Estamos em ano eleitoral, mas o processo sequer começou. Ainda nem sabemos ao certo quem se habilitará ao nosso voto. Já temos, sim, pelo menos uma certeza: vamos ouvir muitas promessas. Das mais irresponsáveis e bizarras às sedutoras. De falas e juras inconsequentes ao flerte com a tentação de acreditar e presumir que possa haver algum comprometimento com palavras e ações assumidas em público.

Na edição de 20.02.2026, sexta-feira passada, a Gazeta do Sul publicou: “Moradores (de Candelária) protestam por segurança na Linha do Rio”. Para você entender, trata-se da VRS-858, uma rodovia que está sendo engolida pela erosão provocada pelas águas do Rio Pardo. A estrada está literalmente desmoronando e assoreando o leito do rio. Significa dizer que a qualquer momento uma tragédia pode acontecer, como uma família ou os filhos de muitas famílias que vão à escola serem tragados para dentro do rio.

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Sete meses antes, em 16.06.2025, a Gazeta do Sul publicou um artigo meu em que duvidei da execução de uma obra de reconstrução da rodovia, então alardeada pelo governador. Inclusive com a promessa de destinação de recursos da ordem de R$ 56 milhões (!) para a execução da obra e prazo de 18 meses para término dos trabalhos a partir da assinatura da ordem de serviço.

Escrevi e reafirmo: “Só para lembrar aos que ainda se entusiasmam com anúncios dessa ordem: a rodovia que liga duas das mais antigas cidades do Estado – Rio Pardo e Cachoeira do Sul –, importante corredor para escoar a produção, ainda não teve a pavimentação concluída depois de 40 anos de promessas. Infelizmente, nossos governos, em todos os escalões, se elegem e se sustentam em cima de fanfarronices demagógicas, de obras e promessas fantasiosas”.

De verdade, quero que os fatos me desmintam e que os moradores do interior de Candelária tenham seu justo pleito atendido. Mas não se desmobilizem por conta de promessas. Vai sair governo, outro virá. E este enredo já é por demais conhecido.

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E para não ser injusto, pelo menos na ERS-403, uma das mais antigas estradas do Estado, parece que finalmente dois polos – Rio Pardo e Cachoeira do Sul – estão próximos de se conectar. Faltam poucos quilômetros, mas certamente ainda restarão vários meses de atoleiros, pedras e poeira até que se possa anunciar o desfecho para uma das mais antigas demandas do Estado.

É motivo para comemorar? Sim, mas sem esquecer que uma geração inteira, talvez duas, foram sacrificadas e punidas pela ineficiência do Estado ao longo de décadas.

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Em Candelária, como em tantas outras regiões do Estado, por enquanto os moradores também contabilizam seus prejuízos. Tomara que não sejam traumatizados para sempre por trágicas perdas de vidas quando uma estrada desaparecer porque o Estado não se fez presente quando devia. E quando prometeu.

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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