Ondas de calor, noites mal dormidas, irritabilidade, cansaço e mudanças de humor fazem parte da rotina de muitas mulheres durante a transição para a menopausa. Ainda assim, quase metade delas não busca tratamento. Pesquisa realizada em 2025, pelo instituto Ipsos, a pedido da Bayer, mostra que 44% das brasileiras não realizam nenhum tipo de tratamento para aliviar os sintomas dessa fase. O estudo também aponta que metade das entrevistadas já teve suas queixas minimizadas, tratadas como exagero ou encaradas como algo natural.
Mesmo sendo uma das alternativas mais eficazes para amenizar esses desconfortos, a reposição hormonal ainda é cercada de dúvidas. Afinal, toda mulher pode fazer? É preciso esperar a menopausa chegar? Ela aumenta o risco de câncer? Para esclarecer essas e outras questões, a ginecologista e mastologista Andréia Rauber explica o que é mito e o que é verdade quando o assunto é terapia hormonal.
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Embora muitos associem a reposição hormonal apenas à menopausa, a médica explica que ela pode ser indicada antes mesmo da última menstruação. Isso porque existe uma fase chamada perimenopausa, que integra o climatério e pode começar até dez anos antes da menopausa propriamente dita. É justamente nesse período que muitas mulheres passam a perceber mudanças no organismo, como calorões, suor noturno, alterações do sono, irritabilidade, cansaço, oscilações de humor e irregularidade menstrual.
Andréia faz questão de esclarecer que a terapia não deve ser encarada exatamente como um tratamento. “Não costumo chamar de tratamento, porque, como o nome diz, é uma reposição de hormônios que o nosso organismo já não produz da mesma maneira do que antes”, explica.
Segundo a especialista, a terapia é indicada, a princípio, para mulheres que apresentam sintomas da menopausa ou da perimenopausa e que não possuem contraindicações para o uso dos hormônios. Os principais utilizados são o estradiol e a progesterona. Em algumas situações, também pode ser indicada a reposição de testosterona, sempre após avaliação médica individualizada. Atualmente, segundo Andréia, a reposição costuma ser feita com hormônios chamados bioidênticos.
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Engana-se quem pensa que o benefício da reposição hormonal está restrito ao alívio dos calorões. Conforme a especialista, a terapia também ajuda a preservar a massa óssea, reduzindo o risco de osteoporose. Além disso, melhora sintomas genitais, como o ressecamento vaginal e a dor durante as relações sexuais; diminui a recorrência de infecções urinárias e, em mulheres sem doenças cardiovasculares prévias, pode contribuir para reduzir o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
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De acordo com a profissional, a principal indicação da terapia hormonal é para controlar esses sintomas, mas não só isso. “Às vezes, a mulher não tem tantos sintomas; contudo, se ela não tiver contraindicação, é importante também usar a reposição hormonal, porque ela vai ajudar a evitar outras situações.”
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Apesar dos benefícios, Andréia ressalta que a reposição hormonal não é indicada para todas as mulheres. Casos de câncer hormônio-dependente, especialmente os de mama e de endométrio; histórico de trombose venosa profunda; embolia pulmonar; doenças graves do fígado e doenças cardiovasculares já estabelecidas, como infarto e AVC, estão entre as contraindicações absolutas.
Algumas condições exigem apenas avaliação individualizada e não impedem, necessariamente, o tratamento. É o caso de mulheres com hipertensão arterial controlada, alterações do colesterol e dos triglicerídeos ou histórico familiar de câncer de mama. Em algumas situações, inclusive, pode ser indicado um teste genético para investigar um possível risco hereditário elevado para a doença.
O medo de desenvolver câncer de mama, inclusive, é um dos principais fatores que levam muitas mulheres a desistirem da reposição hormonal. Segundo Andréia, porém, esse receio costuma ser desproporcional ao risco real. “Em números absolutos, o risco é muito pequeno. Aumentaria algo em torno de cinco a oito casos para cada 10 mil mulheres por ano.”
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A especialista destaca que fatores como sobrepeso, obesidade, consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada representam um risco muito maior para o desenvolvimento da doença do que a própria terapia hormonal.
Outro receio frequente está relacionado aos efeitos colaterais. Segundo Andréia, eles costumam surgir, principalmente, no início da reposição e, na maioria das vezes, são leves. Dor nas mamas e pequenos sangramentos vaginais podem ocorrer durante o período de adaptação ao tratamento e devem ser acompanhados pelo médico.
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Antes de iniciar a terapia hormonal, a mulher deve passar por exames como mamografia, ecografia mamária, ecografia transvaginal e exames laboratoriais. Essa investigação permite identificar fatores de risco e definir qual é a melhor estratégia para cada paciente.
“A paciente tem que passar por avaliação ginecológica. Tem alguns exames que são essenciais antes de iniciar a reposição hormonal. Tudo isso sendo feito, e cada situação sendo bem avaliada, conseguimos fazer uma terapia de reposição segura e adequada para cada caso.” – Andréia Rauber
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