O 9º Festival Santa Cruz de Cinema iniciou-se nessa terça-feira, 16, à noite, celebrando a sétima arte brasileira. Com capacidade para 750 pessoas, o auditório central da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) esteve lotado para a abertura, marcada pela sessão dos primeiros curtas-metragens, muitos deles destaques em eventos nacionais e internacionais.
O primeiro filme a ser exibido ao apagar das luzes foi O Pintor, de Victor Castilhos, que integra a mostra Olhares Daqui. Exibido no Festival de Cinema de Gramado no ano passado, o drama, que rendeu o prêmio de Melhor Ator para Igor Costa, acompanha JP, um pintor de casas que sonha em ser um artista e ter um quadro exposto na casa de artes da cidade. A obra foi um excelente ponto de partida para a abertura, evidenciando a qualidade e o talento dos realizadores locais.
LEIA MAIS: Abertura do Festival Santa Cruz de Cinema tem produções premiadas em destaque; conheça os filmes
Publicidade
Já o curta-metragem Girassóis, do Rio de Janeiro, abriu a mostra Competitiva Nacional. Os diretores Jessica Linhares e Miguel Chaves trouxeram uma crítica contundente sobre a jornada de trabalho, sobretudo a escala 6×1, por meio da história de um homem negro idoso sobrecarregado pelo emprego.
Trapo, produção gaúcha, veio na sequência, narrando a história de Léo e a saga para encontrar um novo celular após Manu ir embora da cidade. O retrato da infância e a bela fotografia evidenciam o motivo de o trabalho de João Chimendes ter sido eleito o melhor curta no 53º Festival de Gramado.
Em seguida, foi a vez da animação baiana Como nasce um rio, de Luma Flôres. A obra é uma interessante alusão à descoberta da sexualidade, com um visual deslumbrante e criativo.
Publicidade
LEIA MAIS: Festival Santa Cruz de Cinema abre as portas para o cinema brasileiro
O próximo curta foi Quando eu for Grande, drama sobre uma mãe, Vera, e o filho, Gabriel. Ela lida com a prisão do marido e do outro filho. Diante do medo e incertezas sobre o futuro, Vera quase desmorona ao ser questionada pela criança se, quando crescer, acabará também no cárcere. Uma história densa e bela de Manu Cappu.
Já o documentário gaúcho Concreto Vivo promoveu um importante debate acerca de um direito básico: a moradia. A obra de Amanda Viegas acompanha a rotina de pessoas que ocupam prédios em desuso em Porto Alegre na tentativa de construir seus lares.
Publicidade
O encerramento ficou por conta do comovente Samba Infinito (RJ), de Leonardo Martinelli. A trama acompanha a história de um gari que, em meio ao Carnaval, encontra uma criança perdida e decide ajudá-la. No processo, acaba lidando com o luto pela perda da irmã. Além do excelente elenco, com Camila Pitanga e Gilberto Gil, Martinelli mostra sua qualidade técnica para compor lindas cenas em diferentes cenários, exaltando a beleza do Rio de Janeiro e a cultura brasileira.
Oficina
Nesta quarta-feira, 17, à noite, ocorre a segunda sessão de filmes do 9º Festival Santa Cruz de Cinema. Ela se inicia às 19 horas, com a exibição de mais sete curtas-metragens, seguida pelo debate com os idealizadores, às 21 horas. Para além das sessões dos curtas-metragens no auditório da Unisc, o 9º Festival Santa Cruz de Cinema inclui na programação eventos voltados ao setor audiovisual. O primeiro será nesta quarta, a partir das 10 horas, na sala de conferências do Hotel Aquarius (Avenida João Pessoa, 144, Centro).
Publicidade
O produtor Alceu Silva (Faksanto) media uma oficina cinematográfica sobre carreira e tendências do mercado, com Beto Picasso, diretor-executivo da Filmes do Bem, e Bruno Massao, gerente de marketing e vendas da DZO Film Brasil. A oficina continua à tarde, partir das 14 horas. O evento é gratuito e aberto ao público. As inscrições podem ser feitas neste link.
Filmes em exibição nesta quarta-feira
Mostra Olhares Daqui
A Salvadora das Florestas
Tutu (Mari Severyn), uma menina que nunca deixou a periferia no interior do Rio Grande do Sul, pensa ser a única capaz de salvar a Amazônia das queimadas que acompanha na televisão. Com seu olhar lúdico, veste-se de Salvadora das Florestas e acredita ser uma heroína. O filme, produzido pela Vaquita Cultural, tem roteiro, direção e montagem de Letícia Mendes.
Publicidade

Mostra Nacional
Visagens e Visões (PA)
Durante uma viagem noturna, um taxista conta a uma passageira estranhos casos ocorridos em diferentes bairros e décadas da cidade, transformando perspectivas e crenças da moça sobre a região. A animação conta com as vozes de Carol Magno e Roberto Ribeiro. O roteiro e a direção são de Rod Rodrigues.

A Tempestade (RS)
Em uma área rural isolada, José, idoso e solitário, ganha na loteria. Antes de decidir sobre a fortuna, encontra Dara, uma mulher trans ferida após sofrer uma violência. Entre eles nasce um vínculo de cuidado, reconciliação e pertencimento. O filme é escrito e dirigido por Diego Müller, responsável pelo longa-metragem InfiniMundo, e marcou presença em festivais internacionais.

VBP – Vacas Brancas Preguiçosas (SP)
Após chamar uma colega de classe de “vaca branca preguiçosa”, uma jovem estudante negra entra em uma saga virtual para se livrar de um cancelamento. O roteiro e a direção são de Asaph Luccas.

BelaLX-404 (RJ)
O Sr. William (Thiago Justino), um velho rabugento e solitário, compra uma robô-esposa esperando receber um modelo jovem e atraente. Em vez disso, ele recebe a BELA LX-404 (Lea Garcia), uma robô com aparência de 80 e poucos anos. Enquanto ele tenta devolvê-la, eventos surpreendentes podem ocorrer envolvendo o Sr. William, a BELA LX-404 e Zezinho, o porteiro trans do prédio onde ele mora. Escrito e dirigido por Luiza Botelho, o curta-metragem participou do Festival do Rio e foi indicado ao Prêmio Grande Otelo.

Manoel e Betinha (RS)
O curta-metragem gaúcho de Marta Haas apresenta a história de Manoel Raymundo Soares e Elizabeth Chalupp Soares, desde a união deles nos anos 1950, no Rio de Janeiro, o período de clandestinidade durante a ditadura militar, a prisão e a tortura, até as consequências do desaparecimento e da morte do ex-sargento em 1966, em Porto Alegre. O assassinato de Manoel ficou conhecido como o Caso das Mãos Amarradas pela forma como o corpo foi encontrado, boiando nas margens do Rio Jacuí, com as mãos amarradas às costas.

Presépio (RJ)
No Natal, Dejair tenta convencer sua família do absurdo que é dar uma arma para uma criança. Escrito e dirigido por Felipe Bibian, a obra teve sua estreia no Festival do Rio e tem no elenco Wilson Rabelo, Luciano Vidigal e Suzy Lopes.

LEIA MAIS DO FESTIVAL SANTA CRUZ DE CINEMA
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!