Poucas atividades são tão fundamentais à vida humana quanto o sono. Ainda assim, poucas parecem tão ameaçadas pela dinâmica da sociedade contemporânea. Em uma época marcada pela aceleração permanente, pela hiperconectividade e pela valorização quase compulsiva da produtividade, dormir deixou de ser percebido como necessidade biológica essencial para ser tratado, muitas vezes, como obstáculo à eficiência.

Nesse contexto, o sono se torna um dos primeiros alvos da lógica do desempenho. Horas de descanso podem ser percebidas como horas improdutivas. Multiplicam-se discursos que exaltam jornadas extenuantes, rotinas sem pausas e a suposta virtude de dormir pouco. A privação do sono deixa de ser encarada como problema e passa a ser apresentada como demonstração de comprometimento.

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O paradoxo é evidente. Enquanto a cultura da produtividade estimula a redução do descanso, a ciência acumula evidências sobre sua importância. Durante o sono, o organismo realiza processos essenciais de reparação celular, regulação hormonal e consolidação da memória. É nesse período que o cérebro organiza informações adquiridas ao longo do dia – descartando a maioria delas –, fortalece conexões neurais e elimina resíduos metabólicos potencialmente prejudiciais ao sistema nervoso.

Os benefícios fisiológicos são amplamente documentados. Uma rotina adequada de sono contribui para o equilíbrio do sistema imunológico, reduz o risco de doenças cardiovasculares, auxilia no controle metabólico e favorece a estabilidade emocional. Dormir bem melhora a capacidade de concentração, o raciocínio, a tomada de decisões e até mesmo a criatividade. Em outras palavras, o sono não interrompe a produtividade; ele constitui uma de suas condições fundamentais.

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A chamada higiene do sono surge justamente como tentativa de reconstruir limites que a vida contemporânea insiste em dissolver. Reduzir a exposição a telas antes de dormir, manter horários regulares, controlar a iluminação do ambiente tanto antes de deitar quanto logo após despertar são atitudes fáceis de encaixar na rotina e capazes de melhorar significativamente a qualidade dos dias.

Não custa lembrar que o sono não é tempo perdido. É o período em que o organismo recupera sua capacidade de funcionar plenamente. Mais do que uma necessidade fisiológica, constitui uma condição indispensável para a saúde, para a autonomia intelectual e para a própria qualidade de vida. Em uma época que valoriza a aceleração acima de tudo, talvez seja necessário recordar uma verdade elementar: nenhuma máquina opera indefinidamente sem manutenção. O ser humano tampouco.

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Guilherme Andriolo

Nascido em 2005 em Santa Cruz do Sul, ingressou como estagiário no Portal Gaz logo no primeiro semestre de faculdade e desde então auxilia na produção de conteúdos multimídia.

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