Ângela, Ailson, Armindo, Noeli e Evelin: três gerações que sucederam o colonizador Inácio Hochscheidt | Foto: Pamela Silva
Quando Inácio Hochscheidt chegou ao Brasil, ainda com nove anos, fugindo da guerra na Alemanha, junto com a família, não fazia ideia do legado que deixaria para suas futuras gerações. Ele e os quatro irmãos viajaram por meses, mar a dentro, com os pais e os avós, até chegarem em solo brasileiro. Quem lembra resumidamente essa história é um de seus descendentes, o neto Armindo, hoje com 81 anos. Ele conta que, com o passar dos anos, seu avô foi o único da família a se instalar na região atualmente conhecida como São Martinho, há cerca de 42 quilômetros de centro de Santa Cruz do Sul.
O nome, aliás, foi uma homenagem ao santo padroeiro de Briedel, a cidade alemã na qual viviam. Desde que o avô desbravou as novas terras e delas tirou o sustento para a família, uma verdadeira herança de amor e pertencimento se fez. As quatro gerações que o sucederam seguem, até hoje, direcionadas ao cuidado da terra. “Sempre gostei daqui, de mexer na terra. Meu avô e meu pai (João) me ensinaram.
LEIA MAIS: Dia do Colono & Motorista: um produz, e o outro transporta
Publicidade
Eles sempre gostaram de trabalhar com isso aqui”, afirmou Armindo. Por isso, nunca quis morar em outro lugar. “A vida é boa aqui. A gente sempre foi feliz”, conta ele, com a concordância da esposa Noeli, de 75.
Juntos, eles deram continuidade ao legado de Inácio, passando esse mesmo sentimento de orgulho e pertencimento ao filho, Ailson, de 54, à nora Ângela, 54, e aos netos, Eliezer, de 24, e Evelin, 19.
Dos quatro filhos de Armindo e Noeli, Ailson foi o que voltou a morar no interior. “Chegamos a morar na cidade por alguns anos, mas voltamos para fazer companhia para o meu pai. Ele nunca quis deixar a propriedade”, lembra Ailson, que hoje segue cultivando 50 mil pés de fumo e mantendo a área de 20 hectares da família. Tanto Ailson quanto Armindo consideram que o pioneiro Inácio se orgulharia de tudo o que construíram ao longo dos anos.
LEIA TAMBÉM: Das lavouras para as estradas, Elui Oliveira nutre o orgulho pela nova profissão
Publicidade
Embora o futuro ainda seja incerto, no que se refere a incentivos para que os jovens possam permanecer no interior, Ailson espera que os filhos sigam na atividade. Apesar de todas as dificuldades vencidas desde a chegada à região, como conviver sem energia elétrica, os primeiros descendentes de Inácio aprenderam, essencialmente, a valorizar e respeitar a terra. “A maior lição de vida foi tirada da terra. Aprendi a cuidar e não só a tirar dela”, afirmou Ailson.
Outros hábitos trazidos pelos colonizadores e que seguem preservados são o envolvimento comunitário e a disposição de ajudar a vizinhança e as pessoas próximas. Ailson e Ângela, por exemplo, integram a diretoria da comunidade Sagrado Coração de Jesus, de São Martinho, e organizam as quermesses.
LEIA AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO PORTAL GAZ
Publicidade
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!
This website uses cookies.