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GILBERTO JASPER

Cinema, símbolo de uma época

Lendo a coluna do colega e amigo José Augusto Borowsky sobre a trajetória de Odécio Hasstenteufel, craque que dedicou a vida a filmagens, fotografia e elaboração de documentários, despertou minha nostalgia. É um fenômeno típico, muito comum para pessoas sexagenárias – como este que vos digita –, arraigado pelas lembranças e memórias saborosas da vida. Quando guri, meu sonho era chegar aos 18 anos basicamente por dois motivos: ter o direito a fazer a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e ir ao cinema para assistir a filmes “impróprios para menores”.

A CNH era apenas a oficialização de uma realidade típica da minha geração. Desde a mais tenra idade a piazada aprendia a dirigir, fosse num Jipe, trator, caminhão, caminhonete ou veículo de passeio. Ter o documento “como adulto” conferia um status único, de “ser grande” e poder circular em qualquer lugar. Sem medo de ser flagrado pelos temidos brigadianos, os homens da Brigada Militar que, naquela época, não era integrada por mulheres.

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Ir ao cinema como qualquer mortal comum também era um passaporte para a idade adulta. Vi muito “filme de mulher pelada” entrando escondido, com as luzes já desligadas do cinema, enquanto na tela rodava o Canal 100, uma resenha dos principais acontecimentos jornalísticos que marcou época. 
Ir ao cinema era muito mais que assistir a um filme, ou dois, como acontecia com frequência lá na minha Arroio do Meio.

Cinema era sinônimo de encontro com os amigos, de bagunça e de medo de ser flagrado pela “lanterninha”. Era um temido personagem, um segurança que circulava pela sala de exibição envergando uma lanterna para identificar – e retirar do ambiente – os baderneiros. 

Também havia constante vigilância para flagrar casais em situações ditas “pouco familiares”, aos beijos ou com carícias proibidas e vistas como “ousadas” para a época. Algo – cá entre nós – impensável atualmente, em tempos de internet, celular e tecnologia invasiva 24 horas por dia.

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Ir ao cinema era um evento que exigia preparação, inclusive no quesito vestuário. Era uma ocasião para estrear roupa nova ou usar aquilo que chamávamos de “roupa de domingo”. Aos poucos, as salas de exibição chamadas “de rua” perderam espaço.

Hoje, tradicionais casas de exibição, inclusive no interior, deram lugar a lojas, igrejas e complexos comerciais com salas e escritórios. O shopping é o lugar preferido, quase sempre com várias salas, de poucos lugares, mas bastante confortáveis. Isso inclui poltronas ergométricas, som de primeiro mundo e imagem de qualidade impecável. Vou pouco ao cinema. O que me incomoda nas salas de projeção é o ruído da vizinhança mastigando pipoca, o odor de Big Mac e o vício incurável do uso do celular. Em plena exibição.

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