Santa Cruz do Sul

Programa Família Gaúcha atende 192 famílias em Santa Cruz

Em meio a dificuldades que muitas vezes silenciam famílias inteiras, um gesto de escuta pode ser o primeiro passo para transformar vidas. Em Santa Cruz do Sul, o Programa Família Gaúcha vem cumprindo esse papel ao chegar até quem mais precisa com presença, orientação e um compromisso que vai além da assistência. A proposta é devolver dignidade, fortalecer vínculos e criar caminhos reais para que as famílias reconstruam suas trajetórias com mais autonomia e perspectiva de futuro.

Implantado no município em outubro de 2025, o programa atua de forma integrada aos serviços da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Inclusão (Sedesi), oferecendo acompanhamento contínuo e individualizado. O diferencial está na atuação direta dos agentes de Desenvolvimento Familiar (ADFs), que visitam as residências, conhecem a realidade de cada núcleo e constroem, junto às famílias, planos de desenvolvimento baseados em suas necessidades.

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A secretária municipal de Desenvolvimento Social e Inclusão, Fátima Alves da Silva, destaca que o Programa Família Gaúcha representa um avanço na forma de atender famílias em situação de vulnerabilidade. “Nosso objetivo é promover autonomia e emancipação financeira, por meio de encaminhamentos para as oportunidades de trabalho e da conscientização de que todas as famílias têm o direito de construir um futuro com mais estabilidade e dignidade. Na Sedesi, garantimos um cuidado integral, olhando para cada membro da família — da criança ao idoso —, fortalecendo vínculos e criando condições reais para a transformação social”, afirmou.

Em Santa Cruz do Sul, o programa atende 192 famílias nos territórios dos Cras Beatriz Frantz Jungblut, Integrar e Central, abrangendo diferentes regiões da cidade. A seleção, como explica a coordenadora da Proteção Social Básica da Sedesi, Luci Rodrigues, considera critérios técnicos e o grau de vulnerabilidade social, enquanto o acompanhamento é guiado por indicadores que avaliam acesso à educação, cuidados com a saúde, melhoria da moradia, inserção no mercado de trabalho e fortalecimento dos vínculos familiares. “O avanço é medido não apenas por números, mas pela qualidade de vida e pela autonomia conquistada ao longo do processo”, observou ela.

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É nesse contexto que a história da dona de casa Flaviane Dornelles de Souza, de 41 anos, ganha significado. Moradora do bairro Arroio Grande, ela vive com o marido, Luiz Fernando, 52, e cinco filhos, em uma rotina que, até pouco tempo atrás, era marcada pelo silêncio e pela falta de perspectiva. Quando passou a ser acompanhada pelo programa, enfrentava um quadro de depressão há bastante tempo, sem tratamento e sem saber que poderia buscar ajuda para mudar sua realidade.

A chegada das agentes Scheila Pavin Neto e Ketlyn Julieti Corrêa Becker, do CRAS Central, representou um ponto de virada. No primeiro contato, a escuta e o acolhimento abriram espaço para que Flaviane reconhecesse a necessidade de cuidar de si mesma. “Quando elas começaram a conversar comigo, eu comecei a chorar. Me disseram coisas que eu precisava ouvir”, relembra. A partir desse momento, iniciou um processo gradual de tratamento e reorganização da rotina.

Com o acompanhamento, pequenas mudanças começaram a acontecer dentro de casa, refletindo diretamente no bem-estar da família. Flaviane passou a cuidar mais da saúde, reorganizou os espaços da residência e retomou atividades simples do dia a dia que antes pareciam impossíveis.

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Além do acompanhamento técnico, a família também passou a contar com o auxílio mensal de R$ 250,00, garantido pelo programa, valor que contribui para as despesas básicas do dia a dia. O que antes era paralisia deu lugar a movimentos concretos de reconstrução, demonstrando como o cuidado contínuo pode impactar de forma profunda a vida das pessoas.

A transformação também trouxe novas perspectivas de futuro. Flaviane procurou a área da Educação em busca de uma vaga em creche para a filha mais nova e já projeta o retorno ao mercado de trabalho. “Meu sonho é fazer um curso de cuidadora, já cuidei de muita gente e amo fazer isso”, revelou. A expectativa é que, com a filha na escola e a rotina mais estabilizada, possa retomar sua independência financeira.

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Criado pelo governo do Estado, o Programa Família Gaúcha tem como foco romper o ciclo de pobreza extrema por meio da combinação entre transferência de renda e acompanhamento técnico. A iniciativa atende famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente em regiões impactadas por desastres climáticos, e busca promover a emancipação social com base em planos personalizados de desenvolvimento e inclusão socioprodutiva.

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Transformação que começa no vínculo

Para as agentes de Desenvolvimento Familiar (ADFs), Scheila Pavin Neto e Ketlyn Julieti Corrêa Becker, que acompanham a família de Flaviane dentro do Programa Família Gaúcha, o processo exige sensibilidade e compreensão de que cada etapa tem seu tempo. “Antes da inserção no mercado de trabalho, é fundamental fortalecer a estrutura familiar e o entendimento do papel de cada integrante dentro desse contexto. No caso de Flaviane, foi necessário trabalhar a confiança para que ela compreendesse que buscar apoio, inclusive na educação dos filhos, não significava perda, mas abertura de novas possibilidades”, explicou Ketlyn.

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O vínculo construído ao longo do acompanhamento é apontado como um dos principais diferenciais do programa. Segundo Scheila, a atuação vai além das visitas técnicas e se transforma em uma relação de proximidade e confiança. “Somos Família Gaúcha 24 horas. Vivemos muitas coisas juntas, compartilhamos histórias e buscamos, de fato, mudar a realidade dessas famílias”, destaca, ao lembrar das ações realizadas desde o início do acompanhamento.

Para a dona de casa Flaviane, a mudança também representa uma tomada de consciência sobre o próprio papel nesse processo. Ela reconhece que o apoio recebido é fundamental, mas entende que a transformação depende, sobretudo, de suas próprias escolhas e atitudes. “Eu sei que não posso ficar esperando. Tenho que correr atrás. Elas mostram o caminho, mas sou eu que preciso seguir”, afirma, demonstrando segurança ao falar sobre o futuro.

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Karoline Rosa

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