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Os homens matam mais

De todos os homicídios contabilizados no planeta, 90% são praticados por homens. Não é um número aleatório, é estatístico. Os homens matam muito mais do que as mulheres. Muito, muito mais. Matam outros homens, matam mulheres, matam crianças, matam idosos. E também matam cães, gatos, animais silvestres… Aliás, estudos confirmam que o sadismo, a crueldade e o prazer (inclusive sexual) em dominar e ferir é maior entre os homens do que entre as mulheres.

Preste atenção: a maioria dos homens não mata. Mas entre os humanos que matam, a maioria é formada por homens.

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Homens matam mais do que mulheres em praticamente todos os países e épocas estudados. Matam agora, janeiro de 2026. E matavam antes, ainda nas cavernas. Evidências de sociedades pré-agrícolas mostram preponderância de mortes violentas entre humanos causadas por homens. Com o surgimento da civilização, a brutalidade masculina não diminuiu. Ela apenas se organizou melhor, com guerras e massacres legalizados.

Polêmica e controvérsia pautam esse tema. Como é possível que isso venha desde o Paleolítico e siga causando dor na era do Instagram e do Tik Tok? Ao que se deve tamanha disparidade entre os gêneros? A biologia há muito não dá conta do problema. Nível de testosterona e diferenças físicas não explicam sozinhos fenômenos sociais complexos que envolvem poder e dominação.

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O entendimento hoje é de que os homens matam mais porque sempre ocuparam na sociedade lugares onde a violência é permitida, esperada e valorizada. A isso chamamos cultura. Práticas e símbolos moldam eles ainda na infância. Crianças, aprendem a resolver conflitos no confronto, a reprimir o medo, esconder o choro e a defender a “honra” com a força. Enquanto as meninas são treinadas a evitar brigas e a buscar a conciliação, os garotos são estimulados a se comportar de maneira oposta. Nelas, a raiva vira autoagressão em suas muitas formas. Neles, a raiva vira agressividade contra os outros. Se falta potência para destroçar o suposto inimigo, dá para descontar no cachorro ou no sem-teto. Ou nos dois. E isso não é biologia. É aprendizado.

Inexiste qualquer tese minimamente séria que defenda serem os homens agressivos por natureza. O que ocorre é que certos modelos de masculinidade elevam muito o risco de violência letal. E embora o assassinato seja o extremo dessa equação grotesca, não podemos esquecer que o culto à macheza causa muitas outras formas de sofrimento.

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Felizmente, em meio a tanto discurso misógino e a tanto fanatismo travestido de fé e defesa da família, temos boas notícias: pela primeira vez na história há um movimento coletivo de combate ao que, décadas atrás, parecia irremediável. O debate saiu das esferas acadêmicas e ganhou as ruas. E une gentes que em tudo o mais andavam separadas.

No futuro, é pouco provável que essa virilidade truculenta sobreviva. Mas enquanto não se chega lá, tratemos de educar nossos filhos para um mundo novo e melhor.

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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