Berçário Industrial está atualmente instalado no Bairro Várzea, mas deixou de receber empresas após enchente
A Prefeitura de Santa Cruz do Sul estuda transferir o Berçário Industrial para uma nova área. O espaço, atualmente instalado em uma área do Bairro Várzea, deverá ser realocado para um ponto na região do Distrito Industrial II, que fica na Rua Victor Frederico Baumhardt, no Bairro Dona Carlota. A intenção foi confirmada pelo secretário municipal de Planejamento e Mobilidade Urbana, Vanir Ramos de Azevedo, que também responde interinamente pela pasta de Desenvolvimento Econômico e Inclusão, em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9.
Segundo o secretário, a mudança é motivada principalmente pelos frequentes alagamentos registrados no atual ponto, que causaram prejuízos às empresas instaladas e comprometeram a continuidade das atividades. “Podemos dizer que desde a enchente de 2024 o município já não tem, na prática, um Berçário Industrial”, resume. No início da atual gestão, restavam apenas duas empresas no espaço, ambas em processo de saída.
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Hoje, a administração municipal já possui dois terrenos reservados na área do Distrito Industrial II para receber o novo berçário. A proposta é construir um espaço mais moderno e adequado às necessidades atuais. Já o modelo de funcionamento seguirá o mesmo da estrutura anterior: um prédio público dividido em módulos para abrigar empresas em fase inicial, oferecendo infraestrutura até que elas tenham condições de se instalar em sedes próprias.
Entre os ramos das empresas que poderão se instalar no novo Berçário Industrial estão a alimentação, a produção de materiais e a impressão gráfica. “São pequenas indústrias que podem ficar ali até o seu limite de crescimento. E a partir dali, dar um pontapé ou um passo adiante, e já ir para uma estrutura maior, mas conseguiu se beneficiar desse apoio do município no momento que mais precisou”, explica o secretário.
A mudança para um novo local, inclusive, poderia ampliar o leque de possibilidades, visto que não haveria as restrições ambientais vigentes para a região da Várzea, onde a possibilidade de alagamentos impede algumas atividades.
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Em relação ao cronograma, Azevedo informou que um grupo de técnicos da iniciativa privada está finalizando um projeto para o novo berçário, que deverá ser entregue nas próximas semanas. Após análise técnica da Secretaria de Planejamento e eventuais adequações, a expectativa é concluir os projetos ainda neste ano. Na sequência, o município pretende buscar recursos para viabilizar a construção ou avaliar a possibilidade de executar a obra com recursos próprios.
A situação do Berçário Industrial e a necessidade de ampliar as áreas destinadas ao desenvolvimento econômico dominaram parte dos debates da sessão da Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul, ocorrida na última segunda-feira, 13. Parlamentares de diferentes bancadas cobraram providências para o espaço localizado no Bairro Várzea e defenderam a criação de um novo Distrito Industrial como estratégia para atrair investimentos e evitar que empresas migrem para municípios vizinhos.
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O vereador Raul Fritsch (Republicanos) questionou o Executivo sobre o futuro do Berçário Industrial, afirmando que o imóvel, pertencente ao município, permanece abandonado. Segundo ele, o espaço foi responsável por impulsionar empresas que hoje geram emprego, renda e arrecadação, mas atualmente está sem ocupação.
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Durante o debate, o vereador Leonel Garibaldi (Novo) explicou que o principal obstáculo para reutilizar o local é um embargo judicial que atinge toda a região da Várzea. Conforme relatou, uma liminar impede a instalação de novos empreendimentos por se tratar de uma área considerada de risco de alagamentos.
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Garibaldi acrescentou que, além da restrição judicial, o imóvel tem sofrido com furtos e atos de vandalismo desde que ficou desocupado. Como alternativa, sugeriu que o antigo Berçário Industrial deixe de ter finalidade empresarial e seja transformado em um espaço de lazer, funcionando como uma nova entrada para o Lago Dourado. Entre as possibilidades citadas estão a implantação de praças e áreas esportivas.
O vereador Rodrigo Rabuske (Republicanos) reforçou a necessidade de uma solução definitiva. Segundo ele, visitas recentes ao local mostraram uma situação preocupante, e o município não pode abrir mão do retorno econômico proporcionado pelas empresas que utilizam esse tipo de estrutura.
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A criação de um novo Distrito Industrial também ganhou força durante a discussão. O vereador Gerson Vargas (Progressistas) defendeu que a expansão ocorra na região de Pinheiral, aproveitando o potencial logístico proporcionado pela duplicação da RSC-287.
Segundo ele, cidades da região, como Vera Cruz, Passo do Sobrado e Vale Verde, vêm oferecendo áreas e incentivos para atrair empreendimentos, o que aumenta o risco de Santa Cruz perder investimentos. Vargas afirmou que o município precisa criar condições para receber novas empresas e oferecer incentivos competitivos para evitar que negócios escolham outras cidades da região.
O vereador Alberto Heck (PT) ampliou o debate ao defender que o planejamento de longo prazo também considere a futura transferência do Aeroporto Luiz Beck da Silva. Na avaliação do parlamentar, um novo aeroporto poderia ser implantado na direção de Rio Pardo, após a área do atual Distrito Industrial, criando um eixo de expansão com maior potencial para o crescimento industrial e logístico de Santa Cruz do Sul.
*Colaborou Marcio Souza
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