Jasper

Hábitos que não deveriam sair de moda

Ando “de carona” de Uber todos os dias. Escrevo “de carona” porque um querido amigo de longa data e colega de trabalho passa lá em casa cedinho. Em troca – já que ele não aceita “rachar” a despesa – pago o café na padaria quando botamos o papo em dia logo de manhã.

Essas ocasiões são pródigas para colher histórias do cotidiano, capturadas pela sensibilidade dos motoristas que passam horas a fio em contato com os passageiros. Eles são os verdadeiros “olheiros da vida como ela é”. Para a minha felicidade, alguns são bons observadores e tecem comentários a partir da sua ótica da rotina.

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Esta semana, saindo de uma consulta do otorrinolaringologista para curar uma tosse irritante, tive o privilégio de confabular com um condutor já com idade madura. Gosto de puxar conversa. Como diz a minha filha, “pai, tu não conversa… tu entrevista as pessoas desconhecidas!”. Deve ser consequência do cacoete de repórter. Aprecio o contato humano, a troca de ideias, inclusive as contrárias. Feitas, é claro, com educação e respeito.

Na metade da viagem desta semana– que durou cerca de 15 minutos – concentrei o papo da falta de educação. No trânsito e na vida em geral. Nessa altura da conversa, esperando abrir a sinaleira, seu Luiz virou para trás e comentou com ar de indignação:

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– O senhor sabe de uma coisa? De cada dez casais que entram no meu carro, em oito o homem entra primeiro. Eles sequer são capazes de fazer a gentileza de abrir a porta do carro, deixar a mulher entrar primeiro e ser cavalheiro de verdade! – disparou com a voz alterada.

Disse a ele que com frequência deixo os idosos e as mulheres passarem à minha frente nas filas para pagamentos ou compras. Acrescentei que é comum que muitas pessoas fiquem surpresas com o gesto.
– Muito obrigado, meu filho! Continua assim! Gentil e respeitoso com os mais velhos, porque isso é bonito e cada vez mais raro – disse uma senhora na semana passada, quando eu estava na fila do restaurante onde almoço diariamente.

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A falta de educação é uma das grandes chagas da modernidade. Sob o argumento de pressa, “descontração” e “informalidade”, os bons modos são considerados um comportamento ultrapassado, antigo e que, na correria atual, serve apenas para atrasar a pressa onipresente.

Hábitos e costume se modificam ao longo do tempo, mas alguns preceitos precisam ser levados em consideração, são sagrados e devem balizar nosso comportamento. Se tivéssemos um pouco – só um pouco! – mais de educação, certamente as estatístcas sobre a violência, nas mais variadas formas, não seriam tão estarrecedoras.

Vemos as agressões no trânsito, os feminicídios e homicídios, sem falar nas tragédias inclusive em estádios de futebol. São sintomas de uma doença crônica que está corroendo o tecido social. 

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P.S. Um forte abraço à leitora Liane Meinhardt pelo carinho da mensagem.

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