Construção de 1851 ganha vida nova a partir do investimento de R$ 1,6 milhão. Local vai abrigar o gabinete do prefeito. Fotos: Inor Assmann
Na esquina das ruas General Andrade Neves com a Júlio de Castilhos (Rua da Ladeira), o prédio da antiga Prefeitura de Rio Pardo passa por restauro desde janeiro de 2025. A obra, agora, avança para uma nova etapa. No momento, os trabalhos se concentram na infraestrutura dos serviços propostos pelos projetos complementares de instalações elétricas, logística, climatização e de redes de água e esgoto.
De acordo com a arquiteta responsável, Vera Lúcia Schultze, a previsão é concluir o trabalho entre o final de 2026 e o início de 2027. A intervenção, que recebeu investimento do Município de R$ 1,6 milhão, já passou por etapas consideradas críticas em projetos de restauração, especialmente diante da degradação do prédio, que apresentava colapso em diversos elementos estruturais. Entre os serviços já realizados estão o novo sistema estrutural de concreto armado e a reintegração do reboco original externo.
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No caso do reboco, os responsáveis pelo projeto priorizaram a chamada arquitetura de alvenaria de pedra e barro. Nesse processo, foram recuperadas paredes cuja construção foi feita em argamassa de barro. Esse material original foi integrado ao projeto e será mantido de forma aparente, como parte da decoração.
De acordo com, Vera, o estágio atual da requalificação do prédio de 1851 representa uma virada no andamento dos serviços. “Concluímos a superestrutura e a estrutura. Agora, entramos em uma fase mais voltada para as instalações e acabamentos, o que tende a dar mais ritmo a essa obra”, salienta.
Entre os trabalhos já realizados, também estão a escavação do porão para as novas fundações e a montagem de cobertura. A complexidade logística representou um desafio. Como o prédio fica junto à Rua da Ladeira – que é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, por isso, possui restrições –, a utilização de maquinário pesado foi limitada.
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Parte significativa da retirada de terra e materiais precisou ser feita manualmente. “São muitos metros cúbicos de terra retirados e um trabalho extremamente cuidadoso, tanto pela estrutura existente quanto pela localização”, detalha a arquiteta. A cobertura também exigiu atenção especial, com a instalação de estrutura metálica, madeira e telhas no modelo original.
Com a estrutura consolidada, a obra entra agora em uma etapa extensa de acabamentos e instalações. Entre os serviços previstos estão:
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O avanço dos trabalhos revelou situações não previstas no projeto. Rebocos considerados preservados precisaram ser removidos ao se constatar que estavam soltos, expondo paredes de pedra e barro do século 19. Parte dessas estruturas será mantida aparente, com tratamento específico, para valorizar o caráter histórico do edifício.
Outros desafios incluíram fissuras ocultas, desníveis em estruturas de madeira e a necessidade de reforços adicionais, como a execução de uma cortina de concreto após identificação de fragilidade na fundação.
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Todo esse processo de requalificação tem como objetivo devolver a funcionalidade do prédio, que abrigará o gabinete do prefeito, além de setores administrativos no pavimento superior. No térreo, está prevista a instalação do arquivo histórico municipal, um dos mais importantes do Rio Grande do Sul, no âmbito geopolítico. “Milhares de documentos foram digitalizados e serão disponibilizados também em um site”, conta Vera.
O térreo ainda abrigará um memorial da cidade, voltado especialmente ao turista. Já o porão deve receber um café temático. No pátio, serão erguidos banheiros públicos e uma oficina para artesãos da cidade. “É como ver alguém se recuperar. O prédio volta a fazer parte da vida da cidade”, ressalta a arquiteta.
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Durante as intervenções, a equipe de restauro se deparou com um achado inusitado. O mestre de obras Gilmar Bueno conta que, escondida entre os assoalhos, estavam armas antigas e uma grande quantidade de munição. “Encontrei uma caixa com cerca de mil balas”, afirma Bueno.
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O material, que possivelmente está ligado a conflitos do início do século 20, segundo Vera, estava deteriorado, mas chamou atenção pelo volume. Tudo foi recolhido e encaminhado às autoridades para análise. Após os procedimentos legais, os itens devem integrar o acervo do futuro memorial da cidade, previsto no próprio prédio. “Cada descoberta ajuda a contar a história do prédio e da cidade”, destaca a arquiteta.
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