Há encontros capazes de mudar uma vida. O de Mariana Wartchow com a cerâmica aconteceu ainda na infância. Ela iniciou sua trajetória após uma visita a um ateliê, promovida pelo Colégio Mauá, onde estudava na época, por meio da professora de artes Lora Griesang. Aos 12 anos, começou a ter as primeiras aulas de cerâmica. Desse ateliê – que ficava no subsolo de uma antiga casa, com acesso a um jardim que parecia secreto – ela nunca mais esqueceu. A professora acabou se mudando e Mariana interrompeu as aulas de cerâmica. A pausa durou um ano. Ao retomar os estudos, desta vez com a ceramista Clarisse Blauth, permaneceu por quatro anos sob a orientação da artista.
A carreira profissional de Mariana, hoje com 44 anos, começou na graduação em Fisioterapia, que conciliou com algumas disciplinas no Centro de Artes e Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ela seguiu produzindo cerâmica ao longo dos anos e montou um ateliê em cada casa onde morou. Em 2013, optou por cursar Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). “Isso me conduziu a uma mudança de área de atuação, com as artes ganhando cada vez mais espaço, o que me levou a me dedicar integralmente à produção em arte e à pesquisa”, salienta.
Mariana concluiu o mestrado em 2025 e atualmente cursa doutorado em Poéticas Visuais no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Ufrgs. Segundo ela, a pesquisa envolve prática e teoria, ao unir a produção poética à reflexão e ao desenvolvimento teórico, tendo como referência o trabalho de outros artistas, inclusive de diferentes áreas.
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Mariana iniciou sua caminhada nas artes com a cerâmica, que ainda produz; no entanto, tem trabalhado principalmente com performance. Ela destaca a obra “Pote para Aterrar”, realizada em São Paulo e Santa Cruz do Sul. Em relação à arte participativa, a santa-cruzense cita a série “Malas Gigantes”, na qual grandes colares de contas feitas de cerâmica são instalados em árvores de grande porte. A série reúne obras coletivas instaladas na Fundação Vera Chaves Barcellos e no Centro de Estudos Budistas Bodisatva, em Viamão; e no Instituto Yvy Maraey, em Porto Alegre.
Para Mariana, a espiritualidade está presente desde o primeiro contato com a argila. Ela percebe “o sagrado como imanente, sendo parte de tudo o que existe” e encontra nos elementos naturais uma conexão profunda. A meditação também atravessa seu fazer artístico, inspirando um processo mais lento e consciente. “Essa qualidade meditativa, que também se relaciona com o tempo, em um parar ou desacelerar, é o que busco levar para o meu processo artístico”, afirma.
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A natureza também orienta as escolhas da artista, tanto nos materiais quanto nos processos criativos. “Antes de qualquer coisa, é um exercício de observar”, revela Mariana. Ao contemplar os ambientes naturais e os ciclos da vida, ela reflete sobre o impacto das ações humanas no meio ambiente, uma inquietação que também permeia sua pesquisa artística e tem aproximado seu trabalho da performance, em obras que valorizam mais o parar do que o fazer.
Ao refletir sobre sua trajetória, Mariana questiona a ideia de evolução e de exploração. Ela prefere pensar seu percurso a partir das relações e conexões construídas ao longo da vida. “Percebo minha produção e minha pesquisa cada vez mais conectadas com a própria vida, onde tudo se torna um exercício de perceber as interconexões”, explica. Seu desejo, agora, é seguir aprofundando essa consciência e compreender cada vez mais os fios que conectam sua criação ao mundo.
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