Pesquisadores apontam a importância do Cinturão Verde para o meio ambiente
A riqueza natural de Santa Cruz do Sul nasce de um encontro. Localizada em uma área de transição entre os biomas Mata Atlântica e Pampa, a região reúne características que fazem da fauna e da flora locais um mosaico de espécies. No Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado nesta sexta-feira, 22, o olhar se volta a um patrimônio que, embora esteja presente no cotidiano, depende cada vez mais de ações de preservação.
Professor do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Andreas Köhler explica que a combinação entre os dois biomas é uma das principais singularidades locais. “Temos espécies que representam esses dois biomas e essa mistura é o que faz Santa Cruz do Sul tão única”, afirma. Segundo ele, a presença de áreas preservadas, como o Cinturão Verde e regiões ao longo do Rio Pardinho, cria refúgios importantes para plantas e animais que encontram condições favoráveis para sobreviver.
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O biólogo Paulo Francisco Kuester destaca que essa posição geográfica faz com que Santa Cruz esteja em uma zona estratégica para a conservação. Segundo ele, por estar no limite entre dois biomas, a região concentra espécies raras e endêmicas e abriga organismos que, muitas vezes, encontram uma de suas últimas áreas de ocorrência. “Isso por si só já aumenta muito a biodiversidade local, porque há influência de dois biomas.” Além disso, áreas como o Cinturão Verde, o Rio Pardinho e grandes fragmentos florestais urbanos funcionam como corredores ecológicos que permitem o deslocamento das espécies.
A secretária de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade, Prissila Bordignon, ressalta que a biodiversidade está diretamente ligada ao equilíbrio ambiental. Para isso, diferentes ações e projetos estão em andamento. “Santa Cruz do Sul é referência em arborização, e o município dispõe de vários projetos de preservação ambiental, que incluem tanto o Cinturão Verde quanto o meio urbano”, afirma.
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Ela também cita o levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), divulgado em novembro do ano passado, que apontou Santa Cruz como a segunda cidade do Rio Grande do Sul com os melhores indicadores ambientais, considerando critérios como cobertura de floresta natural e emissões de gases do efeito estufa.
Entre os animais encontrados no Cinturão Verde estão bugios, macacos-pregos, graxains, pacas, veados e tamanduás-mirins. Alguns deles dependem de ambientes mais preservados para alimentação e reprodução. Paulo Francisco Kuester observa que a conexão entre fragmentos de vegetação e até a arborização urbana cria caminhos para manter a biodiversidade local.
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Além da preservação, essas áreas cumprem outro papel considerado essencial: a proteção da própria cidade frente às mudanças climáticas. Segundo o biólogo, respeitar matas ciliares, áreas de várzea e regiões de encosta ajuda a reduzir impactos de eventos extremos. Para ele, preservar a fauna significa proteger processos naturais fundamentais, como dispersão de sementes e polinização.
A preocupação também aparece em grupos menores e menos visíveis. Kohler cita as abelhas sem ferrão como um exemplo claro das mudanças que já podem ser percebidas na região. “Há 20 anos era comum encontrar ninhos em árvores e até em construções. Hoje quase não se encontra mais”, afirma.
Para os pesquisadores, a redução desses insetos evidencia como a biodiversidade está diretamente ligada à forma como o território é ocupado e preservado.
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Encontrado em áreas de mata de Santa Cruz do Sul, o tangará (Chiroxiphia caudata) desempenha papel estratégico na dispersão de sementes. Conhecida pelas danças de acasalamento feitas pelos machos, a espécie costuma ser mais ouvida do que vista no interior das florestas e também se destaca entre observadores de aves.
O quati (Nasua nasua) é uma espécie ameaçada no Estado, mas pode ser encontrado em Santa Cruz. Com hábitos alimentares onívoros, depende de áreas preservadas para sobreviver e atua como importante dispersor de sementes. Costuma viver em grandes bandos, embora machos errantes possam ser vistos sozinhos nas matas.
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No Vale do Rio Pardo, a agricultura familiar também ocupa um papel na conservação ambiental. Extensionista e assistente técnico da Regional da Emater/RS-Ascar de Soledade, Vivairo Zago explica que as características geográficas da região contribuem para esse cenário, especialmente nas áreas de pequenas propriedades e relevo montanhoso.
Segundo ele, municípios como Santa Cruz, Vale do Sol, Sinimbu e Passo do Sobrado possuem grande presença de pequenas propriedades rurais, muitas cercadas naturalmente por áreas de preservação permanente (APPs) e reservas legais. “As pequenas propriedades têm uma característica montanhosa e, consequentemente, conseguem preservar essas áreas. Normalmente possuem até mais áreas preservadas do que o exigido legalmente”, afirma.
Zago destaca que o modelo predominante de agricultura familiar consegue conciliar produção e conservação. Além das APPs, áreas de reserva legal podem ser utilizadas em sistemas agroflorestais, permitindo o cultivo de espécies como erva-mate, cítricos, bananeiras e frutíferas nativas. “Vejo que a agricultura familiar consegue conciliar muito bem a produção agrícola com a preservação.”
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