Agronegócio

Recuperação da produção de mel avança no Estado após impactos das enchentes

Passados dois anos de dificuldades e reconstrução, os apicultores e meliponicultores gaúchos estão colhendo uma safra acima da média. A estimativa é produzir 11 mil toneladas de mel no Estado, superando os anos normais, de cerca de nove mil toneladas.

De acordo com a coordenadora estadual de Apicultura e Meliponicultura da Emater/RS-Ascar, Laila Ribeiro Simon, a safra 2024/2025 teve uma produção aproximada de três mil toneladas de mel apenas, em virtude de todos os eventos climáticos que impactaram o setor.

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“Neste ano, além de uma safra acima do esperado, que seria a condição de retomada, temos o diferencial em qualidade e composição florística do mel produzido no Estado, com características peculiares”, ressalta Laila. Mesmo com a qualidade do produto, o Brasil está abaixo da média mundial de consumo de mel per capita. Por isso, a coordenadora acredita que há um potencial a ser explorado, do mel como alimento, além da sua característica medicinal.

Nas regiões mais atingidas pelas enchentes de 2024, a Emater/RS-Ascar vem trabalhando em ações coletivas para a recuperação, junto às associações de produtores de mel. No Vale do Rio Pardo e Vale do Taquari, há um projeto em andamento com a cooperativa dos apicultores, com previsão de serem aportadas mais de mil novas colmeias com recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper).

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De acordo com o extensionista rural de Santa Cruz do Sul, Vilson Pitton, o projeto irá beneficiar 70 apicultores de 14 municípios da região que nas enchentes de 2024 perderam todas as suas caixas de abelhas localizadas nas áreas baixas, e outros irão aumentar o volume de produção para a atividade ficar mais rentável. O recurso será para aquisição de colmeias tipo Langstroth com uma melgueira cada.

Recuperação e cautela

O presidente da Associação de Apicultores de Santa Maria (Apismar) e vice-presidente da Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul (Fargs), Patric Arend Luderitz, relata que a região Central do Estado teve uma boa produção de primavera, que há muitos anos não ocorria. “O clima ajudou e também houve a troca genética, porque após a enchente houve introdução de rainhas que foram doadas pela Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) para os produtores, através dos nossos parceiros. Santa Maria foi uma das regiões que recebeu essas princesas. Então a gente notou um aumento na produtividade das abelhas, das colmeias, uma grande enxameação esse ano”, afirma.

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Na região central, a produtividade foi muito boa de setembro a dezembro de 2025 nas matarias silvestres, mas Luderitz observa que no Estado não houve uma supersafra, “porque nós tivemos um pulgãozinho, um piolho dos eucaliptos, na fronteira e em várias regiões, onde as abelhas não conseguiram aproveitar o néctar”, explica.

Os apicultores estão numa situação de recuperação e cautela. “Juntamente com a assistência técnica da Emater, houve um trabalho de força-tarefa em prol dos apicultores e meliponicultores. Então o pessoal conseguiu uma recuperação leve, mas temos muito para recuperar ainda”, afirma Luderitz.

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Luderitz alerta para a probabilidade de retroação dessa recuperação devido ao El Niño. “O aquecimento das águas do Pacífico pode provocar uma situação de muitos dias chuvosos, muitos milímetros correndo em poucas horas, enchentes, vendavais. Então esse cenário nos preocupa”. Por isso, sugere que apicultores e meliponicultores removam suas caixas de áreas de risco e levem as colmeias para lugares mais altos, na certeza de não haver inundações.

“Num segundo momento, muitos dias de frio e chuva levam ao consumo de tudo o que as abelhas têm dentro da colmeia. E nós estamos muito preocupados porque vemos coisas que há muitos anos a gente não via. As abelhas estão indo nos coxos dos animais buscar pólen, buscar proteína, o pó do milho, o pó do arroz, o pó de soja. É sinal que a floração está completamente parada, estagnada, e as abelhas estão com déficit de proteína. Então, estamos orientando manter a alimentação de subsistência, que é o açúcar”, conclui.

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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