Jasper

A sala de aula como ringue

Pais e professores sempre foram figuras inatacáveis na minha infância. Mesmo na adolescência, período em que floresce a rebeldia, a desobediência, eles ocupavam o lugar mais alto na galeria de exemplos de conduta e respeito. A reverência aos mestres foi resultado da educação que recebi em casa, marcada pela rigidez – às vezes exacerbada – baseada na mais absoluta consideração aos mais velhos e autoridades.

Em plena era da tecnologia, essa imagem está comprometida. Proliferam denúncias de agressão, dentro e fora da sala de aula. Levantamentos elaborados por diversas instituições de ensino revelam que 47% dos professores relatam ser intimidados ou abusados verbalmente por alunos, como uma fonte de estresse, ante uma média global de cerca de 18%.

A violência contra educadores voltou ao debate depois da revelação do caso da professora Michele Ramos, de São José dos Campos (SP). Ela registrou boletim de ocorrência depois que alunos colocaram uma lâmina de vidro em seu copo d’água durante a aula, em uma escola municipal. Esse episódio ganhou as manchetes e o tema voltou à ordem do dia das discussões.

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Aqui mesmo, no Rio Grande do Sul, agressões a professores, cometidas por alunos e pais, com frequência vêm a público por denúncias da imprensa. A situação é ainda mais grave pois envolve os responsáveis por educar os filhos, aqueles que deveriam ensinar pelo exemplo. 

A omissão dos pais também é fator responsável por parcela significativa dessas agressões registradas no ambiente escolar. O processo educativo parece ser uma tarefa cansativa para muitos pais, e não apenas para os professores sobrecarregados e geralmente mal pagos. 

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Proliferam queixas de que o cansaço e o estresse resultante da jornada de trabalho impedem de participar mais ativamente do cotidiano da escola dos filhos. É comum constatar que muitos pais e mães nem sequer conhecem o nome dos professores, dos colegas ou mesmo dos melhores amigos de seus herdeiros.

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Alguns especialistas advertem para a necessidade de atuali-zar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), implementado em 1990. “A criança e o adolescente daquela época são muito diferentes de hoje”, argumenta Ana Carolina Soares, advogada do Centro de Professores Paulista. Acrescenta que é preciso estabelecer algum tipo de limite para o aluno dentro da unidade escolar, em proteção aos professores. Defende ainda a corresponsabilização dos pais.

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A psicóloga da PUC-SP Renata Paparelli observa que os professores estão entre as categorias profissionais que mais se afastam do trabalho por problemas de saúde mental. É hora de adotar medidas efetivas, sob pena de agravar a situação lamentável que se vê no ambiente escolar.

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