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"DIA D"

Steven Spielberg procura pela verdade

Em cartaz no Cine Santa Cruz, Dia D marca a volta do cineasta Steven Spielberg aos cinemas após um hiato de quatro anos. O diretor retorna a um tema familiar: extraterrestres. 

À beira da Terceira Guerra Mundial, o mundo está colapsando. É nesse contexto que o especialista em segurança cibernética Daniel Kellner rouba um misterioso artefato e milhares de arquivos que comprovam não somente a existência de vida fora da Terra, mas também o contato com os humanos ao longo de sete décadas, desde o incidente em Roswell, Novo México, em 1947. 

Disposto a revelar o segredo à humanidade, Daniel passa a ser caçado por uma organização ligada ao governo norte-americano que atua para ocultar a verdade da população. Enquanto isso, a apresentadora da previsão do tempo Margareth Fairchild choca a todos ao falar, ao vivo, uma linguagem misteriosa que apenas Daniel consegue entender. Unidos por uma forte ligação telepática, os dois se encontram e passam a trabalhar juntos na tentativa de expor ao mundo que não estamos sozinhos.

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A jornada para desvelar a verdade é o destaque do longa-metragem, evidenciando a visão do cineasta a respeito do mundo contemporâneo. Não é de hoje que Spielberg utiliza a sétima arte para isso: em Minority Report (2002), sobre um futuro utópico no qual os crimes são impedidos antes de acontecerem, faz uma crítica contundente ao Ato Patriótico, aprovado em 2001, que permitia ao governo norte-americano prender suspeitos sem julgamento. Já em Ponte dos Espiões (2015), evidenciou os efeitos da polarização política, enquanto em The Post – A Guerra Secreta (2017), reiterou a importância da imprensa livre.

Em Dia D, os arquivos sobre os extraterrestres tornam-se uma metáfora do contexto político norte-americano. Há, intencionalmente (ou não), uma conexão com os documentos acerca do caso do bilionário Jeffrey Epstein – criminoso sexual condenado e morto em 2019 – que envolvem o presidente Donald Trump e o que o governo tenta esconder a todo custo.

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Na era da pós-verdade, a obra de Spielberg reforça a informação como um dos pilares da democracia, permitindo aos cidadãos entender a realidade e tomar decisões conscientes. Evidencia também as consequências de viver em um mundo no qual a verdade pertence a um pequeno grupo que está indisposto a compartilhá-la.

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Apesar da relevante mensagem, Dia D desanda justamente no aspecto mais importante: a história. Criado pelo próprio diretor e roteirizada por David Koepp, parceiro de longa data, o texto se esforça para soar complexo, mas peca em diálogos rasos e situações convenientes. Em uma ficção sobre extraterrestres, é quase um crime que a suspensão da descrença do espectador seja abalada por momentos inverossímeis, especialmente para manter os protagonistas a salvo até o final.

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Resta a Spielberg usar o seu talento para desenvolver o clima de suspense e mistério, além de momentos emocionantes. O filme combina elementos vistos ao longo da filmografia do cineasta, que já dura mais de meio século, com referências diretas a clássicos, incluindo Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T., Minority Report, Jogador Número Um e outros. 

O excesso de elementos e situações questionáveis faz com que Dia D seja um filme divisivo. Por se tratar de um dos diretores mais famosos do cinema, trabalhando com um tema bastante familiar, é natural haver expectativas bastante altas que poderão não ser atendidas. Uma obra marcante para a contemporaneidade, mas que dificilmente entrará na lista de favoritos do cineasta. De qualquer maneira, a verdade está nas telonas. Cabe ao espectador decidir se deseja conhecê-la ou não.

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Objeto incômodo identificado

A sessão de Dia D no Cine Santa Cruz levanta um debate necessário: a presença incômoda de celulares na sala. Foram recorrentes os momentos em que a exibição foi atrapalhada por pessoas mal-educadas que utilizaram o aparelho, inclusive para fotografar em diversos momentos, prejudicando aqueles que queriam prestar atenção devido ao brilho da tela.  

Vale lembrar o básico: o cinema é uma experiência para ser vivenciada com mais pessoas que, por cerca de duas horas, compartilham reações e sentimentos. E, para isso, é necessário respeito com os demais e empatia. 

O problema é recorrente e levanta debates sobre o que fazer. Para muitos, é necessário que os cinemas tragam de volta os lanterninhas. No entanto, enquanto houver quem ache ter o direito de fazer o que bem entende por ter pago o ingresso, pouco adiantará, diante da falta de educação e de bom senso.

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