Cultura e Lazer

Old School Day leva mais de 30 mil pessoas ao Centro e expositores celebram sucesso

Os clássicos que marcaram época e impactaram gerações têm lugar especial em Santa Cruz do Sul. Isso se confirmou na quinta edição do Old School Day realizada sábado, 18, no entorno da praça da Bandeira. Com sucesso de público, estimado em 30 mil pessoas pela organização, e também de expositores, a iniciativa trouxe para o coração da cidade uma atmosfera de nostalgia e que proporcionou, literalmente, uma viagem ao passado.

Mais do que atrair a atenção dos visitantes, a exposição de veículos antigos – entre eles, carros, caminhões, motocicletas e bicicletas –, evidenciou que há um esforço coletivo para preservar e manter viva a história. As relíquias exibidas, por pessoas vindas das mais diversas regiões do Rio Grande do Sul, não só materializam esse empenho como ajudam a perpetuar afetos e recordações de inúmeras famílias. Com igual simbolismo, os objetos de decoração e os utensílios domésticos comercializados no Mercado das Pulgas mexeram com o imaginário.

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Além dos espaços para venda de camisetas, bonés, lenços, bottons e demais artigos de vestuário, o público foi incentivado a usar e relembrar os trajes antigos. Tanto é que mais uma vez aconteceu o concurso de trajes, em parceria com a Gazeta Grupo de Comunicações. Já as canções que consagraram décadas puderam ser lembradas de duas formas: na exposição e oferta de discos de vinil, fitas cassete, CDs e DVDs e nas apresentações das bandas. Se apresentaram a do 7º Batalhão de Infantaria Blindado (7º BIB), na abertura da programação, e depois as bandas Botuca, Crossroads, Quarto Secreto, Side B, Avalanche, Tumulto Alemão, Elvis Cover e Machine Rock. Ainda subiram ao palco DJ Morcego e DJ Charles.

A programação, favorecida pelo dia ensolarado, se estendeu desde as primeiras horas da manhã de sábado até o início da madrugada de domingo. Também teve muita gastronomia e cerveja artesanal da HBier.

Mostra de carros antigos e apresentações de bandas levaram grande público até a Praça da Bandeira e ruas próximas | Foto: Rodrigo Assmann

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Carros que marcam histórias de famílias

O Dodge Polara, ano 79, carinhosamente chamado de “Dodginho”, está na quarta geração da família de Ana Júlia Pitzer, de Santa Cruz. Ela conta que o veículo foi adquirido por seu avô, Ottmar Gruendling, em 1984, e que hoje pertence ao seu filho, Lucas, de oito anos. A relíquia, que chegou a ser vendida e depois retornou para a família, como forma de presente, também ficou parada por algum tempo até que o marido de Ana, Dudu Pitzer, fizesse melhorias.

Proprietário da Fluxo Oficina, ele se dedica ao restauro e embelezamento de carros antigos. Emocionado ao falar sobre o seu trabalho, conta que procura manter as características originais dos veículos e melhorar o seu uso. “Sempre tento deixar melhor do que estava e preservar a história que cada carro conta”, disse.

Sucesso na década de 70, o Dodge Polara hoje é tido como uma herança de família. “Faz parte da nossa rotina, da nossa história e queremos passar isso ao nosso filho”, declara Ana. Para essa edição do Old School Day, Dudu levou 10 carros antigos, todos restaurados por ele, e que são de propriedade de clientes. Todos foram expostos na chamada Rua da Fueltech (na 7 de Setembro), dedicada a veículos equipados com módulo de injeção.

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Dudu, Lucas e Ana com o Dodge 1979 | Foto: Cláudia Priebe

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Relíquia de 1947

À sombra da Praça da Bandeira, os irmãos Mauro e Paulo Theisen mostravam orgulhosos o Oldsmobile, ano 47, que pertenceu ao seu pai, Waldemar Theisen. Eles contam que o carro foi importado zero quilômetro dos Estados Unidos e que chegou encaixotado ao Brasil. “O primeiro dono foi diretor de uma multinacional aqui de Santa Cruz. O tio do nosso pai era o motorista particular dele e foi a São Paulo buscar. Eles levaram sete dias para chegar de volta em Santa Cruz com o carro”, lembra Mauro. Anos se passaram até que, em 1965, o pai deles conseguiu comprar o veículo, já de um segundo dono. Sete anos depois, por conta da alta taxação de impostos do governo, o Oldsmobile, a exemplo de outros tantos carros importados, ficou parado.

Os irmãos lembram que o carro ficou 28 anos depositado em uma propriedade da família, à mercê da ação do tempo, restando apenas a “carcaça”. Em meados da década de 90, quando Mauro comprou um Cadillac 52 e decidiu restaurar, o pai se sentiu motivado a recuperar o que havia sobrado do Oldsmobile. “Ele levou mais de 15 anos para fazer o restauro completo do carro. Só tem dois exemplares igual a esse no Brasil”, lembra Mauro, que identifica no carro a “lembrança viva do pai e de sua determinação”. Depois de pronto, e com restauro impecável, Waldemar chegou a expor o veículo em um encontro de carros antigos, mas faleceu pouco tempo depois, deixando um legado de persistência e dedicação a toda a família.

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Mauro e Paulo: lembranças do pai | Foto: Cláudia Priebe

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No Mercado das Pulgas, diversidade e curiosidade

Antiguidades dos mais diversos segmentos coloriram o entorno da praça e cativaram o público no Mercado das Pulgas. No estande da Kombis Car Collection, as miniaturas colecionáveis surpreendiam pelo realismo das réplicas. Os produtos foram levados por Taiana e Alessandro Raiher, de Getúlio Vargas. No mercado há cinco anos, o casal, que possui um centro automotivo, encontrou por acaso uma oportunidade de gerar renda com esse nicho. Foi quando concluíram uma reforma em casa e procuravam miniaturas de veículos para decorar um ambiente, já que se dedicavam ao negócio de carros, que perceberam a falta desses produtos no mercado.

A partir daí, foram atrás de fornecedores e fizeram disso um trabalho extra. Hoje, participam praticamente todos os fins de semana de feiras e eventos por toda a região Sul. Em breve, devem expor também em Goiás. São mais de 2 mil modelos.

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Taiana trouxe peças de Getúlio Vargas | Foto: Cláudia Priebe

A oportunidade também surgiu de forma inesperada para os amigos Luciano Bagatini e Michel Kich, de Cruzeiro do Sul, proprietários da Djous Discos. Colecionadores desde a adolescência, não imaginavam que um dia iriam expor seu acervo pessoal de vinil, fitas cassete, CDs e DVDs e comercializar. A primeira participação em feiras aconteceu em 2017, em Imigrante, para cobrir a falta de um expositor. De lá para cá, tomaram gosto pelos eventos e pela oportunidade de renovar seus acervos. Bagatini observa que 70% do público são jovens. Em seus acervos, os amigos possuem mais de 50 mil itens, sendo o disco de vinil o de maior saída.

Bagatini e Kich: disco de vinil em alta | Foto: Cláudia Priebe

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“Precisaremos ampliar para mais ruas do Centro”

A frase do organizador e idealizador do Old School Day, Alberto Más e Blum, revela a importância alcançada pelo evento nesses últimos cinco anos. Ele observou que a iniciativa se consolidou como uma das que mais geram retorno para Santa Cruz do Sul e comemorou o sucesso e a aceitação do público. “Foram cerca de 30 mil pessoas, em torno de 700 carros antigos, centenas de motocicletas e dezenas de bicicletas. No Mercado das Pulgas também atingimos um número expressivo de 120 expositores”, disse, adiantando que para 2027 será preciso ampliar o evento para mais ruas do Centro.

O organizador reitera que o caráter familiar sempre norteou o Old School Day e por isso reúne pessoas de todas as idades, permitindo a interação entre gerações. “O evento tem tudo a ver com os valores que nós defendemos; valoriza a família e o trabalho de todos aqueles que se envolvem para a sua realização”, afirma.

Alberto Más e Blum, idealizador do Old School Day: “O evento tem tudo a ver com os valores que nós defendemos; valoriza a família e o trabalho de todos aqueles que se envolvem para a sua realização.”

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Luta de braço

Atração inédita no Old School Day, o “Campeonato Braço de Ferro” reuniu 40 atletas na praça da Bandeira. A atividade contou com a organização da Federação Gaúcha de Luta de Braço. Conforme o presidente da entidade, Élveres Rodrigues de Oliveira, a organização fez o convite a partir de uma inspiração do cinema. Foi uma referência a um clássico: o filme Over the Top (Falcão – O campeão dos campeões, no Brasil), estrelado em 1987 por Sylvester Stallone, um caminhoneiro que tenta reconstruir sua vida após a morte da esposa e que consegue se reaproximar do filho depois de se inscrever em um campeonato nacional de queda de braço e vencer a competição. Além de reviver as cenas do filme com as disputas ao vivo das lutas de braço, o público do Old School ainda teve a oportunidade de relembrar, com a exposição de um modelo muito semelhante próximo ao palco, o caminhão que Stallone utiliza no início do filme, antes de vencer o campeonato e receber como prêmio um veículo novo.

As disputas aconteceram nas categorias 70 quilos, 85 quilos, até 100 quilos e livre (acima de 100 quilos). Dentre os participantes estava Thanaue Andrade, 27 anos, de Cachoeirinha, campeão gaúcho invicto há cinco anos em sua categoria e que está classificado entre os três melhores do Brasil. Acompanhado do irmão Thayan, 33, e do pai Fábio, 65, que igualmente treinam, ele destacou que o esporte exige rotina constante de treinos e que essa é uma modalidade tão antiga quanto qualquer outra. “Infelizmente, ainda tem muito ego em torno desse esporte e muitos confundem como algo violento, por usar de força, mas é um esporte como outro qualquer e que precisa de preparo”, relatou. Dentre os participantes estavam atletas de dez cidades gaúchas e um do Canadá.

Thayan e Thanaue vieram de Cachoeirinha para participar da disputa no evento | Foto: Cláudia Priebe

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Público elogia e se identifica com evento

O público de todo o Estado não só elogiou a programação e o formato do evento como também aproveitou para levar para casa algumas antiguidades. Vindos de Candelária, Sâmera e Luis Carlos Soares, que possuem um Fusca 86, todo original, e uma coleção de moedas, ficaram impressionados pelo tamanho do evento. Na companhia da filha Pauline e da mãe de Sâmera, Sandra, o casal aproveitou para garantir mais moedas antigas e identificaram vários objetos que igualmente possuíam ou que lhes remetiam alguma lembrança de família.

Sandra, por exemplo, lembrou da coleção de louças que herdou de sua mãe e que hoje guarda com extremo cuidado. Eles, que costumam vir com frequência a Santa Cruz do Sul, também elogiaram a diversidade de eventos da cidade e destacaram a importância de iniciativas como o Old School, que permite reviver tantas memórias em família.

Sâmera, Sandra, Pauline e Luis Carlos, de Candelária, conferiram as atrações | Foto: Cláudia Priebe

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No concurso de trajes, ponto para a criatividade

Já consagrado no Old School Day, o concurso de trajes rendeu prêmios em cinco categorias e neste ano contou com a divulgação e organização da Gazeta Grupo de Comunicações. As inscrições eram gratuitas e podiam ser feitas de forma antecipada (até às 23h59 de sexta-feira), através de um link disponibilizado no Portal Gaz, ou no dia do evento, no espaço da Gazeta, onde os participantes eram fotografados. As fotos foram divulgadas pelo Gaz para que o público pudesse votar e escolher os seus favoritos, em cada categoria. Foram mais de 5 mil votos.

Na categoria infantil foram escolhidos Luiza Martina de Borba (feminino) e Vetúrio Hentschke (masculino), que receberam R$ 250, cada. Acompanhado da mãe, Ana Cristina Schütz, Vetúrio, de sete anos, recebeu o prêmio. O traje foi uma homenagem aos dois bisavôs dele, conforme conta a mãe. “Ele usou a gravatinha que pertenceu ao bisavô Eddy Schütz e o óculos que era do bisavô Vetúrio Baroni”. Vindos de Porto Alegre, Vetúrio e os pais moram em Santa Cruz desde o ano passado. Ao falar sobre o evento, Ana Cristina enfatizou a possibilidade de reviver memórias. “Eu sou uma Old School e essa é uma iniciativa muito bacana. Tudo o que ensinamos ao nosso filho também acaba sendo Old School”, relata.

Na categoria casal foram escolhidos, com expressivos 808 votos, Caren Souza, de 23, e Everton Machado, de 28. Naturais de Santa Cruz, eles namoram há um ano e sete meses e decidiram participar para interagir. Ela conta que os dois são apaixonados por antiguidades e que foram trajados porque já tinham a pretensão de ir ao evento expor o Opala, 85, de cor branca, que haviam comprado no ano passado, em Venâncio Aires. “Nos inscrevemos no concurso, mas não imaginamos ganhar. Ficamos muito felizes e conferimos o resultado, de casa, pela publicação do Portal Gaz”, disse. Como prêmio, eles receberão um tanque de combustível e a estadia de um fim de semana em uma cabana localizada no Rancho Jatobá, em Sinimbu.

Caren e Everton: casal foi premiado

Na categoria adulto foram escolhidos Rodrigo Souto (masculino) e Kimberlin Fernandes (feminino). Ele receberá um vale de R$ 1 mil da Edu Store Moda Masculina e ela, um vale de R$ 1 mil da loja Mariah Closet.

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Cláudia Priebe

Cláudia Priebe é natural de Candelária (RS). Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) desde 2005, onde também concluiu especialização MBA em Agronegócios, em 2008, começou a atuar na área ainda em 2002. Sua primeira experiência foi no meio impresso, no Jornal de Candelária, local em que, por mais de dois anos, desenvolveu atividades como repórter, fotógrafa e revisora. Entre 2005 e 2008 atuou no grupo das Rádios Sobradinho AM 1110 e Jacuí FM 97,3, em Sobradinho (RS). Nesse período desenvolveu atividades como redatora, repórter de rua, locutora e produtora de programas jornalísticos, além de fazer apresentações de eventos promovidos pelas duas emissoras. Em 2008 retornou para o meio impresso, desta vez para o jornalismo especializado, e atuou como jornalista freelancer da Editora Gazeta, da Gazeta Grupo de Comunicações. De 2009 a 2015 integrou a equipe da Folha de Candelária, também em Candelária, tendo acumulado as funções de repórter, fotógrafa, revisora e subeditora nos três primeiros anos e a edição geral, coordenando uma equipe de outros quatro repórteres, nos três anos finais. Nesse mesmo período prestou serviços para a Cassol Publicidade e Propaganda, de Candelária, na redação semanal das sessões da Câmara de Vereadores de Candelária. Entre os anos de 2015 a 2023 atuou como assessora de imprensa do Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul, sendo responsável pela comunicação interna e externa da entidade, bem como pela produção e edição de materiais gráficos diversos. Em 2023 retornou para a Gazeta Grupo de Comunicações, onde atualmente se dedica à produção e edição de conteúdo para os cadernos especiais do jornal Gazeta do Sul e de conteúdos patrocinados para o Portal Gaz, atendendo clientes de segmentos como comércio, indústria e prestação de serviços. Eventualmente, atua, também, como revisora do jornal.

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