a vida é feita de contrastes. O urbanismo, mais ainda. Dê um passo para o lado, apenas uma quadra. Na paralela Rua Tenente Coronel Brito, a história muda drasticamente. O comércio é igualmente forte e referência, mas a experiência visual e de locomoção é a antítese da Marechal Floriano em grande parte da via. Enquanto a vizinha ostenta um deslumbramento verde, aqui a calçada nos oferece um parkour urbano não solicitado.
Amigos, preparem-se para uma verdadeira “caça ao tesouro” onde o prêmio é manter o tornozelo intacto. As pedras soltas e desniveladas se transformaram em armadilhas para pedestres, e em alguns trechos, a calçada simplesmente desistiu de existir.
Temos ali os guerreiros jaracarandás, que se agarram à vida e à cor da primavera, insistindo em florir apesar da tesoura impiedosa da concessionária de energia elétrica, que parece ter feito um curso de “poda radical e desnecessária”. É um cenário que, francamente, não combina com o potencial turístico que a nossa Santa Cruz do Sul tem. E o pior: a situação da Brito é um espelho para muitos outros pontos da cidade.
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A população precisa, urgentemente, se conscientizar de que o passeio público não é um “problema do governo”; é o prolongamento da sua casa e do seu estabelecimento comercial. É, literalmente, a sua vitrine estendida. Não podemos limpar a sala de estar, botar um tapete persa e, em seguida, jogar o lixo (ou deixar a armadilha de pedra) na rua, esperando que a Prefeitura resolva tudo. O poder público tem o dever de fiscalizar, sim, e aplicar a lei, mas o buraco na calçada em frente ao seu imóvel é o primeiro “não” que o turista, ou mesmo o vizinho, recebe ao circular.
Cuidar do passeio não é gasto, é “marketing” de bom vizinho, é investimento na imagem do nosso lar coletivo. Uma cidade que se orgulha de seu Túnel Verde não pode ter calçadas que exigem um atestado de atleta para serem percorridas a uma quadra de distância.
Fica o convite para que cada um faça uma ponte entre o aconchego da casa e o dinamismo da rua. Vamos projetar a beleza, o cuidado e a organização do nosso espaço íntimo para o espaço público. Nossa responsabilidade, afinal, vai até o meio-fio. E isso, pode apostar, é sério. A brincadeira fica por conta de quem ousar caminhar pela Tenente Coronel Brito sem atenção.
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