A Região Intermediária de Santa Cruz do Sul e Lajeado registrou o maior índice de impactos em arredores de domicílios após as enchentes de 2024. Segundo a Pesquisa Especial sobre as Enchentes (Peers), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 76,5% das residências da região tiveram o seu entorno afetado, superando a média estadual de 68,7%.
No recorte regional, o prejuízo à infraestrutura urbana ficou evidente: 70,6% dos domicílios locais relataram ruas ou rodovias danificadas, alagadas ou interditadas devido ao desastre climático. Por outro lado, o mercado de trabalho regional deu sinais de resiliência. O percentual de moradores com trabalho remunerado na região de Santa Cruz do Sul e Lajeado cresceu de 60,3% no período das chuvas para 61,8% no momento da coleta de dados, acompanhando a tendência de recuperação do Estado.
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A pesquisa do IBGE, realizada em caráter inédito e experimental entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, mapeou os impactos socioeconômicos e a percepção das vítimas em 133 municípios gaúchos através de entrevistas telefônicas.
Política públicas
O auxílio financeiro pago por entes públicos chegou a 484.221 domicílios (20,8% do total), concentrando-se majoritariamente (52,9%) em famílias com renda mensal de até R$ 3 mil. Segundo Juliana Paiva, gerente substituta de Estudos e Pesquisas Sociais do IBGE, a nova metodologia desenvolvida para a Peers servirá de modelo para mensurar impactos de futuros desastres no País. O objetivo é oferecer subsídios rápidos para a formulação de políticas públicas de mitigação, resposta emergencial e recuperação de danos.
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Panorama estadual
Em todo o Rio Grande do Sul, o total de moradores afetados foi estimado em 6,33 milhões, distribuídos por 2,32 milhões de domicílios nas áreas mais atingidas. O levantamento aponta que 14,6% da população precisou mudar de endereço após o desastre – e, para 37,9% desse grupo, a mudança foi motivada diretamente pelas chuvas.
A precariedade habitacional e o sofrimento psicológico também foram quantificados pelo instituto: 88% dos domicílios registraram ocorrências imediatas, principalmente a interrupção de água e luz (66,3% cada); 55,5% dos moradores relataram danos na estrutura física de suas casas; 11,7% das residências foram classificadas como destruídas (3,5%) ou muito danificadas (8,2%); 67,5% dos entrevistados afirmaram que tiveram a saúde mental abalada pelo evento climático.
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