Originária dos Andes, a batata foi levada para a Europa por espanhóis. Na alimentação dos alemães foi introduzida por ordem de Frederico II, lá pelos idos de 1700, em decorrência de uma grave escassez de alimentos. No entanto, “Was der Bauer nicht kennt, frisst er nicht” – “o que o colono não conhece, não come” diz um ditado. Até então cultivada como planta ornamental, o consumo da batata precisou ser imposto aos alemães e a desobediência, punida, para aprenderem a comer batata.
Não somente aprenderam, como também cultivam uma imensa variedade de batatas (em torno de 150) e múltiplas formas de preparo. Mesmo na literatura alemã está presente. Textos de Goethe, Schiller, Heine, Sachs, Ringelnatz, Kästner, Rilke, Grass, mencionam ou mesmo reverenciam a batata. Em diversas obras de Goehte ela está presente. Dele cito para ilustrar: “Morgens rund, mittags gestampft, abends in Scheiben – dabei soll’s bleiben. Es ist gesund.” – “Redonda de manhã, amassada ao meio-dia, fatiada à noite – assim deve ser. É saudável.”
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A batata também está presente em textos de humor, como em Kartoffelsalat, escrito por Hartmut Müller. O diálogo me faz lembrar um dito popular: “Teimoso é quem teima com alemão”. E quando um alemão teima com a sua Frau? Vejamos:
“Er: -Was gibt’s denn zu essen? Sie:- Kartoffelsalat. Er: -Was – schon wieder? Sie: -Schon wieder – wieso? Er: -Es gab doch erst gestern Kartoffelsalat. Sie:- Ja, aber heute gibt’s anderen. Er: -Anderen? Was heisst anderen? Sie:- Ich meine, nicht von den gleichen Kartoffeln. Er:- Wieso? Hast du neue gekauft? Sie: -Nein. Ich habe doch gestern erst fünf Kilo gekauft. Er:- Wieso sind es dann nicht die gleichen Kartoffeln? Sie:- Weil’s andere sind. Er:- Hör mal – hast du Kartoffelsalat gemacht, ja oder nein? Sie: – Ja. Er: -Und hast du den Kartoffelsalat von Kartoffel gemacht, ja oder nein? Sie:- Natürlich! Sonst wär’s ja kein Kartoffelsalat. Er:- Eben! Und hast du die Kartoffeln für den Kartoffelsalat von den Kartoffeln genommen, die du gestern gekauft hast – ja oder nein?- Sie: Ja. Er:- Folglich ist’s der gleiche Kartoffelsalat wie gestern. Sie:- Unmöglich. Er:- Wieso unmöglich? Sie:- Den Kartoffelsalat von gestern haben wir aufgegessen. Er:- Na und? Sie:- Folglich kann dies nicht der gleiche Kartoffelsalat sein. Er: – MEIN GOTT!”
Ele: – O que tem para comer? Ela: – Salada de batata. Ele: – O quê? De novo? Ela: – De novo? Como assim? Ele: – Nós comemos salada de batata ontem. Ela:- Sim, mas a de hoje é outra. Ele: – Outra? Como assim, outra? Ela:- Quero dizer, não foi feita com as mesmas batatas. Ele: – Como assim? Você comprou batatas novas? Ela: – Não. Eu acabei de comprar cinco quilos ontem. Ele: – Então como não são as mesmas batatas? Ela: – Porque são outras. Ele: – Escuta, tu fizeste salada de batata, sim ou não? Ela: – Sim. Ele: – E tu fizeste a salada de batata com batatas, sim ou não? Ela: – Claro! Senão, não seria salada de batata. Ele: – Exato! E tu usaste as batatas que compraste ontem para fazer a salada, sim ou não? Ela: – Sim. Ele: – Então, é a mesma salada de batata de ontem. Ela: – Impossível. Ele: – Por que impossível? Ela: – Nós comemos a salada de batata de ontem. Ele: – E daí? Ela: – Portanto, esta não pode ser a mesma salada de batata. Ele: – MEU DEUS!
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Agora você que acaba de ler deve estar sacudindo a cabeça e mandando o cara “plantar batatas” ou, como diria minha amiga Sonia: “Vai rachar uma lenha!”. Espera, ainda não é tudo. Lembrei de mais um texto de humor voltado para a temática da batata:
“Ein Bauer muss wegen Diebstahl ins Gefängnis. Die Bäuerin schreibt ihn:” Glaub bloß nicht, das ich den Kartollacker alleine umgrabe.” Der Bauer schreibt zurück: “Hände weg vom Kartoffelnacker! Da ist doch die Beute drin!” Eine Woche später schreibt die Bäuerin zurück:” Jemand im Gefängnis muss deinen Brief gelesen haben. Gestern waren viele Polizisten hier, sie haben den ganzen Acker umgegraben. Gefunden haben sie nichts.” Der Bauer schreibt:” Bestens, jetzt kannst du die Kartoffeln setzen.”
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Um colono foi preso por roubo. A esposa dele escreve para ele: “Tu não pensas que vou lavrar a lavoura de batatas sozinha”. O colono responde: “Tira as mãos da lavoura de batatas! É lá que está o dinheiro roubado!” Uma semana depois, a esposa escreve de novo: “Alguém na prisão deve ter lido tua carta. Ontem, vários policiais estiveram aqui; eles reviraram a lavoura inteira. Não encontraram nada”. O colono responde: “Perfeito, agora tu podes plantar as batatas”.
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