A escola precisa preservar aquilo que nenhuma tecnologia é capaz de substituir: o encontro entre pessoas. Foi com essa reflexão que o educador português António Nóvoa abriu nessa segunda-feira, 20, o 35º Congresso de Professores da Rede Sinodal de Educação, ao defender a escola como uma instituição marcada pelas relações humanas, pela cooperação e pela formação integral dos estudantes.
Diante dos avanços da inteligência artificial e das transformações aceleradas da sociedade, Nóvoa sustentou que o futuro da educação passa por uma “metamorfose” do ambiente escolar, e não pelo seu abandono. Com o Teatro Mauá lotado por mais de mil participantes, incluindo 660 professores de instituições da Rede Sinodal de diferentes Estados brasileiros, a palestra Um lugar chamado escola foi o destaque da abertura do evento, que ocorrerá até esta quarta-feira, 22, no Colégio Mauá.
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Durante a palestra, Nóvoa criticou os discursos que colocam a escola como uma instituição ultrapassada ou que atribuem à tecnologia a solução para os problemas da educação. Na avaliação do educador, mesmo que a aprendizagem ocorra em diferentes espaços, nenhum deles substitui a experiência proporcionada pelo ambiente escolar.
Ele defendeu ainda que sua missão é diferente da família, das redes sociais e demais ambientes que compõem o cotidiano. “A escola não é um serviço. É uma instituição”, salientou.
O especialista também alertou para o risco de tratar inteligência artificial como substituta do trabalho humano. Para ele, a tecnologia pode contribuir com o processo educativo, mas não pode ser confundida com educação. Afirmou ainda que nenhuma ferramenta é capaz de substituir o desenvolvimento humano proporcionado pelas relações construídas dentro da escola. “A educação é um caminho, uma experiência. Não é um produto que se compra”, justificou.
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Diante da ideia de reinvenção completa, Nóvoa propôs que as instituições de ensino preservem sua essência à medida que se transformam. “O futuro da escola tem um coração muito antigo”, disse, ao defender mudanças construídas a partir da própria história da instituição.
O pesquisador apresentou três princípios para a transformação das escolas: fortalecer o encontro e a cooperação entre os estudantes, criar ambientes voltados ao estudo e à convergência entre diferentes áreas do conhecimento e ampliar experiências de criação, colocando os alunos no centro do processo educativo. “A educação já foi toda inventada. O que precisamos é transformar e ressignificar aquilo que já fazemos”, afirmou.
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Momentos para a troca de experiências
Entre as comitivas presentes está a do Colégio Evangélico Panambi (CEP), formada por 15 representantes. Para o diretor Alexandre Brust, participar do congresso reforça uma das principais características da Rede Sinodal: o trabalho coletivo entre escolas que compartilham os mesmos princípios educacionais. A expectativa da comitiva é aproveitar os próximos dias para ampliar as trocas de experiências entre os educadores e levar novas reflexões para a realidade da instituição em Panambi.
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Após acompanhar a palestra de António Nóvoa, Brust destacou a valorização do papel do professor e da formação humana. “A escola transforma vidas. Trabalhamos com pessoas cuidando de pessoas para formar cidadãos capazes de impactar positivamente a sociedade, muito além dos conteúdos.”
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Tempo para refletir
Promovido pela Rede Sinodal de Educação e sediado pelo Colégio Mauá, o congresso foi pensado como um momento para que os professores reflitam sobre a própria prática. O coordenador do evento, professor Waldy Lau, disse que a preparação para o encontro mobilizou o colégio por quase um ano e chega agora ao momento de compartilhar esse trabalho com colegas. “Entramos em uma ciranda de tarefas e nem sempre temos tempo para pensar sobre o que fazer. O congresso nos permite justamente olhar para a escola e para nós mesmos.”
Para ele, a escolha de António Nóvoa foi consequência natural do tema Um lugar chamado escola. “Ele foi a nossa inspiração. Queríamos alguém que falasse da escola com os pés dentro dela, que entendesse seus desafios sem cair nem no discurso de que tudo precisa mudar, nem no de que tudo deve permanecer igual.”
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Para Lau, o congresso também propõe uma reflexão sobre o papel dessa instituição em tempos de mudanças aceleradas. “A escola não precisa correr na mesma velocidade do mundo. Ela precisa preservar aquilo que é essencial, olhar para o futuro, mas sem perder o que faz sentido para a formação humana.”
O diretor do Colégio Mauá, Nestor Raschen, defendeu que quanto mais tecnologia, maior a importância da escola. “É ela quem ensina convivência, constrói relações humanas e forma pessoas. Isso nenhuma tecnologia consegue fazer.”
Programação
Nesta terça-feira, 21, as atividades começaram às 8 horas. A manhã tem palestras da neurocientista Carla Tieppo, às 8h30, e da pesquisadora Janaína Weissheimer, às 10h45. À tarde, os participantes se dividirão entre atividades em grupo e minicursos, enquanto a tradicional confraternização ocorrerá à noite, em clima de festa alemã, no Pavilhão Central do Parque da Oktoberfest. O encerramento será na quarta, 21, com palestra do psicólogo e escritor Rossandro Klinjey, às 9h15, seguida de culto e almoço de despedida.
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