Francisco Teloeken

Francisco Teloeken: “Dia das Mães”

A dinâmica e, cada vez mais, tentadora – algumas vezes, até perversa – economia de consumo consegue transformar datas especiais em sinônimo absoluto de compras. Ou seria o contrário, as datas especiais existem em decorrência do consumo?

Um pouco de história: a homenagem às mães começou na Grécia antiga. No início da primavera, fazia-se uma festa para Rhea, a mãe dos deuses; ela teve um verdadeiro ato de amor ao salvar seu filho Zeus de seu próprio marido, o destronado rei Kronos. Em Roma, no mês de março, acontecia um festival dedicado à Cibele, também considerada mãe dos deuses. A festa era conhecida como Hilária e durava três dias.

Em 1600, a Inglaterra criou sua versão de homenagem às mães, criando o Mothering Day, celebrado no quarto domingo da Quaresma. Nesse dia, os ingleses de classes menos favorecidas tinham um dia de folga para ficar em casa com suas mães.

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Nos Estados Unidos, em 1907, houve uma campanha iniciada pela jovem professora Anna Jarvis e  apoiada por outros jovens, pela instituição do Dia das Mães. Ela queria homenagear a sua mãe e mostrar a importância da figura materna dentro da igreja que frequentava. Depois de ter convencido pastores e chamado a atenção de vários governadores, em 1914, o presidente dos Estados Unidos oficializou a comemoração do Dia das Mães, no segundo domingo de maio.

No Brasil, a comemoração iniciou em 1918, por iniciativa da Associação Cristã de Moços de Porto Alegre. A data só foi oficializada  por um decreto de 1932 do presidente Getúlio Vargas, instituindo oficialmente o Dia das Mães, fixado para o segundo domingo de maio de cada ano.

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Por mais que as profissionais brasileiras tenham conquistado, nos últimos anos, direitos importantes em relação à maternidade, aliando o trabalho e os cuidados com os filhos, infelizmente, 52% das mães afirmaram ter passado por alguma situação desagradável no emprego,  quando estavam grávidas ou voltaram do período do afastamento, conforme pesquisa de vagas.com, pioneira no desenvolvimento de software de recrutamento e seleção.  

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Eram comentários desagradáveis e falta de empatia até por parte de chefes. Para piorar a situação, muitas mães profissionais, após o período de licença-maternidade, ainda enfrentam outras dificuldades, como serem substituídas num cargo  de gerência ou perderem oportunidades de mudar de emprego, de promoção, quando não eram simplesmente despedidas. Um estudo da FGV mostra que metade das mulheres que tem filhos perdeu o emprego em até dois anos depois da licença-maternidade.

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Muitas mulheres superaram constrangimentos, conseguindo conciliar o lado profissional com a maternidade. Para isso, contam com uma rede de apoio, formada por companheiros, familiares, babás e escolas. Mas, as mães solo não contam com essa rede de apoio. Além das dificuldades financeiras, essas mulheres convivem com a carga de trabalho não remunerada, dedicando horas em atividades de cuidado de filhos e afazeres domésticos.

Durante a pandemia da covid-19, obrigadas a ficar em casa, em quarentena com seus filhos em idade escolar, muitas mães perceberam mais as transformações do modelo de home office. Enquanto algumas sentiram-se ainda mais sobrecarregadas e cansadas por terem que conciliar tarefas profissionais com a atenção requerida pelos filhos e afazeres domésticos, outras viram neste modelo a possibilidade de acompanhar mais de perto o crescimento e evolução dos pequenos.

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O Dia das Mães costuma ser a segunda melhor data do ano para o comércio varejista, atrás apenas do Natal. É nessas datas especiais – pior, ainda, se for na última semana ou, até, nas últimas horas que antecedem o grande dia – que o risco de, eventualmente, piorar ainda mais o já comprometido orçamento pessoal ou familiar é grande. O grande perigo é querer demonstrar amor por meio de bens  materiais. Até pode ser, desde que a pessoa ou a família tenham condições financeiras ou, então, planejaram antes a compra.

Além de alguns cuidados básicos na aquisição de presentes – repeitar o orçamento, pesquisar preço, negociar descontos e melhores condições de pagamento, evitar produtos que a mãe não gosta ou não precisa – talvez seja o caso de inovar e dar à sua mãe um presente que lhe garanta uma maior segurança financeira no futuro: compartilhar educação financeira com ela, ajudá-la a elaborar uma planilha de gastos e, num passo adiante, planejar uma estratégia de investimento. É claro que mães praticam e podem ensinar sobre finanças, como, por exemplo, explicar que não dá para comprar tudo ou que “dinheiro não cai do céu”, mas isso pode ser melhorado com o conhecimento de educação financeira.

Uma homenagem, por mais justa e merecida, não pode levar os consumidores ao  descontrole financeiro, com sérias consequências pessoais ou familiares. Nenhuma mãe vai ficar feliz se souber que o presente comprometeu vários meses da renda da própria família com o pagamento de prestações. Definitivamente, o Dia das Mães não pode ser sinônimo de dívidas.

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Mães não são todas iguais. Não só no aspecto físico – nem todas são assim como exibem os comerciais da tv ou na internet –, mas também nos presentes que gostariam de receber – algumas, nem querem – ou na forma como desempenham sua missão de geradoras de vidas. Existem as tradicionais, as que exercem atividades profissionais e/ou de voluntariado, as políticas, as duronas, as boazinhas, as que transmitem princípios e valores ou várias dessas características juntas e misturadas. Infelizmente, tem, também, aquelas mães que, com seus maus exemplos de vida, ensinam a desrespeitar pessoas, não fazer o que pregam em igrejas, quebrar compromissos, consumir drogas,  roubar e até matar.

Não importa a idade, a atividade, a situação sócioeconômica, o abandono ou até a rejeição. Uma vez mãe, sempre mãe, em qualquer situação e sem direito à demissão. Cabe aos filhos, pelo menos nesse dia especial, levar para  a sua mãe o abraço e o beijo de bons filhos. Ou, então, se ela não estiver mais neste plano, dedicar-lhe uma oração ou um momento de reflexão. Em qualquer situação, de alguma forma agradecer à mãe que nos colocou no mundo e dedicou tempo, amor, carinho, cuidado, trabalho, paciência, abnegação, preocupação, torcida para nos criar.

Feliz Dia das Mães!

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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