Educação

Novos olhares sobre a educação marcam o segundo dia do Congresso da Rede Sinodal

“Há raízes que alimentam o corpo, outras alimentam a alma”. A frase que antecedeu o momento de meditação, conduzida pelo pastor Olmiro Ribeiro Junior, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), marcou a abertura do segundo dia do 35° Congresso da Rede Sinodal de Educação, no Colégio Mauá, em Santa Cruz do Sul/RS, nesta terça-feira, 21.

Após sua fala, na qual relacionou a prática de educar ao semear, dialogando com a proposta do evento, o público teve a oportunidade de acompanhar a apresentação da equipe juvenil e adulta de ginástica rítmica do Colégio Mauá, que empolgou a plateia. 

Em seguida, subiu ao palco a primeira palestrante da manhã, Carla Tieppo, pioneira na aplicação da ciência do cérebro no desenvolvimento humano e organizacional. 

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Durante a palestra, a doutora em Ciências, considerada uma das maiores referências em Neurociência aplicada à educação, trouxe reflexões pertinentes à área.  No decorrer de sua apresentação, Carla destacou o papel do coletivo dentro das instituições de ensino. “Coletivamente somos muito melhores semeadores”, afirmou. Em seguida, procurou trazer à tona elementos para a reflexão sobre novas formas de ensinar e de envolver estudantes e profissionais da área, dialogando com o tema do congresso, “Um lugar chamado escola…”.

Em busca de um novo educar

“O que a gente pensa quando fala em escola?”, questionou Carla Tieppo ao lembrar que frequentar o ambiente deveria ser compreendido como “um direito de cidadania para se instrumentalizar e viver a vida”. De acordo com a neurocientista, ele também deve ser considerado como um espaço de crescimento, onde “sementes possam se desenvolver e crescer”.

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Ainda em sua fala, Carla trouxe provocações sobre o modelo tradicional da escola relacionado às novas realidades. “A maior inclusão é a do desejo, do sentido, do propósito. A vida não pulsa na inteligência artificial. Então, o que vai ficar pra gente? O pulsar da vida!”.

Para ela, há uma linha predominante de ensino na qual ainda há a crença de que o caminho é apenas conteúdo, racionalização e vestibular. “A escola precisa ser um lugar onde crianças e adolescentes vibrem, existam e se desenvolvam. O convívio e a construção precisam ser resgatados. Uma escola sem emoção, uma escola que não pulsa é uma escola que não ensina”.

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Foco na aprendizagem

A segunda palestrante da manhã, a doutora em Letras, Janaina Weissheimer, abordou aspectos envolvendo o processo de aprendizagem. No decorrer de sua apresentação, com o tema Escola, um lugar em que se aprende, a painelista trouxe artigos científicos, imagens de interação, além de dados envolvendo a proposta. 

“Se não sabemos como o cérebro aprende, como podemos ensiná-lo?”, foi uma das colocações compartilhadas com os participantes. Além disso, a professora universitária abordou os quatro pilares da aprendizagem: atenção; engajamento ativo; feedback; e consolidação, envolvendo o público em reflexões sobre cada um deles. 

A importância e o papel do sono como elemento fundamental no processo foi outro ponto abordado. “Por muito tempo acreditamos que bastava apenas estudar. Hoje, o estude, estude, estude está desacreditado”. Por meio de pesquisas, segundo a painelista, o “estude, teste, durma” oportuniza melhores condições de aprendizado. “Se não tratarmos o sono como algo muito importante, teremos problemas”, afirmou.

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Em seguida, as consequências do uso excessivo e inadequado das telas veio à pauta, proporcionando reflexões aprofundadas aos espectadores. “As telas estão sequestrando a nossa cognição e a privação de sono está sequestrando a nossa saúde mental. Diante disso tudo, precisamos pensar em como resgatar a aprendizagem pela motivação”.

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No decorrer do dia, os participantes ainda participaram de atividades em grupos e minicursos com diferentes temáticas. Diretores e coordenadores também puderam integrar uma dinâmica específica com o educador português António Nóvoa, cuja palestra principal ocorreu na segunda-feira. Além disso, o coral do Mauá abrilhantou a manhã com uma apresentação marcada pela emoção e protagonismo das crianças coralistas. À noite ocorreu confraternização no Pavilhão Central do Parque da Oktoberfest. 

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Programação

Nesta quarta-feira, 22, último dia do 35° Congresso da Rede Sinodal de Educação, a programação tem início às 9 horas, com recepção dos participantes. Em seguida, às 9h15, ocorre a palestra com o psicólogo Rossandro Klinjey. Após, haverá culto de encerramento, seguido de almoço e despedidas. O evento teve início na segunda-feira e reuniu mais de mil educadores de todo o País, no Colégio Mauá, em Santa Cruz do Sul.

Sobre o palestrante

Rossandro Klinjey é psicólogo, professor convidado do curso de Felicidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Mestrado em Psicologia Organizacional da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS). Além disso, é consultor em educação e desenvolvimento humano, contando com mais de 5 milhões de seguidores em suas redes sociais. Em 2021, fundou a Educa, uma iniciativa voltada para o desenvolvimento de competências socioemocionais em alunos, pais e educadores, promovendo uma educação mais humana e integradora em centenas de escolas do país.

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Karoline Rosa

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