A partir de certo tempo como professora, comecei a pensar que o futebol teria muitas coisas a ensinar – para o bem e para o mal – aos estudantes e aos cidadãos. Certa vez, cheguei a convidar dois ex-jogadores, um do Grêmio e um do Internacional, para fazer parte da recepção dos alunos em novo ano letivo. Foi um sucesso, embora efêmero. A conclusão dos desportistas foi que deveriam ter estudado mais, muito mais, para administrarem melhor seus dias e seus ganhos, até porque a vida útil de um futebolista é curta e, depois de parar de jogar, a maioria fica, por longos anos, sem trabalho definido. Alguns poucos viram treinadores.
Pensei em outras coisas, como iniciar o ano com as 17 regras de arbitragem + a do bom-senso. Mas nunca consegui convencer os outros setores do sistema escolar de que isso atrairia o interesse dos alunos e, bem utilizado, seria um fator bastante concreto para a compreensão dos valores humanos. Não deu, e me faltaram forças para insistir numa época em que o magistério era muito vigiado e perseguido.
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Quando me tornei escritora, achei que um livro juvenil sobre o tema seria fácil de escrever. Não consegui.
Vou deixar, aqui, ideias de lições que a Copa do Mundo de 2026 mostrou:
* o interesse que a Copa desperta, de quatro em quatro anos, e antes e depois;
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* as multidões que move, em todo o planeta;
* a História que se pode ensinar e aprender;
* a Ola e a Remada Viking como fatores de alegria, congraçamento e cooperação;
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* os debates sobre as instituições do Futebol: a Fifa, as arbitragens, o Var, aplicáveis a situações reais;
* limpeza total das arquibancadas, tanto vencendo como perdendo (vide os japoneses);
* saber perder e, sobretudo, saber ganhar sem humilhar ou destruir tudo, inclusive os adversários.
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Quem sabe, então, não continuaríamos a agir quase como os pré-humanos que jogavam bola com as cabeças dos inimigos…
Pesquisando para esta crônica, aprendi algo novo: mesmo sabendo que o futebol, como o conhecemos, foi criado na Inglaterra, ele tem estreitas relações com a Revolução Industrial. Os operários, na luta por mínimos direitos, conseguiram o “direito à bola”, que jogavam nos duramente conquistados momentos de folga nas fábricas. E que o Arsenal, clube ainda bem vivo, foi criado numa fábrica de armamentos e o atual Manchester United, igualmente em atividade, era formado por ferroviários. Ambos no século XIX.
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Depois de escrita esta crônica, li, em GZH, na ótima matéria de Marcelo Gonzatto, que, em Lajeado, um empresário de 90 anos foi, durante 12, futebolista, sem jamais ter recebido um cartão vermelho. Tinha princípios éticos, em campo e fora dele, os quais aplicou em sua indústria. O nome dele é Nestor Heineck. Somos dois, então.
Obrigada, todos os dias, por me lerem.
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