Esportes

Troféu Brasil destaca Santa Cruz na patinação

Santa Cruz do Sul se transformou, nas últimas semanas, em um dos principais centros da patinação artística brasileira. Desde o dia 20 de julho, o Centro de Eventos do Parque da Oktoberfest recebeu o Troféu Brasil de Patinação Artística, competição nacional que reúne cerca de 800 atletas de oito estados brasileiros, além de técnicos, dirigentes, jurados e familiares. A programação seguiu até esse domingo, 2, com mais de 1,7 mil passagens em pista ao longo do evento.

A realização em Santa Cruz começou a ser construída no ano passado, quando a Federação Gaúcha de Patinagem promoveu no município o Campeonato Gaúcho. A estrutura do espaço e a capacidade da cidade de receber uma competição de grande porte chamaram a atenção da Confederação Skate Brasil (CSB), responsável pelo calendário nacional da modalidade. O primeiro contato abriu caminho para que a cidade passasse a ser considerada para sediar o Troféu Brasil.

Segundo a presidente da Federação Gaúcha de Patinagem e conselheira da CSB, Andréa Costa Leindecker, a ideia chegou a ser discutida para o ano passado, mas a necessidade de organização e investimentos levou a competição para Santos (SP). O trabalho, porém, continuou e resultou na edição deste ano em Santa Cruz. “Fizemos um projeto para buscar apoio da Prefeitura, porque para realizar um evento desse porte existe uma série de investimentos relevantes. E deu certo”, explica.

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O Troféu Brasil é realizado pela CSB no segundo semestre de cada ano e complementa o Campeonato Brasileiro, normalmente disputado no primeiro semestre. Diferentemente de competições internacionais, a edição em Santa Cruz é exclusivamente nacional. O Rio Grande do Sul aparece com o maior número de patinadores, seguido por São Paulo. Santa Cruz, por sua vez, ocupa posição de destaque dentro da modalidade no Estado.

A dimensão da competição também pode ser percebida fora das pistas. O movimento de atletas e acompanhantes se estende desde as primeiras horas da manhã até a noite. Além das provas oficiais, o Pavilhão 2 do Parque da Oktoberfest é utilizado para treinamentos extras das equipes. “Os treinos começam às 5h30 da manhã e, quando terminam as competições, o pessoal fica até meia-noite, uma hora da manhã treinando também. Então o movimento é enorme”, relata Andréa.

A presença de centenas de visitantes representa impacto direto para hotéis, restaurantes, comércio e demais serviços. Famílias acompanham os atletas durante os dias de competição, ampliando a circulação de pessoas pelo município. Para Andréa, a escolha de Santa Cruz também se explica pela estrutura oferecida aos visitantes. “Para a cidade é muito bom. O pessoal que vem ama Santa Cruz, uma cidade que oferece uma rede hoteleira muito bacana, alimentação, turismo. Todo mundo que chega aqui diz: ‘Nossa, eu moraria aqui’.”

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Capacidade para receber visitantes

Bruna Karnopp, da BK Patinação Artística, foi uma das responsáveis pela organização local. Segundo ela, a intenção desde o início era trazer uma competição nacional para Santa Cruz justamente pelo potencial de mobilização. O Campeonato Brasileiro chegou a ser considerado, mas não havia mais espaço no calendário. “Nós fizemos reuniões aqui na Prefeitura e pensamos em trazer o Troféu Brasil com o objetivo de divulgar e movimentar a cidade”, afirma.

A escolha também beneficia diretamente os atletas locais. Santa Cruz possui quatro escolas de patinação– Insignia, Clube Patins Sul, Deslize e BK – e mantém uma tradição de formação de competidores que avançam para torneios nacionais e internacionais. “Temos muitos atletas que viajam muito para as competições e, desta vez, poderão competir em casa, o que é muito bom para eles”, ressalta Bruna. A força da modalidade no município ficou ainda mais evidente com a recente convocação para o Campeonato Sul-Americano, que terá santa-cruzenses entre os representantes brasileiros.

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Além do aspecto esportivo, a realização do Troféu Brasil reforça a capacidade de Santa Cruz do Sul de sediar eventos de grande porte e receber visitantes de diferentes regiões do País. Para Andréa, a competição representa também a materialização do trabalho desenvolvido diariamente por atletas, famílias, técnicos e entidades. “São pessoas vindas de várias regiões do Brasil. É o momento que representa também o resultado do trabalho diário, do envolvimento familiar e dos técnicos que formam talentos”, resume a dirigente.

Iuri Fardin

Iuri Fardin é jornalista da editoria Geral da Gazeta do Sul e participa três vezes por semana do programa Deixa que eu chuto, da Rádio Gazeta FM 107,9. Pontualmente, também colabora nas publicações da Editora Gazeta.

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