Multiplicam-se as farmácias na cidade. Andando pelas ruas centrais, encontra-se uma drogaria (ou mais) a cada quarteirão. Por vezes, quase uma ao lado de outra. Além disso, elas parecem cada vez maiores e diversificadas, como se estivessem em processo de transição para minimercados. Algumas oferecem chocolates, doces e outros itens um tanto inesperados.
Também há um aumento na quantidade de templos religiosos. O último Censo do IBGE, em 2022, revelou que existem no Brasil mais igrejas do que escolas e estabelecimentos de saúde (hospitais, unidades básicas e outros).
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São 579,7 mil estabelecimentos religiosos frente a 264,4 mil escolas e 247,5 mil estruturas de saúde no País. Ou seja: em média, 286 igrejas para cada 100 mil habitantes. Lembrando que o termo “religioso” não se refere só a templos cristãos ou evangélicos. O IBGE inclui nessa categoria qualquer espaço de culto, como sinagogas, terreiros e quantos mais houver.
Então, quando um empreendimento fecha em algum lugar, pode-se prever que o espaço será ocupado por uma farmácia ou um templo. Isso significa que hoje estamos mais doentes ou mais religiosos (ou as duas coisas ao mesmo tempo, o que não é tão raro assim)?
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Se há algo comum entre drogarias e igrejas, é que tanto uma como outra têm uma função: curar ou aliviar dores. No primeiro caso, no corpo; no segundo, na alma. E os mal-estares e enfermidades cruzam-se, interagem, uma dimensão afetando outra e vice-versa (como nas doenças psicossomáticas).
E é de se perguntar quantos desses transtornos não seriam artificialmente produzidos, para que a humanidade esteja sempre no limite. Pessoas em paz consigo mesmas, espiritualmente estáveis, não são facilmente influenciáveis. Elas não sentem necessidade, por exemplo, de entrar em guerra com ninguém. Para tanto, precisa-se de material humano com os nervos em frangalhos, gente instável e insatisfeita que, ao sabor de estímulos, possa ser levada de um lado a outro. Ou de um inimigo para outro.
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Lembro de um filme do início dos anos 2000, “As Harmonias de Werckmeister”, inspirado em romance do húngaro Lázló Krasznahorkai (Nobel de Literatura em 2025). Em uma cidadezinha pacata no interior de incerto país europeu, a caravana de um circo chega e se instala entre os moradores. Mas não vem trazer palhaços para que o público ria e alivie suas preocupações. Pelo contrário.
A principal atração é uma figura sombria conhecida como Príncipe, que usa o picadeiro para fazer discursos incendiários. Ele avisa que a cidade corre grave perigo, sob a ameaça de inimigos malignos. Que, curiosamente, não existiam antes que o circo sem sorrisos chegasse. Com pavor, o público adoece. Gravemente.
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