Altar construído pelo marceneiro João Melchiors e ornamentado pela esposa Clara era admirado por todos durante as celebrações do Corpus Christi
Na próxima quinta-feira, 4, a Igreja vai realizar a festa de Corpus Christi (Corpo de Cristo), uma das principais celebrações dos católicos e que remonta ao ano de 1264. No passado, ao menos até a década de 1950, as procissões em Santa Cruz eram maiores do que hoje.
Conforme relatou a escritora Moina Fairon Rech (1931-2025) no livro “Uma janela para o passado”, o cortejo saía da Igreja Matriz (hoje Catedral), adentrava na Marechal Floriano até a Júlio de Castilhos e subia pela Deodoro em direção à Fernando Abott. Desse ponto, seguia para a Ten.Cel. Brito e Ramiro Barcelos, retornando à Matriz.
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Os tapetes artesanais, que encantam o público, começaram a ser feitos nos anos 50, pois antes as ruas não tinham calçamento. Mas elas recebiam ornamentação especial, com muitos ramos verdes amarrados nos postes. Também eram fincados sarrafos de dois metros de altura nas calçadas, para a colocação de guirlandas e bandeirinhas. Diante das casas, mesas com uma toalha branca, flores, velas e imagens sacras chamavam a atenção. A procissão constituía-se em uma festa.
Durante o trajeto, ocorriam quatro paradas para reflexões e bênçãos: na frente dos colégios São Luís e Sagrado Coração de Jesus, na capela do Hospital Santa Cruz e na marcenaria da família Melchiors na esquina da Fernando Abott com a Brito. Em cada uma existia um altar, mas nenhum se comparava ao que era montado pelo casal Clara e João Melchiors (avós da ex-prefeita Helena Hermany). Durante todo o dia, as pessoas iam admirar a construção.
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Nas paradas, os fiéis rezavam ajoelhados em cima de lenços, para não sujarem a roupa. Quando a caminhada recomeçava, os sinos tocavam e havia foguetório. Quatro homens carregavam o pálio e, embaixo dele, seguia o vigário com o ostentório e a hóstia que simboliza o Corpo de Cristo. Na frente, iam os coroinhas e crianças vestidas de anjinho, espalhando pétalas de flores e papel picado.
Os irmãos maristas, as irmãs franciscanas e as congregações religiosas com suas bandeiras tinham colocação destacada. A participação dos católicos era obrigatória e só doentes e pessoas com dificuldades para caminhar estavam dispensados.
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