Festival Santa Cruz de Cinema

Festival Santa Cruz de Cinema promove oficina para inspirar realizadores audiovisuais

A capacitação de profissionais do audiovisual marcou o segundo dia do 9º Festival Santa Cruz de Cinema. O evento promoveu nessa quarta-feira, 17, no salão de conferências do Hotel Aquarius, uma oficina cinematográfica com especialistas do setor para discutir ideias e especificidades técnicas.

Pela manhã, o diretor-executivo da produtora independente Filmes do Bem, Beto Picasso, e o gerente de marketing e vendas da DZO Film Brasil (referência em equipamentos cinematográficos), Bruno Massao, abordaram as tendências do mercado de imagem. Ferramentas avançadas, como a inteligência artificial, novas linguagens audiovisuais e o comportamento das plataformas independentes também entraram em evidência. À tarde, a oficina pôs em prática as teorias apresentadas pelos especialistas, com o uso de equipamentos, incluindo câmeras e lentes.

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Conforme Massao, a atividade proporcionou ao público uma reflexão sobre um dos elementos mais importantes da construção audiovisual: a escolha das lentes utilizadas. Ele ressaltou que a ótica é responsável por definir grande parte da linguagem visual de um projeto.

Cada obra, segundo o especialista, tem necessidades específicas que exigem uma análise levando em conta aspectos técnicos e orçamentários. E apresentou, durante a atividade, alternativas disponíveis no mercado, incluindo lentes e equipamentos chineses, que hoje competem em qualidade com marcas tradicionais e já estão sendo utilizadas em produções de grande porte.

O interesse dos participantes chamou a atenção do representante da DZO Film Brasil. Com experiência em oficinas, sobretudo voltadas aos profissionais do departamento de câmera, o especialista destacou a diversidade do público interessado em conhecer melhor os processos que envolvem a captação de imagens. Tal engajamento, na sua avaliação, demonstra preocupação em aprofundar os conhecimentos e compreender as escolhas criativas e técnicas para uma produção cinematográfica.

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Legado do festival

Para o representante da Filmes do Bem, Beto Picasso, a oficina é um dos principais legados do festival, pela capacidade de aproximar as pessoas e formar novas parcerias dentro do setor audiovisual. Na sua avaliação, o evento vai além da exibição de filmes, é também uma plataforma para a troca de experiências entre profissionais de diferentes regiões do País. A iniciativa, segundo ele, também contribui para fortalecer a imagem de Santa Cruz no cenário cultural brasileiro, ampliando sua projeção para além dos setores tradicionalmente associados ao município.

O produtor chamou atenção para a democratização das ferramentas de produção audiovisual, o que favorece o surgimento de um número cada vez maior de realizadores independentes. Nesse sentido, menciona o recorde de mais de 1,2 mil filmes inscritos no festival este ano. Incentivou os novos cineastas a investirem na prática e na experimentação e destacou que a persistência continua como um dos fatores que determinam o desenvolvimento profissional.

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Na avaliação do cineasta Alceu Silva, da Faksanto, uma das principais mensagens deixadas pelos convidados foi a valorização do potencial criativo dos realizadores, independente de sua localização geográfica ou dos recursos disponíveis. O mediador reiterou ainda que encontros como os promovidos pelo festival ajudam a mostrar que o caminho no audiovisual exige dedicação e atualização constante, além de evidenciar que há espaço para diferentes trajetórias e vozes no setor.

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Auditório lotado na segunda noite

A segunda noite de exibição dos curtas-metragens lotou o auditório central da Unisc. Parte da Mostra Olhares Daqui, A Salvadora das Florestas, de Letícia Mendes, abriu a sessão com a história cativante de Tutu, uma menina do interior do Rio Grande do Sul que pensa ser a única capaz de salvar a Amazônia da destruição. Com destaque para o elenco mirim, a obra conquistou a plateia.

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A animação Visagens e Visões, do Pará, abriu a Mostra Competitiva Nacional. Em uma viagem noturna, taxista conta a uma jovem passageira histórias extraordinárias de moradores de Belém. O filme gaúcho A Tempestade veio na sequência, apresentando o drama comovente de José, que cria um vínculo com Dara. De Diego Müller (InfiniMundo), a obra se destacou pela atuação do elenco e a história comovente.

Depois foi a vez da comédia VBP – Vacas Brancas Preguiçosas (SP), de Asaph Luccas, sobre uma jovem estudante negra que é alvo de cancelamento. O filme reflete sobre racismo e o impacto das redes sociais no cotidiano.

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O humor também marcou o trabalho seguinte, BelaLX-404 (RJ), sobre um velho rabugento que adquire uma robô-esposa na expectativa de receber uma jovem atraente. O pedido não sai como desejado e lhe é entregue Bela, com aparência de uma mulher de 80 anos. A diretora e roteirista Luiza Botelho aborda temas como etarismo e objetificação em uma ficção memorável.

Já o curta-metragem Manoel e Betinha (RS), de Marta Haas, trouxe o Caso das Mãos Amarradas, sobre a história de um ex-sargento encontrado morto nas margens do Rio Jacuí. Presépio (RJ), de Felipe Bibian, fechou a noite com um marcante drama familiar sobre polarização, violência e conflitos geracionais.

Evento de Negócios

O futuro do setor audiovisual ganha evidência nesta quinta-feira, 18, na programação do 9º Festival Santa Cruz de Cinema com a realização do 2º Evento de Mercado. Ele ocorre na sala de conferências do Hotel Aquarius, é aberto ao público e voltado a idealizadores, gestores públicos, representantes de plataformas e profissionais da indústria. Serão três mesas, que ocorrem às 10h30, 13h30 e 15h30. Entre os temas estão os arranjos regionais de produção, a regulamentação do streaming e os caminhos para a inserção do audiovisual independente nas grandes plataformas de distribuição. 

Já à noite, o auditório central da Unisc recebe a terceira sessão competitiva do festival, a partir das 19 horas. Após a exibição dos curtas-metragens selecionados, o público poderá acompanhar um debate com os realizadores das obras.

Filmes em exibição nesta quinta-feira

Mostra Olhares Daqui

E se Fosse Você? 

Por meio de uma tessitura de caminhos percorridos na busca por saúde mental, revisitam-se momentos e espaços produtores de saúde, enquanto suas histórias são narradas pelos diversos personagens que fazem parte dessa trama. Buscando construir memória, percorre-se os diversos espaços de liberdade capazes de produzir saúde mental, em cenários que embaralham passado, presente e futuro, com suas cenas revisitadas e recontadas, instigando o que para todos nós é uma questão no presente: a saúde mental.

Mostra Nacional

Brasa (SP)

No interior do Brasil, a jovem Analu, de 16 anos, vive com a mãe e o pequeno Dani, de 2. Enquanto faz planos para fugir com o rapaz com quem namora escondido, cercada por silêncios, ela guarda um segredo. O curta-metragem de Diane Maia tem Bárbara Colen (Cinco Tipos de Medo) no elenco e foi selecionado para o Festival do Rio.

O Jogo (RS)

Em um domingo, tensões de classe surgem quando uma patroa exige trabalho excessivo de sua empregada doméstica, gerando um embate. Escrito e dirigido por Alexandre Mattos Meireles e Chico Maximila, o curta-metragem conquistou o prêmio de Melhor Produção/Produção Executiva na Mostra Gaúcha de Curtas durante o 53º Festival de Cinema de Gramado e, mais recentemente, venceu a Mostra Internacional do Festival de Cinema de Fronteira.

Tapando Buraco (AL)

Rosa e Janaína são duas jovens que sobrevivem tapando buracos em uma estrada rural no alto sertão. Além da falta de dinheiro e de perspectivas de futuro, elas enfrentam a escassez de insumos básicos para sua higiene íntima, deparando-se com o preconceito, a falta de informação e os tabus sobre o tema da menstruação. A direção é de Pally e Laura Fragoso.

Cabeça de Boi (MG)

Um espírito francês, perturbado por entidades metade humanas e metade bovinas, vem até Uberaba (MG) para desvendar suas visões. Enquanto divide suas impressões da cidade, o forasteiro conecta a história do terreno de esquina da praça central com a ambígua simbologia da cabeça de boi na capital mundial do zebu, e chega a uma conclusão inesperada sobre os seres que o observam. O longa-metragem de Lucas Zacarias participou do 53º Festival de Cinema de Gramado.

Na Sombra do Set (RS)

Jogados para as sombras, cineastas com deficiência têm sua capacidade negada e são obrigados a criar suas próprias oportunidades dentro do cinema. O filme de Bella Bauer participou da Mostra Universitária do Festival de Cinema de Gramado.

FrutaFizz (SP)

Durante uma brecha na viagem de trabalho ao interior, Mauro, acompanhado de seu colega de trabalho, visita a cidade que marcou sua infância, confrontando memórias distantes que parecem ganhar vida a cada esquina. O filme de Kauan Okuma Bueno, que assina o roteiro ao lado de Anthony França Brown, participou do 53º Festival de Gramado e do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França.

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Julian Kober

É jornalista de geral e atua na profissão há dez anos. Possui bacharel em jornalismo (Unisinos) e trabalhou em grupos de comunicação de diversas cidades do Rio Grande do Sul.

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