Na noite da próxima terça-feira, 16, o auditório central da Universidade de Santa Cruz do Sul volta a se transformar no templo da sétima arte para receber o 9º Festival Santa Cruz de Cinema. Enquanto o País entra no clima da Copa do Mundo, na torcida pela Seleção Brasileira, o município recebe cineastas de todo o território nacional que irão mostrar os seus talentos na telona.
Durante três noites, a Mostra Competitiva Nacional exibirá 18 curtas-metragens, selecionados entre as 1.282 produções que se habilitaram para participar. Já a Mostra Olhares Daqui evidencia três trabalhos feitos por profissionais locais. Os filmes nacionais competem pelo troféu Tipuana em 13 categorias, cujos ganhadores serão revelados na sexta-feira, 19.
A programação, entretanto, se consolidou por ir além da sessão de filmes e da formação de público. Em sua nona edição, o festival demonstra que amadureceu como ferramenta para o fortalecimento do audiovisual na região. Com a presença de grandes nomes do setor, o evento aproxima os cineastas locais para gerar negócios e atrair novas produções para a meca do cinema brasileiro.
Publicidade
LEIA MAIS: Festival Santa Cruz de Cinema anuncia os 21 curtas-metragens selecionados
Sucesso no ano passado, o Evento de Mercado retorna para seu segundo ano, tornando-se uma peça-chave na programação do 9º Festival Santa Cruz de Cinema. Enquanto o auditório central da Unisc recebe entusiastas do audiovisual para as sessões noturnas, o salão de conferência do Hotel Aquarius sedia a atração voltada à aproximação de cineastas, roteiristas e produtores dos profissionais do mercado.
A iniciativa, realizada em parceria com o Santa Cruz Polo Audiovisual e com apoio institucional do Sebrae, começa na manhã de quinta-feira, 18, com três painéis que visam abordar temas relevantes para o setor. O primeiro terá como tema o futuro do audiovisual independente, a partir dos arranjos regionais e da lei do streaming, que será debatido pelo diretor gaúcho Henrique de Freitas Lima, que possui uma extensa atuação no mercado brasileiro. Ele estará acompanhado da deputada federal Denise Pessoa, a única parlamentar do Estado a presidir a Comissão de Cultura da Câmara, e do diretor de fotografia Edu Rabim, presidente da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul.
Publicidade
A mesa seguinte, “Onde o audiovisual independente encontra as grandes plataformas?”, reunirá representantes dos principais nomes do mercado. Estão confirmados Carla Domingues, gerente-executiva da Vitrine Filmes, distribuidora independente responsável pelo lançamento de O Agente Secreto; Isabella Vidal, produtora-executiva da Gullane, uma das principais produtoras audiovisuais do País, responsável por obras como Carandiru e Bingo – O Rei das Manhãs; e Rodrigo M. Boecker, responsável pela área de criação e conteúdo da Glaz, produtora independente que tem em seu portfólio grandes títulos para o cinema e a televisão, incluindo O Caso Evandro e De Volta aos 15.
O terceiro painel terá como tema “Política e relacionamento para negócios”. A mesa será composta por Zeca Brito, secretário de Cultura de Bagé, diretor artístico do Noronha2B e Festival da Fronteira; Nicolas Piccato, Adido Audiovisual da França no Brasil; Jaqueline Marques de Souza, secretária de Turismo de Santa Cruz; Cesar Miranda Ribeiro, presidente do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ); e Sofia Ferreira, diretora do Instituto Estadual de Cinema (Iecine-RS).
Publicidade
O último dia do Evento de Negócios, sexta-feira, 19, será marcado pela apresentação de projetos audiovisuais. Ao todo, oito foram selecionados: Lança filmes, Vento Leste, Akom Studio, Mamaliga films, Umbra Filmes, Bactéria Filmes, Sala Filmes e Osso do Peito Filmes. Eles serão analisados por Leo Garcia, roteirista e diretor-geral do Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre (Frapa); Camila Agustini, roteirista e consultora de roteiros graduada pela EICTV (Cuba); e Roger Lerina, jornalista cultural e integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).
Na avaliação de Diego Tafarel, organizador do festival, a iniciativa se consolida no segundo ano, complementando a programação com atividades voltadas aos negócios, à construção de relacionamentos e ao desenvolvimento econômico do setor audiovisual. “Criamos um evento bastante forte, permitindo aproximar os produtores do mercado para fechar negócios e movimentar a economia. É uma maneira de lembrar que a cultura, além de ser arte, é um negócio que gera renda e empregos, além de desenvolver a região.”
LEIA MAIS: Festival Santa Cruz de Cinema registra recorde com 1.282 produções inscritas
Publicidade
Tafarel acrescenta que o Evento de Negócios contribui para o fortalecimento da região por meio da ampliação de acesso a recursos e oportunidade e da formação contínua, fomentando o aprendizado e a qualificação dos profissionais. Conforme o cineasta, integrante da Pé de Coelho, isso é fundamental para tornar as produções locais mais competitivas em âmbito estadual e regional.
“Apesar de a região estar se destacando no audiovisual, precisamos crescer ainda mais. Estamos distantes das principais produtoras. E o evento chega para preencher essa lacuna gerada pela distância física.” Ele enfatiza que as perspectivas são excelentes, a partir das tratativas, para os próximos anos.
Passados nove anos, o Festival Santa Cruz de Cinema evoluiu, ampliando a sua projeção natural e aumentando significativamente o número de inscrições, que, ano após ano, se superam. Prova disso é que, neste ano, 1.282 produções se habilitaram para participar da mostra competitiva, aumento de 57% em relação ao ano anterior, de 841, que havia sido a maior até então.
Publicidade
LEIA MAIS: Festival Santa Cruz de Cinema exibe curtas-metragens para alunos; veja como participar
Contudo, apesar das transformações, os organizadores ressaltam que a essência do evento permanece a mesma: a missão de aproximar o público do cinema brasileiro, proporcionando a aproximação entre cineastas e comunidade, e estimular o desenvolvimento do audiovisual na região.
Na avaliação de Leonel Aires, integrante da organização, o festival conquistou reconhecimento junto ao setor, ampliando a presença no cenário nacional e atraindo um volume de produção cada vez maior. Ainda assim, permanece como principal compromisso a valorização do cinema nacional e do audiovisual como uma ferramenta de reflexão, formação e desenvolvimento cultural.
A renovação da programação, segundo Aires, acontece de forma natural a cada ano, impulsionada pelos próprios filmes, por convidados e debates. Tal crescimento, no entanto, não veio sem novos desafios, trazendo maior responsabilidade para a curadoria.
LEIA TAMBÉM: Apae de Santa Cruz obtém premiação e vai ao Estadual em festival cultural
“Com um número cada vez mais expressivo de obras inscritas e o aumento da visibilidade nacional do evento, temos que buscar, ainda mais, construir uma seleção que represente a diversidade estética, temática e regional do cinema brasileiro contemporâneo”, aponta.
Diante disso, a proposta para a nona edição foi equilibrar diferentes olhares, linguagens e experiências cinematográficas. O intuito é de oferecer ao público um panorama qualificado da produção nacional atual sem perder de vista a identidade que o festival consolidou em sua trajetória.
Rudinei Kopp, que também integra a organização, destacou que um dos pilares do festival é a formação de público, apresentando à comunidade – especialmente a estudantes – o acesso a curtas-metragens, mostrando inúmeras formas de ser brasileiro por meio do audiovisual.
LEIA TAMBÉM: Steven Spielberg procura pela verdade
O crescimento do evento também é percebido no interesse despertado entre produtores e cineastas de todo o País. Segundo Kopp, a disputa por espaço na Mostra Nacional tornou-se mais acirrada à medida que o evento amadureceu e passou a ser desejado por realizadores de diferentes regiões. “O aumento expressivo no número de inscrições nesta edição reforça essa percepção e evidencia o reconhecimento conquistado pelo festival no circuito audiovisual brasileiro”, afirma.
Para a agente de programas sociais do Sesc, Lisiane Camargo, que participa da organização desde a primeira edição, a evolução pode ser medida tanto pelo aumento da visibilidade quanto pelo fortalecimento das parcerias. Integrante da curadoria, Lisiane afirma que a qualidade dos filmes recebidos neste ano elevou o desafio na escolha dos curtas participantes das mostras.
O processo, segundo ela, exigiu uma análise minuciosa que avaliou critérios técnicos e sensibilidade artística, demandando tempo para que cada produção fosse apreciada com a atenção necessária. “Teve vários em que ficamos com aquela dor no coração por ficarem de fora”, comenta, salientando o alto nível das produções inscritas.
LEIA TAMBÉM: Circuito Sesc de Literatura promove encontro com a escritora Morgana Kretzmann
Marcela Schild Pereira, que também atua na organização, destacou que o crescimento também ajudou a consolidar Santa Cruz como um local associado ao audiovisual. Ressalta que o festival estimula a produção local e fortalece a percepção do cinema como desenvolvimento econômico. “Hoje, Santa Cruz do Sul já é vista como uma cidade que faz cinema”, afirma.
O impacto do evento é percebido na economia local. O diretor do Sesc Santa Cruz, Fabrício Gianezini, avalia que a iniciativa movimenta hotéis, restaurantes, comércio e serviços durante a semana de programação. Destaca ainda que o Festival Santa Cruz de Cinema é atualmente o único evento da área apoiado pelo Sesc no Rio Grande do Sul, tornando-se referência para outras cidades interessadas em desenvolver projetos semelhantes. “A cidade ganha, o cinema ganha, as pessoas ganham, o comércio ganha”, resume.
TERÇA-FEIRA, DIA 16
QUARTA-FEIRA, DIA 17
QUINTA-FEIRA, DIA 18
2º Evento de Mercado
SEXTA-FEIRA, DIA 19
LEIA MAIS DO FESTIVAL SANTA CRUZ DE CINEMA
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!
This website uses cookies.