De balconista numa loja de secos e molhados, em Seberi, no Norte do Estado, para tabelião no 2º Tabelionato de Notas de Santa Cruz do Sul. A frase resume de forma muito simplória a grandiosa trajetória de um nome conhecido no município: Ivaldir Celso Trentin. À frente do Cartório Trentin desde 18 de junho de 1986, na data desta quinta-feira, 18, ele comemora uma história pautada por grandes conquistas.
Mas apesar de seu esforço e dedicação, desde os tempos em que conciliava o trabalho com os estudos do curso Técnico em Contabilidade, em Frederico Westphalen, em 1966, para ele os caminhos e as surpresas da vida têm uma justificativa: “só pode ser a mão de Deus”. Um dos grandes feitos, por sinal, ocorreu em outubro de 1970, quando participou do concurso para o Banco do Brasil e alcançou o primeiro lugar entre 90 mil candidatos de todo o País.
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Hoje, ao relembrar, ele mesmo questiona: “Como é que um rapaz lá do interior do interior, recém-formado em Contabilidade, cursando os primeiros anos de Direito, pode tirar o primeiro lugar, concorrendo com gente de São Paulo, Rio de Janeiro, e tendo estudado sozinho, com uma cartilha de um vendedor da Capital que apareceu lá em Seberi?”.
Diante da aprovação, teve início uma carreira de 15 anos na instituição financeira. Em meio a esse tempo, porém, em abril de 1977 Trentin decidiu apostar em um novo concurso: para tabelião em Porto Alegre. Resultado? Alcançou o quarto lugar, disputando com cartorários de todo o Estado, além de advogados, promotores e outros candidatos experientes. Após alguns concorrentes recorrerem, no entanto, caiu duas posições. “Assim, os cartórios que estavam vagos foram preenchidos pelos substitutos que haviam entrado com recurso.”
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Quando o concurso para tabelião estava para expirar, após nove anos desde sua realização, surgiu a vaga para atuar em Santa Cruz do Sul. Ivaldir Trentin, então, decidiu se apresentar para a oportunidade. “Fui nomeado. Peguei o ônibus em Porto Alegre e, com o Diário Oficial debaixo do braço, me apresentei no Fórum. Nunca tinha estado na cidade.” Assim, o diretor Moacir Haeser o empossou no dia 18 de junho de 1986.
Naquele dia, lembra Trentin, coincidentemente o funcionário do tabelionato, Orlando Kessler, estava no local e o levou até o cartório. “Chegando lá, conversei com o substituto que respondia pelo local. Ele me deu as chaves, passando o acervo e os funcionários para minha responsabilidade.” No início, a equipe era composta por sete funcionários. Hoje, são 34.
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Ao longo dos últimos 40 anos, entre casos emblemáticos e desafios, como a constante adaptação à modernização, Trentin lembra do projeto que vislumbrou desde o dia em que assumiu o cartório: um prédio próprio. Se deu certo? Ao passar pela Rua Júlio de Castilhos, na quadra entre a Tenente Coronel Brito e a Marechal Floriano, no Centro, é possível ver de perto a edificação. “Foram cinco anos de muito empenho e preocupação, mas hoje já faz 20 anos que seguimos nesse novo espaço, moderno e eficiente.”
Na época em que cursava Direito, em Cruz Alta, Ivaldir Trentin conheceu uma colega, a Anamaria. “Já na aula inaugural comecei a prestar mais atenção nela. No fim do primeiro ano, numa reunião-dançante, começamos o namoro”, conta.
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Logo mais, em setembro de 1970, ocorreu o noivado. Já em julho de 1971 foi celebrado o casamento. Foi a amada, inclusive, que o incentivou a participar dos dois concursos, tanto para o Banco do Brasil quanto para o de tabelião. Da união, que completa 55 anos em 2026, nasceram quatro filhos: Heitor, Helena, Henrique e Cristiani. Dos filhos vieram os cinco netos, sendo que o mais velho tem 24 anos e o mais novo, 7.
Entre outras atividades, além do ofício profissional, Trentin coleciona passagens pelo círculo de pais do antigo Colégio Sagrado Coração de Jesus; Lions Centro e Aliança; diretoria do Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (Consepro); conselho da Catedral São João Batista, onde também atuou como ministro extraordinário, auxiliando na liturgia, distribuição da comunhão e em diversos enterros; e diretoria da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Hoje ainda participa do coral Santa Cecília, ofício que exerce “praticamente desde que cheguei em Santa Cruz”.
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