Agronegócio

Trabalhadores da indústria do tabaco entram no debate da Conicq e estabelecem diálogo com o governo

A Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins (Fentitabaco) participou de uma agenda considerada histórica na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília, durante reunião vinculada à Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq). Embora a comissão seja composta exclusivamente por órgãos do governo federal, o encontro abriu espaço para ouvir representantes da cadeia produtiva, permitindo que trabalhadores apresentassem suas trajetórias e a realidade social e econômica associada à produção de tabaco no Brasil.

A delegação da Fentitabaco foi formada pelo presidente da entidade, Rangel Marcon, pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa), Éder Rodrigues, além dos trabalhadores Camili Aparecida Rodrigues do Prado, do Rio Grande do Sul, e Jorge Neto, do Paraná. Os representantes compartilharam experiências que evidenciam a dimensão social da atividade e a presença da cadeia produtiva em diferentes regiões.

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Camili relatou que sua ligação com o tabaco atravessa gerações familiares e a renda da produção permitiu acesso à educação e oportunidades profissionais. Filha e neta de produtores, afirmou que a atividade representa mais do que uma fonte de renda para muitas famílias do meio rural. “A renda do tabaco sempre fez parte da nossa história. Foi ela que permitiu estudar, construir uma profissão e permanecer no campo com dignidade”, disse.

O trabalhador da indústria Jorge Neto destacou que a atividade sustenta milhares de trabalhadores e municípios inteiros. “Quando se discute o futuro do tabaco, não estamos falando apenas de um produto. Estamos falando de empregos, de famílias e de regiões que dependem dessa atividade”, afirmou.

Entre os integrantes da comissão, o representante do Ministério da Agricultura, Gustavo Henrique Marquim Firmo de Araújo, destacou o significado da presença dos trabalhadores. Para ele, o encontro marca um momento importante na trajetória da comissão ao abrir espaço para ouvir diretamente quem vive da cadeia produtiva. “Este é um dia histórico na Conicq, porque até então os trabalhadores não haviam participado de uma audiência da comissão. A presença de vocês aqui amplia o diálogo e contribui para que possamos compreender melhor as diferentes realidades envolvidas nesse processo”, disse.

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A secretária executiva da Conicq, Vera Luiza da Costa e Silva, ressaltou que o espaço de escuta integra o compromisso institucional previsto no tratado internacional. Segundo ela, o diálogo com os setores envolvidos faz parte do processo de construção das políticas públicas ligadas ao tema.

“O tratado também considera os aspectos sociais relacionados ao trabalho e à produção. Por isso esses momentos de escuta são importantes para compreender diferentes realidades”, afirma. Ao encerrar sua manifestação, dirigiu-se aos trabalhadores com um gesto simbólico de acolhimento e concluiu com a expressão “até a próxima”, sinalizando que a participação da cadeia produtiva é bem-vinda no processo de diálogo.

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Presença é estratégica para a categoria

Rangel Marcon, presidente da Fentitabaco: “Quando se discutem políticas públicas que afetam trabalhadores e suas famílias, é fundamental que essas pessoas também sejam ouvidas”

O presidente da Fentitabaco, Rangel Marcon, afirmou que a participação dos trabalhadores em espaços de debate sobre políticas públicas é fundamental para que decisões considerem a realidade social e econômica do setor. Ele destacou que a cadeia produtiva do tabaco envolve aproximadamente 1,6 milhão de brasileiros entre empregos diretos, indiretos e induzidos, além de gerar cerca de R$ 30 bilhões anuais em impacto fiscal para União, estados e municípios.

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Marcon defendeu que o debate sobre o setor precisa incluir aqueles que vivem diretamente dessa atividade. “Nada de nós, sobre nós. Quando se discutem políticas públicas que afetam trabalhadores e suas famílias, é fundamental que essas pessoas também sejam ouvidas.”

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O dirigente avaliou que a reunião foi produtiva e abriu um canal de diálogo importante com a Conicq. Segundo ele, a federação permanece à disposição para contribuir com informações e receber representantes das instituições públicas nas regiões produtoras, de modo a ampliar a compreensão sobre a realidade social da cadeia produtiva.

Representação sindical ganha espaço

A agenda com a série de visitas institucionais foi programada junto com líderes dos cinco sindicatos representados pela Fentitabaco. Participaram dessa construção o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo do Alto Vale do Itajaí, Planalto Norte e Oeste Catarinense (Sintifavi); o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo da Região Sul de SC (Sitifursc); o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo de Uberlândia (Sintraf); o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo de Rio Negro, no Paraná (Sitifumo) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa).

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Éder Rodrigues, presidente do Stifa: “A abertura desse diálogo em Brasília representa um avanço importante para que trabalhadores participem das discussões que impactam diretamente o futuro da atividade.”

O convite para a representação foi aberto e acolhido pela direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa), que dentro da federação é a maior entidade em número de trabalhadores representados. Alcança a marca de 15 mil trabalhadores do setor vinculado, especialmente em períodos de safra.

Para o presidente do Stifa, Éder Rodrigues, a presença junto à delegação reforça a importância da organização sindical. Segundo ele, não somente dentro do grupo que representa os trabalhadores na indústria do tabaco, o Stifa é uma das maiores e mais representativas entidades, que diariamente oferta serviços nas áreas médicas, odontológica, jurídica e de bem-estar ao trabalhador.

Rodrigues afirma que a cadeia produtiva do tabaco representa emprego formal, renda estável e organização social consolidada em diversas regiões produtoras no País.

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“A abertura desse diálogo em Brasília representa um avanço importante para que trabalhadores participem das discussões que impactam diretamente o futuro da atividade. E para nós, do Stifa, assim como os demais sindicatos, torna-se fundamental acompanhar de perto toda essa mobilização pró-trabalhador”, complementou.

Importância da cadeia produtiva

A delegação da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins (Fentitabaco) também visitou parlamentares no Congresso Nacional. O grupo esteve nos gabinetes dos deputados federais Paulo Pimenta (PT) e Heitor Schuch (PSB). Natural de Santa Cruz do Sul, Schuch é um dos parlamentares que acompanham de perto a realidade da cadeia do tabaco. Durante o encontro, discutiu-se a articulação de uma audiência pública em Brasília com trabalhadores como protagonistas do debate, reunindo representantes da produção, indústria e entidades sindicais.

A delegação também foi recebida pela senadora Soraya Thronicke (Podemos). Ela é autora do Projeto de Lei 5008/2023, que trata de medidas relacionadas ao enfrentamento do comércio ilegal de cigarros no Brasil e à concorrência provocada pelo contrabando no mercado nacional. Durante o encontro, Soraya demonstrou interesse em conhecer mais profundamente a cadeia produtiva do tabaco.

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Está sendo articulada uma agenda para que a senadora visite a região produtora em uma programação construída em conjunto com a Fentitabaco e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa). Para o presidente da federação, Rangel Marcon, a possibilidade de apresentar a realidade do setor diretamente a lideranças nacionais é estratégica. “Precisamos furar a bolha. Fora da Região Sul, muitas vezes o Brasil não conhece a realidade da cadeia produtiva do tabaco”, afirmou.

Durante as agendas no Congresso Nacional, os parlamentares receberam um dossiê atualizado com informações econômicas, sociais e trabalhistas do setor. O documento reúne dados que ajudam a contextualizar a importância da cadeia produtiva para milhares de trabalhadores e municípios brasileiros.

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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