Regional

Comunidade mantém tradição do bolão de mesa em Sinimbu

O sábado, 4, amanheceu sob um frio intenso no Estado. No entanto, dentro do salão da Comunidade Evangélica, no centro de Sinimbu, o clima era de calor humano, nostalgia e celebração. A realização da Deutsches Koloniefest marcou a abertura oficial do 7º Torneio Municipal de Bolão de Mesa, evento promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação, Cultura e Turismo, voltado ao resgate, à preservação e à valorização da identidade e da herança germânica do município.

Muito mais do que uma simples competição esportiva, o encontro serviu como testemunho vivo da resiliência das comunidades, tanto da área urbana quanto das localidades rurais, e do poder da convivência comunitária que atravessa gerações.

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O torneio reuniu 16 sociedades de damas fundadas ao longo de décadas de história, com origens que remetem a anos como 1937, 1949, 1951 e até mais recentes, na década de 2000. Elas representam a força feminina na manutenção dos costumes herdados dos imigrantes alemães. O momento solene dos jogos foi oficialmente aberto com o juramento conduzido por Osilane Nicknig, presidente da Sociedade de Damas Integração da Escas.

No juramento, ela guiou as demais no compromisso de “competir com lealdade, respeitando as regras estabelecidas, fazer desses jogos uma forma de integração cada vez maior entre toda a comunidade sinimbuense e transmitir as tradições germânicas herdadas dos nossos antepassados para as gerações futuras.”

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Esse espírito de dedicação é personificado por Nelsita Bender, de 77 anos. Integrante da Sociedade de Damas Rainha da Serra desde os 25 anos, dona Nelsita enfrentou as dores na coluna e o frio rigoroso para comparecer ao evento. “Faço questão de participar”, afirmou com convicção.

Competitiva e apaixonada pelo esporte, ela confessa que, embora brinque dizendo que “às vezes joga bem, às vezes joga mal”, a sua meta é sempre se divertir, sem deixar de lado o desejo de vencer. A Sociedade Rainha da Serra nasceu em 1949, em outra localidade com o nome de Flor de Maio e há muito tempo está sediada em Linha Branca, a cerca de 25 quilômetros do Centro.

Nelsita: “Faço questão de participar”. Foto: Inor Assmann

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A entidade ilustra os desafios enfrentados pelas comunidades do interior, como o envelhecimento da população e a redução do número de jovens nas localidades. Presidida pela quarta vez por Nerci Marquardt, de 52 anos, a entidade conta atualmente com 30 integrantes, mas apenas dez puderam comparecer ao evento.

Segundo Nerci, a ausência de novas integrantes é reflexo da escassez de juventude na localidade. Ela lembra que até mesmo a sociedade de atiradores masculina deixou de existir. Também relembra com saudade dos tempos antigos, quando o ônibus, custeado pela própria entidade, ia lotado para os eventos. Para apoiar e integrar todos os grupos, unindo as localidades e o Centro, a administração municipal disponibilizou cinco linhas de transporte gratuito.

Nerci, da Sociedade Rainha da Serra. Foto: Inor Assmann

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Celebração e resistência cultural

Durante a solenidade, o prefeito Wilson Molz reforçou a importância de manter acesa a chama cultural, expressou forte gratidão e fez elogios à energia das participantes, destacando que a persistência dessas mulheres é o que impede a cultura local de desaparecer. O vereador Ricardo Dittberner também deixou um agradecimento especial a quem assume a liderança de suas comunidades para evitar que essas ricas tradições se percam.

Após as falas oficiais, as delegações deixaram de lado o frio e deram início às acirradas e festivas rodadas de bolão de mesa, que terão continuidade em agosto, na Sede Wojahn, e em setembro, em Linha São João – Ginásio, até a consagração final em novembro, durante os Jogos Germânicos da Exposin.

Molz: persistência para manter a cultura local. Foto: Inor Assmann

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Escolha das novas soberanas

Um dos momentos mais aguardados da tarde foi a apresentação das quatro jovens que disputam o título de soberanas de Sinimbu. A secretária de Educação, Cultura e Turismo, professora Anita Ana Weigel Brandenburg, coordena o processo de preparação das candidatas.

Em seu discurso, ela ressaltou o orgulho por Sinimbu e a importância daquele momento de integração, frisando que ser soberana vai muito além de usar uma faixa ou coroa. Trata-se de assumir um compromisso de amor, dedicação e responsabilidade em preservar a história e o jeito acolhedor do povo sinimbuense.

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As atuais soberanas – rainha Édina Caroline Henrichsen e princesas Michele Eduarda Bohrz e Jaqueline Vitória Fischer – expressaram gratidão às 16 sociedades presentes, definindo-as como as responsáveis por cultivar e manter viva a história e as raízes do município por meio dos jogos germânicos.

Ao relembrar com carinho o dia em que foram escolhidas, em setembro de 2023, as soberanas destacaram que a trajetória foi rápida, memorável e repleta de amizades que carregarão para o resto da vida.

Anita é a coordenadora da preparação. Foto: Inor Assmann

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Luana Backes

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